﻿Expectador Ativo 2.



Luciano Arruda




Prefácio
Após o para mim inesperado sucesso do “Expectador Ativo”, resolvi que era o momento de escrever o segundo volume. Ok não foi um sucesso de vendas, vendi muito pouco, mas o livro foi baixado e comentado diversas vezes, o que também é interessante.
Continuo fazendo tudo de forma amadora, pela simples paixão de escrever, portanto ao longo do livro erros aparecerão com absoluta certeza, somente espero que não atrapalhem no bom entendimento do contexto geral.
Novamente tudo foi feito por diversão, foi um imenso prazer vivenciar, e escrever tudo que consta aqui nessas páginas. Não vejam o livro como um documento jornalístico ou algo do gênero, tudo foi feito sem esse tipo de compromisso.
Escrevo de forma totalmente independente, tudo no livro retrata minha opinião, não recebi nenhum tipo de incentivo para falar bem, ou mal de alguém (embora até fosse boa uma graninha para curtir os shows e escrever, não posso ser hipócrita). Portanto se você não gostou de algo que falei sobre alguma música ou artista, ou esteve em determinado show e pensa diferente, eu simplesmente não posso fazer nada a respeito, escreva um livro e exponha sua opinião, não venham me encher o saco. Toda a crítica quanto ao estilo da escrita, ou determinado conteúdo será bem vinda, mas criticar meu gosto pessoal será uma perda de tempo, pois vou simplesmente ignorar isso, como sempre fiz a vida inteira.
Quem leu o primeiro volume notará que eu fiz algumas pequenas mudanças no decorrer do livro, a mais notável é a divisão em três partes, sendo a primeira alguns shows antigos e recentes que gostei, a segunda fala sobre alguns shows que de algum modo deram errado, e talvez a terceira parte seja a maior novidade de todas, pois eu descrevo alguns shows que eu gostaria de assistir, mas por motivos óbvios são impossíveis de serem realizados, talvez essa parte não agrade tanto, mas eu gostei de fazer, portanto a terceira parte do livro é totalmente ficcional, nada ali aconteceu realmente, diferente das outras duas partes onde tudo é real.
Dessa vez não vou montar um lista gigante de agradecimentos para não esquecer ninguém, continuo agradecendo todos aqueles do volume um, e todos aqueles que de alguma forma me ajudaram, ou pelo menos não atrapalharam na realização desse segundo volume. Se o seu nome está presente em algum desses relatos, considere-se homenageado, um muito obrigado por me fazer companhia e me aguentar.
Esse livro é dedicado a todos que mantém a cena musical viva, sendo tocando, criando, promovendo, consumindo ou mesmo somente ouvindo.
A reprodução total ou parcial da obra é permitida desde que citada à fonte, o livro tem copyright baby.
Qualquer dúvida, crítica, sugestão, proposta, ameaça, elogio, súplica, xingamento... Pode ser feita diretamente pelo meu email: luciano_king2000@yahoo.com.br

São Paulo 21 de dezembro de 2011.












Primeira parte – Os grandes shows.
Quem conhece o primeiro volume desse livro não vai estranhar em nada essa primeira parte, aqui descrevo alguns shows antigos, e vários shows mais novos que assisti e gostei, sempre de uma maneira mais informal, com enfoque no que eu senti vendo as apresentações. O grande destaque dessa parte é minha ida a “terra prometida”, ou seja, o Wacken Open Air.











Sarcastic Smile – Aeroanta, São Paulo, algum dia de 1994.
Certo você que vai ler isso provavelmente nem conhece essa banda, eu creio que ela nem existe mais, era a banda de uns amigos que estudavam na mesma escola que eu, mas resolvi escrever esse relato em homenagem ao velho Aeroanta e também a todos as bandas underground do Brasil.
Realmente não lembro a data desse show, o máximo que lembro é que aconteceu em uma quarta-feira e tive que trabalhar no dia seguinte de ressaca, por sinal essa foi a primeira ressaca da minha vida.
Saí do serviço animado para ver a apresentação dos amigos do Sarcastic Smile, os caras eram gente fina e tocavam Heavy Metal, infelizmente faziam quase só covers, mas confesso que naquele dia estava com mais vontade de curtir do que ouvir algo novo.
Chamei várias pessoas para irem ao show, mas somente o Júnior resolveu ir comigo, saímos do serviço no centro da cidade em direção ao saudoso Aeroanta um dos lugares mais legais que já existiu.
Quando cheguei ao local fui comprar o ingresso, que na verdade era uma “consumação mínima”, você comprava e recebia várias “fichas” que valiam um Real para a troca por bebidas, ou alguns lanches disponíveis. Bem não lembro o valor, mas até que dava para consumir bastante coisa, visto que os preços da casa não eram dos maiores.
Na casa acabei encontrando outros amigos como o Moises, e alguns outros que não me recordo bem, todos também colegas da escola. Chegamos ao bar para começar a consumir, e o Júnior disse que síria meio caro se ficássemos só na cerveja, eu já bebia naquela época, mas confesso que só cerveja, e mesmo assim era pouco acostumado.
Olhamos o menu atentamente e notamos que a bebida mais barata era uma vodca chamada Sputnik, pedimos uma dose cada um, e o primeiro gole foi horrível, porém no segundo a bebida não parecia ser tão ruim.
Havia outras bandas tocando, mas confesso que não estávamos interessados, estamos toda hora no bar tomando mais uma Sputnik, em certo momento eu já nem precisava mais pedir, pois o garçom já até sabia do que se tratava, sendo sincero em certo momento eu nem sequer conseguia mais falar o nome da vodca em questão.
O Sarcastic Smile entra em cena, e lá vamos nós para frente do palco, com mais uma meia dúzia de pessoas. O show era até animado, nada excepcional, mas eu me sentia em Londres agitando como se visse um dos primeiros shows da NWOBHM, os caras tocavam covers do King Diamond, Iron Maiden, Judas Priest, e nós na plateia delirávamos, principalmente por conta dos efeitos da bebida.
Em certo momento meus óculos escaparam enquanto eu agitava e foram parar no meio do palco, quase foram pisoteados, tive que subir lá e ficar e pegar de volta, por sorte não me veio a cabeça fazer um Stage Diving, pois o resultado teria sido desastroso. Segundo testemunhas me dizem até hoje que eu ficava batendo a cabeça no palco, mas sinceramente não me lembro disso, e também não me lembro de nenhum hematoma no dia seguinte.
O show terminou e tivemos que voltar para casa a pé, pois não havia mais transporte coletivo funcionando, não sem antes tomar mais uma dose de Sputnik e “queimar” o resto das fichas enchendo os bolsos de cerveja. Naquela noite ainda tive um diálogo patético quando chegamos próximo ao cemitério São Paulo, eu parei para mijar no muro e o Júnior me repreendeu dizendo que eu não devia fazer isso, discutimos por um instante e eu disse que estavam mortos e não ligariam, ele concordou comigo e não sei porque diabos resolveu jogar uma lata de cerveja dentro do cemitério, por coincidência a lata acabou rebatendo em alguma coisa e caiu no meio rua. Por conta desse fato passamos o resto do caminho discutindo se havia ou não um campo magnético que protegia o cemitério, coisas de bêbado.
O complicado foi trabalhar no dia seguinte com uma ressaca monstro, transpirando como uma panela de pressão e sentindo o gosto da Sputnik na boca. Mas uma coisa é real eu ainda hoje fico pensando aonde aquela lata rebateu, será que foi mesmo em algum campo magnético?

















Pantera – Olympia, São Paulo 25/04/1995.
Esse foi sem dúvida um dos shows mais insanos da minha vida, eu era moleque ainda e o Pantera estava no auge de popularidade aqui, tanto que foram marcadas duas noites de shows para o Olympia, uma na segunda feira e a outra na terça, escolhi ir no último dia.
Eu estudava a noite nessa época já, e várias pessoas da escola iriam nesse show, tanto que na segunda, não se falava em outra coisa nos corredores (bem isso lógico, somente aquela minoria que gostava de Metal).
No dia do show fui trabalhar normalmente, era office boy na época, e na rua fiquei sabendo que houve um incidente na casa de shows na noite anterior, algo foi arremessado ao palco e feriu o vocalista Phil Anselmo, fiquei preocupado com um possível cancelamento que felizmente não aconteceu.
Sai do serviço e fui direto ao Olympia, parando só para comer alguma coisa, cheguei lá e a fila era enorme, dava volta no quarteirão já, por sorte encontrei meus amigos Leo, Alexandre, e Zé, e talvez mais alguém que não consiga me recordar, enfim tinha bastante gente, e já estavam todos bêbados, principalmente o Zé, que já não dizia nada com nada.
Os portões se abrem e em poucos minutos estávamos todos dentro do Olympia, o público estava insano aquele, antes de começar o show eram tocadas músicas no sistema de som, como Megadeth, Metallica, Led Zeppelin, e o pessoal agitava sem parar mesmo nesses sons mecânicos.
  O Zé estava muito mal, se escorava em mim, e fiquei com receito que ele vomitasse enquanto fazia isso, sugeri ir ao banheiro, mas o cara do nada começa a mijar ali na pista mesmo, pelo menos nos avisou para que pudéssemos ir para bem longe, foi engraçado, mas fiquei o show todo evitando chegar perto do cara e não tomar uma vomitada de graça.
 Quando as luzes se apagaram a histeria tomou conta do local, a banda entre no palco ao som de “Strenght Beyond Strenght” e logo o Olympia inteiro se transforma em um circle pit insano, era incrível, mas em alguns momentos estava na grande, em outros perto da saída, era impossível permanecer em um lugar só.
 O show segue com “5 Minutes Alone”, “Hollow” e “ A New Level”, era impossível olhar muito para o palco por conta das luzes piscando, e o público continuava insano, com direito a várias pessoas caindo na poça de mijo do Zé, era engraçado, e a toda hora eu evitava ficar naquele local da pista.
Nem durante a semi balada “This Love” o público deu um descanso, ao contrário essa foi uma das músicas onde mais se agitou, e sem dúvida uma das melhores da noite. O som pesado, as luzes, a plateia tudo formava um clima especial, o calor era insuportável, e eu já transpirava bastante, nem dava mais para saber quem estava ao meu lado pois a movimentação era intensa.
Na execução de “Fucking Hostile” assisti várias pessoas caírem no chão, eu mesmo tomei uma pancada e quase perdi meus óculos, mas por sorte tive o reflexo de segurá-los antes de irem ao chão e serem pisoteados. 
A banda sai do palco e retorna com “Planet Caravan” cover do grande Black Sabbath, com Phil Anselmo cantando de joelhos, foi um descanso para a insanidade total da última música “Cowboys From Hell” que novamente incendiou a casa.
 Ao final era possível torcer as camisetas e perceber como estavam molhadas, voltei para casa com alguns hematomas e cansado, mas foi muito bom trabalhar no dia seguinte lembrando-me desse grande show.




Nasi & Os Irmãos Do Blues – Zabrienske bar, Santo André, algum sábado de 1995.
Às vezes você sai de casa meio que sem planos, mas acaba se deparando com uma grande apresentação como foi essa que ocorreu.
Eu e meu amigo Júnior costumávamos ir bastante para Santo André nos finais de semana, principalmente em um lugar chamado bar da tia, onde havia cerveja por um preço legal e ambiente animado, às vezes com música ao vivo.
Nesse dia descemos da estação e seguimos rumo ao bar de sempre, porém fomos surpreendidos, pois o local estava fechado, resolvemos circular um pouco pela cidade para encontrar outro lugar.
Fomos até o Lollapalooza bar, onde havia um telão que exibia vídeos de rock, ficamos lá um tempo, mas o local estava meio cheio, resolvemos então dar mais uma volta e comer alguma coisa também.
Paramos em um boteco para comer uns salgados e tomar uma cerveja, o tempo aquele dia estava meio estranho, e além do mais eu estava com um problema, pois usava um tênis novo que me apertava um calo, precisava de cada vez mais cerveja para “anestesiar” aquela dor. Era por volta das onze da noite quando o botequeiro disse que o local iria fechar, e apesar de agradável, tivemos que rumar para outro local.
Sem muitas opções, escolhemos voltar ao Lollapalooza, afinal mesmo cheio o local era legal e tocava boa música. Estava um martírio andar, os pés realmente doíam bastante, e no meio do caminho fomos surpreendidos por uma tempestade, corremos para encontrar um local para proteger da chuva e por acaso achamos um bar, que não conhecíamos e resolvemos entrar.
O local tinha um ambiente agradável com algumas mesas e um pequeno palco, estava totalmente vazio, sentamos na primeira mesa de frente para o palco, e ao pedirmos uma cerveja perguntei se o local estava fechando, o garçom disse que ao contrário, estava abrindo.
No som mecânico começava a tocar Rock, então decidimos ficar ali mesmo , pude tirar meu tênis e perceber o estrago que ele fazia, pedimos uma porção e ficamos conversando enquanto que mais uma meia dúzia de gatos pingados aparecia no local.
Uma coisa que me chamou atenção desde a chegada, foi uma máquina de Pinball do The Who que havia, não resisti e fui jogar um pouco, estava meio bêbado, mas até coloquei meu nome na lista dos records (me senti o verdadeiro Pinball Wizard), a máquina era bem legal e ficava tocando músicas da banda durante o jogo, pena nunca mais ter visto uma igual.
Continuávamos bebendo e conversando quando surgiu uma figura no bar, o Júnior virou para mim e perguntou: “Aquele não é o vocalista do Ira?”, olhei, e respondi: “Bem se não for parece muito”. De repente outras pessoas começaram a pintar no local com instrumentos musicais, ficamos animados, pois haveria um show para animar a noite.
A banda afinava os instrumentos, e ligava os amplificadores, quando o garçom colocou uma garrafa de Jack Daniel’s no palco, em alguns segundos Nasi aparece por lá pega o microfone, e sem cerimônias manda: “Boa noite Santo André, eu sou o Nasi, e esses são os irmãos do blues”. Porra, teríamos um show inesperado, em um lugar legal e na beira do palco, perfeito.
Em pouquíssimos minutos o bar lotou, e banda começou uma apresentação histórica, com Nasi entornando a garrafa sem gelo e a banda solta com vários solos inspirados do guitarrista, e do trombonista, grandes clássicos foram tocados como: “Meu Patuá”, “Gangster Do Amor” e “Amigo Da Onça”.
Como o local era pequeno havia interação total da plateia com a banda, me sentia em um daqueles pequenos bares de Chicago vendo uma lenda do blues, até a dor nos pés passou.
Após mais de duas horas a banda se despede, o bar esvaziou da mesma forma que encheu, tomamos mais uma cerveja e fomos rumo à estação de trem para voltar para casa.
Cerca de dois meses depois voltamos ao local para tentar assistir algum outro show, mas estava fechado, tentamos outras vezes e nada, certo tempo depois o local virou estacionamento, uma pena, mas por sorte pude viver aquela noite histórica, que confesso que se não estivesse lá e alguém me dissesse, provavelmente eu diria que era mentira.












Yngwie Malmsteen – Olympia, São Paulo 06/05/1998.
Essa era a primeira vez na minha vida que eu iria assistir a gravação de um álbum e vídeo ao vivo, então estava curioso para saber como as coisas funcionavam, seria um show normal? Ou haveria algum tipo de parada e repetição? Bem a melhor maneira era conferir e matar a curiosidade lá no local mesmo.
 Era a segunda vez que assistiria a banda de Malmsteen, portanto não iria ficar espantado com o peso dele como ocorreu na primeira, e sabia que seu jeito de tocar era divertido, e provavelmente iria exagerar até um pouco mais devido a gravação do vídeo( naquela época nem havia dvd).
Fui com meu irmão Manoel até o Olympia e nos deparamos com um local não muito lotado, creio que em sua primeira passagem havia mais gente, mas o legal é que o público presente estava bastante animado, e não era composto somente por guitarristas masturbadores.
O Dr. Sin abriu o show com uma apresentação competente, como é costume da banda, foi uma escolha perfeita, pois o som deles tem bastante a ver com o da banda do sueco, só não me lembro infelizmente do que tocaram, mas lembro que fizeram um show curto e eficiente que agradou o pessoal.
Um intervalo de preparação do palco e as luzes se apagam e começa a introdução, logo com direito a fogos de artifício Malmsteen e sua banda entram no palco com as novas e legais “Ressurection” e “Facing The Animal” essa cantada por quase todos os presentes.
 O público agitava bastante a cada movimento do guitarrista, e explodiu quando rolou a introdução de “Rising Force”, dessa vez o Olympia inteiro cantava junto a agitava bastante, deixando principalmente o vocalista Mats Léven bastante animado, o cara por sinal não era mau vocalista mas era meio paradão no palco, talvez até por ordem de Malsmteen que agitava e corria sem parar.
O show seguiu com “Bedroom Eyes” e novamente a casa veio abaixo com a instrumental clássica “Far Beyond The Sun” com sua melodia sendo cantada por todos os presentes. O show deu uma esfriada em seguida por conta da balada “Like An Angel” totalmente brega e da pouco conhecida “Braveheart”.
O público volta a se animar e cantar junto no clássico “Seventh Sign”, quanto então começa o solo do guitarrista naturalmente aplaudido por todos, o solo tem até momentos interessantes, apesar de ser bem longo, mas o mais legal é a performance até certo ponto caricata de Malsmsteen enquanto ele está sozinho no palco, alguns momentos soa até engraçada. A banda toca ainda “Never Die” e sai do palco.
O bis começa com o sueco ao violão, e assim que surgem as primeiras notas de “Black Star” novamente o público entra em êxtase, cantando a melodia e até partes do solo, no final “I’ll See The Light Tonight” encerra em grande estilo o show, com direito a muita pirotecnia, e todos voltando para casa bem felizes.













Savatage – Via Funchal, São Paulo 18/08/2001.
O Savatage é sem dúvida nenhuma uma das melhores bandas norte-americanas de Metal que já existiu difícil encontrar um álbum, ou mesmo música que seja meia boca, então nada mais natural que esperar um grande show para uma grande banda.
 A banda vinha a São Paulo promover o excelente álbum “Poets And Madmen” que contava com os vocais de Jon Oliva, porém para a tour quem cantaria seria um cara que eu não conhecia chamado Damond Jiniya.
Rumamos até o Via Funchal, eu o Fernando louco e o Boninha, estávamos a bordo do lendário fusca verde, e a expectativa era grande para esse show.
Estacionamos o carro em um estacionamento próximo e começamos a beber, e realmente bebemos bastante aquele dia, principalmente uma vodka de qualidade duvidosa, que nem me lembro de onde arrumamos.
Entramos na casa de shows, que estava lotada já bem animados, não me lembro se houve banda de abertura, se houve perdão, mas quando o Savatage surgiu no palco a recepção foi calorosa, e não demorou muito para todos pularem e cantarem ao som de “Commisar”.

O vocalista novo era uma figura meio estranha, era meio paradão no palco, e tinha um visual meio gótico, estranhamente na maioria das músicas dividia o vocal com Jon Oliva, como na clássica “Of Rage And War” que quase trouxe o local abaixo.
O set liste era perfeito, com várias músicas que eu não esperava, como “By The Grace Of Which” ou “Tonight He Grins Again”, a execução era sempre perfeita, e a participação do público insana, bons tempos em que o pessoal ia para o show somente com intuito de curtir, e não fotografar ou filmar a apresentação inteira, nem ficar conversando no celular, ou digitando mensagens.
 Os shows do Savatage eram famosos pela grandiosidade das músicas ao vivo, principalmente em “Chance” e “Morphine Child” com o coro de todos os integrantes isso ficava latente, levando o público ao delírio.
 No final “The Hall Of The Mountain King” lavou a alma de todos os presentes, o ponto negativo foi só ter visto Criss Caffery com a camisa do Corinthians, mas essas coisas acontecem, no final ainda fomos celebrar o show em outro bar, daqueles com uma luz vermelha na porta, hehe.


Krisiun, Ratos De Porão e Korzus – A1, São Paulo 07/02/2004.
É difícil haver shows de bandas nacionais com esse estrutura, então por conta disso resolvi ir nesse show, ainda mais por conta do Ratos De Porão uma banda que eu sempre quis ver ao vivo, mas acabei nunca tendo muita coragem de ir, agora era a chance que faltava.
Fui sozinho e cheguei ao local perto do horário de abertura da casa, que tinha uma fila na porta, por sorte não vi nenhum careca, eram eles que me impediam de assistir aos shows do Ratos pois sempre havia brigas entre eles e punks, mas ali a barra estava limpa, também não havia punks, o que seria uma boa.
Estranhamente a casa não abriu no horário, e a entrada foi bem demorada, quando consegui entrar o Korzus já estava no palco, fizeram um show bem legal apesar do local ainda estar vazio e com as pessoas entrando, no final do show a clássica “Agony”.
Com um intervalo curto era a vez do Ratos De Porão subir ao palco da casa já bem mais cheia, realmente não havia aparecido nenhum careca ou punk, então o show teria paz, e a banda entrou quebrando tudo, era clássico atrás de clássico, “Sofrer”, “Igreja Universal”, “Aids, Pop e Repressão”, “Crucificados Pelo Sistema”, a pista parecia um campo de batalha com todos agitando sem parar, inclusive aqueles com camisetas de bandas de Black Metal, após cerca de uma hora de massacre total a banda saiu do palco aplaudida por todos e sem nenhuma confusão, coisa tão comum em shows da banda.
Mais um intervalo e o Krisiun entra em cena, uma das melhores bandas nacionais, e porque não dizer mundiais dentro de sue estilo, e os caras entram com a veloz “Dawn Of Flagellation” fazendo todo o local sacudir.
“Murderer” era uma faixa nova aquele dia, mas foi muito bem recebida por todos, era incrível não reparar na velocidade com que os músicos tocavam, e a boa qualidade de som e estrutura da casa ajudavam para deixar o show mais legal ainda.
“Ethereal World” e “Soul Devourer” foram apresentadas na sequencia, e as rodas continuavam selvagens na pista, sem descanso a banda mandou o clássico “Vengeance's Revelation” cantado por quase todos os presentes.
Eu estava curioso para ouvir como soava “Ageless Venomous” ao vivo, e não me decepcionei, a música fica mais brutal e até mais rápida que sua versão de estúdio, após a pedrada o vocalista Alex anuncia o solo de bateria de Max, dizendo que se alguém duvidava do uso de bateria eletrônica por parte da banda, tiraria sua conclusão naquele momento, e o que se viu foi algo insano devido à velocidade extrema do batera, se alguém imaginava que o Krisiun usava bateria eletrônica tirou isso da cabeça naquele momento.
 “Wolfen Tyranny” veio antes da minha música favorita da banda, “Conquerors of Armageddon” faixa do álbum de mesmo nome, nem precisa dizer que ao vivo ela soa ainda melhor com seus riffs matadores e o público cantando junto no refrão.
 Foi uma surpresa para mim, terem incluído o cover do Venom, “In The League With Satan” no set, e a música soou muito bem, combinou totalmente com o estilo da banda, melhor ainda foi uma gostosa que apareceu naquele momento para agitar na minha frente, até tentei uma abordagem, mas ela acabou saindo fora.
  O show segue com  mais uma nova da época “Works Of Carnage” do álbum de mesmo nome, e o grande show termina com “Apocalyptic Victory” um clássico sem dúvida nenhuma, faltou atender o pedido do público e tocar “Black Force Domain” mas mesmo assim, e sendo curto o show bom bem legal.




Celso Blues Boy, Teatro Popular Do Sesi 01/07/2010.
Às vezes deixamos algumas lacunas na vida que é difícil explicar, eu, por exemplo, já fui a inúmeros shows de bandas de blues nacional, aliás vale ressaltar que o blues nacional é foda, mas nunca havia assistido a uma apresentação do grande mestre Celso Blues Boy, bem pintou a chance de corrigir esse erro no dia primeiro de julho. Uma semana antes fui assistir uma peça no teatro popular do Sesi com um amigo e aproveitei para comprar o ingresso para o show, pagando a quantia justa de cinco paus. Bem comprado o ingresso era só esperar chegar o dia do show, e como sempre abasteci meu mp3 player com sons do Celsão pra ir entrado no clima. Chega o dia, e após sair do trabalho ainda dá tempo de passar em casa, comer um pão tomar um banho e rumar para a Avenida Paulista, mas antes lógico uma parada estratégica no boteco para um conhacão, pena que estamos tendo um inverno quente de novo, que merda, nos fones lógico Celso Blues Boy. Cheguei ao local as sete e meia, o show estava marcado para as oito, e infelizmente me decepcionei com o público, naquele instante literalmente uma meia dúzia de pessoas aguardavam na porta do teatro, bem com muita ou pouca gente, foda-se lá estava eu e fiquei no meu cantinho quieto esperando a abertura do portão. Quinze minutos depois, o público era um pouco maior, porém ainda muito pequeno, escolhi uma poltrona no fundo do teatro, para não me encherem o saco, uma vez que o teatro do Sesi tem visibilidade de qualquer lugar. Poucos minutos antes de começar o público aumentou um pouco, mas não completou os 450 lugares da casa, infelizmente, do meu lado esquerdo um gordão e do direito um cara comendo salgadinhos fedidos, ou vocês acham que sentaria alguma modelo? Hehehe. O teatro do Sesi é um lugar legal já assisti algumas peças por lá e alguns shows, na maioria de blues, coisas maravilhosas como Magic Slim, Nuno Mindelis e Blues Etílicos, mas bem agora era hora de ver o Celsão. Pontualmente as oito a banda entra em cena, se colocam nos devidos lugares, até que o baixista anuncia a entrada do mestre, que por sinal entra detonando tudo com um som altíssimo e o clássico “Tempos Difíceis”, belo início. O show segue com outro clássico, dessa vez “Marginal”, que tem nos vocais da gravação de estúdio Cazuza, aqui substituído a altura pelo batera, que canta pra cacete. Vale lembrar que Celso Blues Boy acompanhou Cazuza e Raul Seixas em sua carreira. Então começa a parte mais blues do show, com “Onze Horas Da Manhã”. Durante a execução de “Damas Da Noite” me transporto para ainda desconhecida por mim Vila Mimosa, lugar que Celsão deve ter freqüentado para se inspirar e escrever versos como:“Homens perdidos procurando alguém, se esgueirando nas calçadas, alucinados por prazer, a noite chega, e elas vem, não se sabe de onde vem”, não teve como não se identificar cantar o refrão junto com o cara dos salgadinhos fedidos e ficar com vontade de descer para os CDMs da Consolação. Celso toca todos os solos com muita emoção e técnica, coisa que só anos de palco trazem, mas começo a me assustar quando chegam os primeiros acordes de “Fumando Na Escuridão”, grande clássico com uma letra que fala de solidão urbana, infelizmente era o anúncio que o fim estava próximo. Logo na introdução de “Amor Vazio”, fica a vontade de invadir o palco pra cantar junto o hino da solidão, puro blues “Em algum quarto escuro, ela deve estar, entre vinhos e rosas inebriada de prazer, e eu estou aqui enchendo o vazio, sentindo calor morrendo de frio” porra que falta faz uma dose de uiscão nessa hora, só essa já valeria a noite, mas ainda teve um bis com uma versão matadora do Hino Nacional na guitarra emendada com o maior dos clássicos, “Aumenta Que Isso Aí É Rock And Roll”, nem precisa dizer o local quase pega fogo na hora, maravilhoso. Tá bom foi curto só uma hora de duração, faltaram algumas coisas que queria ouvir como “Nuvens Negras Choram”, ou “Blues Motel”, mas valeu a pena, a única coisa ruim foi ter que voltar animado pra casa sem grana para antes visitar as Damas Da Noite, mas mesmo assim tá valendo.




Rush, São Paulo 08/10/2010.
Caramba se passaram oito anos e parece que foi ontem que eu fui até o estádio redondo para assistir o grande Rush.
Felizmente para os fãs e desespero de todos os “modernos” e “indies”, a banda voltou ao Brasil, cada dia melhor e mais produtiva, vide os últimos lançamentos de qualidade, hoje talvez o Rush seja a maior banda de Rock And Roll em atividade do planeta, pelo menos para mim é.
Como de costume dediquei um bom tempo para fazer aquecimento para o show, um mês antes já enchi meu mp3 player com músicas do trio e fiquei ouvindo direto aguardando o grande momento de poder conferir tudo ao vivo.
Comprei meu ingresso no primeiro dia de vendas, e dessa vez, diferente de 2002 reasolvi comprar a tal pista premium, mesmo não concordando muito com isso era o melhor meio de assistir ao show de um local mais próximo, pelo menos dessa vez não haviam cadeiras na pista.
Li várias resenhas em jornais e fóruns internacionais, e todos eram unânimes em dizer que a banda estava afiadíssima, coisa que realmente eu nem teria como duvidar, visto a qualidade dos últimos dvds lançados pela banda.
A notícia que agradou a todos era de que a banda tocaria o álbum “Moving Pictures” na íntegra, mesmo não sendo meu favorito adoro esse play, e seria a minha primeira oportunidade de conferir um álbum inteiro tocado na íntegra.
Depois de muita espera finalmente chegava o dia especial, eu já sabia que perderia uma prova na universidade, mas a vida é dura, e valeria a pena o zero para poder assistir ao grande trio canadense.
Durante toda a semana choveu bastante, a previsão era de chuva no dia, mas nem isso me tirava o entusiasmo, aliás, até achei que seria interessante assistir ao show na chuva, pois isso afastaria “turistas” do show, o que é sempre uma boa coisa.
No dia acabou não chovendo e a temperatura subiu bastante, foi até difícil me concentrar no serviço sabendo que mais tarde estaria diante de uma das minhas bandas favoritas, mas eu acabei fazendo tudo certinho como manda o script.
Saí do serviço e peguei o metrô desesperado até em casa, logicamente não deixei de escutar a banda um minuto sequer. Cheguei em casa onde meu irmão já estava aguardando, e fui tomar um banho rápido enquanto o Boninha não chegava, assim que chegou comi alguma coisa, enchi uma garrafinha de uísque e vesti minha camisa com estampa de cervejinhas, estava tudo pronto.
Pegamos o carro esperando por um trânsito infernal, que graças à astúcia do
Boninha em cortar o caminho acabou não acontecendo, durante o caminho escutávamos um pouco mais de Rush, e conversávamos sobre outros shows legais que havíamos assistido.
Chegamos a um hotel na região do estádio de onde sairiam umas vans com destino ao show, lógico que escolha do local foi infeliz, uma vez que é longe e não existe nem transporte público e nem vagas de estacionamento, mas o que se pode fazer? O jeito é esquecer tudo e curtir.
Ao chegar na porta do estádio, aproveitamos para tomar uma cerveja, já que ainda era cedo e faltava uma hora para o início do espetáculo.
Tomamos tranquilamente a cerveja e tiramos algumas fotos na entrada, para então sem fila e com tranquilidade entrarmos no recinto.
Uma vez lá dentro, reparei que o estádio não estava totalmente lotado como da outra vez, azar de quem não foi, e também é sempre melhor um local mais vazio para curtir o show, principalmente quando está cheio de reais fãs da banda, e não turistas que mal sabem o que fazem por ali.
Olhando em volta fiquei feliz em ver um público animado, felizmente outro festival em outra cidade havia atraído os turistas de show, e deixaram o estádio redondo repleto de reis fãs da banda.
Tomamos mais algumas cervejas, que eram vendidas em grande escala, por um preço até justo. Para desespero dos críticos o local não estava repleto de fãs “nerds”, mas sim roqueiros reais e animados, talvez os “nerds” estivessem todos no outro festival assistindo a bandas mais “modernas”.
Pontualmente as nove e meia as luzes do estádio se apagam, e começa a introdução do show que trazia um vídeo engraçadíssimo onde os integrantes da banda simulavam estar em uma salsicharia, muito bom.
A banda entre no palco já detonando com “Spirit Of The Radio”, com animação total de toda a plateia, começo simplesmente perfeito. Na sequência vem “Time Stands Still”, música maravilhosa com uma letra linda, confesso que foi difícil conter as lágrimas nesse momento, e já na segunda canção eu já havia perdido totalmente a voz.
Presto veio na sequência e foi um das grandes surpresas da turnê, onde o genial Alex Lifeson começou seu show particular de técnica e bom gosto, porra como toca esse cara!
Falando em tocar bem, o show agora ficava por conta de Geddy Lee, para mim o melhor baixista do mundo, com a pesada “Stick It Out”, que fez o público por vezes soar mais alto que os autofalantes do estádio.
Veio à cadenciada “Working Them Angels”, com imagens de um anjo no telão gigante do palco, aliás, falando em palco tudo era perfeito no show, o palco, iluminação, som, sem contar é lógico a grande qualidade técnica da banda, comentar isso é chover no molhado.
A instrumental “Leave That Thing Alone” fez todos viajarem, com direito a um show particular de Geddy Lee no baixo mais uma vez. Durante “Faithless” as cervejas começaram a dar efeito colateral então tive que ir ao banheiro e acabei somente escutando de lá a nova faixa “BU2B”.
Voltei a tempo de conferir “Freewill”, com um coro gigantesco do público, e a emocionante “Marathon”, com uma explosão legal durante a execução.
A última música da primeira parte do show foi a maravilhosa “Subdivisions”, poderia ficar o dia inteiro escrevendo de como a letra dessa música teve a ver comigo em certo momento, ou como a melodia é grandiosa, mas vou dizer somente uma coisinha, foi a melhor da primeira parte e uma das melhores músicas que já vi ao vivo na minha vida inteira, e olha que já vi show pra cacete.
Um breve intervalo, tempo para mais cervejas e mais banheiro, com direito a uma furada de fila fenomenal (não façam isso, só fiz porque além de ser imbecil iria acabar explodindo), e em poucos minutos mais um videozinho engraçado para introduzir a segunda parte do show.
“Tom Sawyer” veio com tudo, com macacos tocando instrumentos o telão e grande participação do público, que não deixou de agitar na maravilhosa “Red Barchetta”.
“YYZ” foi outro grande momento do show, com a plateia cantando a melodia principal da música para a alegria da banda, que não continha o sorriso e pulavam como crianças no palco.
“Limelight” trouxe mais emoção ao show, principalmente pelo solo maravilhoso de Lifesson, um dos melhores da história da música mundial em todos os tempos, sem exagero.
Uma das músicas mais esperadas por mim era “The Câmera Eye”, e a banda não decepcionou de forma alguma, fazendo desses dez minutos outro grande momento do show.
A macabra “Witch Hunt”, com fogo no palco e a viajante “Vital Signs” com todo estádio iluminado de luzes verdes encerraram a execução do clássico “Moving Pictures”, como prometido.
Só isso já estaria bom, mas tinha mais um pouco ainda, quando veio a nova e maravilhosa “Caravan” com todo seu peso e técnica, grande música.
Somente Neil Peart consegue fazer um solo de bateria como aquele, eu não sou fã desses solos, mas esse já valeria o ingresso, sem palavras, mesmo estando meio fora de forma o cara arrebenta.
Um pequeno solo de violão introduziu o clássico “Closer To The Heart”, cantada em uníssono pelo estádio inteiro mais uma vez e foram às luzes se apagarem e sons espaciais anunciarem 2112, para o estádio vir novamente abaixo, grande música onde deu para agitar bastante, por todo lado que eu olhasse somente via sorrisos estampados nos rostos de todos.
“Far Cry” encerrou em grande estilo mais essa parte do espetáculo, a banda então sai do palco por breves minutos e retorna com a instrumental “La Villa Strangiato”, sem dúvida a melhor do show, o modo como tocam essa complicada música chega mesmo a emocionar, mais uma que sozinha valeria o dobro do que paguei pelo caro ingresso.
No final “Working Man”, com direito a uma introdução reggae, e mais um videozinho bem legal, com muito bom humor no final, ne precisa dizer que voltei para casa feliz da vida, como acho que todos os presentes naquela noite mágica, espero que a banda não demore mais oito anos para voltar.


Halford, Carioca Clube, São Paulo 24/10/2010.
Por ter perdido o show do grande Judas Priest em 2008 fiquei totalmente na obrigação de assistir a essa apresentação que a banda Halford faria por aqui no domingo dia 24, por isso logo que pude comprei meu ingresso para conferir o grande show.
Confesso que fiquei surpreso quando foi anunciada essa apresentação, nem imaginava que a banda estaria na ativa, mas fiquei contente por saber que poderia ouvir sons que nunca imaginei ao vivo, como aqueles do clássico e maravilhoso álbum “Ressurection”.
Carreguei meu mp3 player com álbuns do Halford e o clássico “War Of Words” do Fight, na expectativa de que algum material dessa obra prima também fosse apresentado ao vivo, confesso que nem me importaria se a banda não tocasse nada do Judas, uma vez que as músicas do Halford e Fight são tão boas que já valeriam o show.
Chegou o domingão e lá vou eu para o Carioca Clube em Pinheiros, sozinho e com sede de Heavy Metal de grande qualidade.
Antes de ir até a casa de shows acabei me decepcionando com a goleada sofrida pelo Verdão diante do Corinthians (sim 1x0 contra eles é goleada), e quando cheguei na casa ainda fui obrigado a assistir um vt do jogo e sofrer com as piadinhas de todos, mas tudo bem, tudo se compensaria mais tarde.
Antes de entrar na casa de shows troquei o ticket pelo ingresso, de forma bem organizada (havia comprado pela internet), e fui a um boteco próximo para tomar uma dose de Gin, que por sinal estava muito bom, mesmo estando meio acima do preço.
Tomei o Gin e entrei no recinto, onde um pequeno público aguardava a apresentação, fiquei meio decepcionado, mas felizmente quando o horário foi chegando a casa se encheu, pena que o ar condicionado não funcionava bem, ou talvez nem funcionasse e o calor era sem dúvidas infernal para todos.
Com vinte minutos de atraso a banda sobe ao palco, e o começo do show foi uma das coisas mais legais que já vi, com o grande Metal God fazendo pose antes de iniciar o clássico “Ressurrection”, já emendada com “Made In Hell” para a alegria de todos os presentes.
Na sequência veio “Locked And Loaded”, uma das melhores músicas já feitas pelo cara, e com certeza uma das melhores do show, hora de agitar pra caramba e cantar alto o refrão.
Na sequência veio a obscura “Drop Out”, que confesso que não conhecia, e então a primeira do novo álbum da noite, “Made Of Metal”, que ficou bem legal ao vivo e foi um dos destaques do show.
“Undisputed” foi outra música legal do novo álbum da banda que contou com boa participação do público, mas a casa quase veio abaixo mesmo com “Nailed To The Gun”, classicão do Fight, que infelizmente foi a única da banda apresentada naquele show, mas valeu a pena.
“Golgotha” com seu peso trouxe mais agitação ao Carioca Clube a foi a única faixa do bom álbum “Crucible” apresentada.
Na seqüência a melódica “Fire And Ice”, abaixou um pouco os ânimos, que voltaram a incendiar-se quando o Metal God anunciou “The Green Manalishi”, música do Fleetwood Mac, regravada pelo Judas Priest.
Veio então “Diamonds And Rust”, com uma interpretação maravilhosa, que me fez lembrar o grande Unleashed In the East, um dos álbuns que mais gosto de Heavy Metal.
Por falar em gosto pessoal um dos meus favoritos do Judas é sem dúvida o “Defenders Of Faith”, e foi maravilhoso ver o Halford detonando em “Jawbreaker” com grande participação da plateia.
A banda, que é muito competente por sinal e agitava sem parar tocou então mais duas faixas novas, “Like There’s No Tomorrow” e “Thunder And Lighting”, que acabaram esfriando um pouco a audiência, depois do êxtase com os três clássicos seguidos.
“Cyberworld” trouxe de volta a agitação, em uma performance maravilhosa, acabou sendo outro grande destaque da noite, a banda sai do palco e em poucos minutos volta para bis.
Halford ressurge com uma bandeira do Brasil nas costas, meio clichê, porém uma homenagem sincera, e mais sincero ainda foi vê-lo pegando uma camiseta do mestre Dio no público e mostrando a todos, a casa veio abaixo em um grande momento da noite.
Para encerrar mais uma faixa do Judas dessa vez “Heart Of A Lion”, e “Saviour”, faixa que encerra o grande “Ressurection”.
Uma noite de puro Metal, feita por cinco caras que entendem da coisa, e um bom público que apesar do calor e dos que só fotografam o show inteiro se portou como uma boa plateia metálica, agitando e cantando as músicas.
Voltei para casa andando e ainda escutando Halford no mp3 player.





Anvil & Primal Fear - Carioca Clube, São Paulo 27/02/2011.
No princípio esse seria um show somente do Primal Fear, e confesso que não estava muito animado para assistir devido a outros shows que aconteceriam na cidade, esse ano temos vários shows e realmente falta grana para ir a todos, então é necessária uma pré-seleção mesmo.
Quando foi anunciado o Anvil não tive dúvidas, no dia seguinte comprei o ingresse, afinal já fazia bastante tempo que eu estava a fim de ver a banda ao vivo, e imaginei que seria meio difícil a vinda deles para cá, por infelizmente não serem uma banda tão popular, mas bem ingresso comprado era hora de esperar o show.
Eu até gosto do Primal Fear, principalmente em seus álbuns mais antigos, como o primeiro que para mim é perfeito e o “Nuclear Fire”, que merece uma audição sempre, mas a minha vontade aquele dia era mesmo de assistir o Anvil, mas poxa comprei um ingresso e ganhei dois shows, poderia acontecer mais vezes.
Chegou o dia, um domingão e lá estava eu todo animado, quando desaba uma chuva torrencial na cidade, fiquei preocupado inclusive com um possível cancelamento, uma vez que choveu demais mesmo a ponto de atrasar o jogo do verdão que aconteceria aquele dia. Aliás, minha programação foi para o saco, pois eu havia planejado sair após a partida, e tive que sair durante ela.
Eram seis da tarde quando a chuva deu uma diminuída, hora de ir embora, peguei meu tocador de arquivos digitais e coloquei na função rádio para continuar ouvindo a partida, que por sinal o Verdão perdia.
Peguei o ônibus vazio, e desci no Largo da Batata, próximo ao Carioca clube onde aconteceria o show, quando percebi algo que me deixou preocupado, várias ruas estavam sem energia elétrica, seria o show cancelado?
Cheguei a porta do Carioca e mais preocupação, o local ainda não estava aberto, e pelo horário já deveria estar, mas pelo menos havia energia, o que aliviava a situação.
Fiquei um tempo na fila escutando o jogo e tomando chuva, por sorte estava com uma capa velha, que antes de entrar até joguei no lixo. O Verdão continuava perdendo apesar de dominar o jogo, até quando saiu o gol de empate, marcado por Adriano Michael Jackson, eu deu um grito para comemorar que acabou assustando uns bolhas que estavam na minha frente na fila, e parecia combinado pois assim que a partida acabou os portões do Carioca foram abertos para nossa entrada.
Entrei no local que estava meio vazio e fiquei trocando ideia com um velha guarda, que estava levando os filhos para o show, fiquei feliz com a atitude dele, embora preocupado pois segundo ele havia deixado de pagar a pensão para comprar os ingressos, e nesse país sabe como é... Deixou pensão é cadeia, matar não, roubar não, mas deixar a pensão é cadeia, mas bem deixa isso pra lá, o legal é que o cara era gente fina.
Com um atraso as luzes finalmente se apagaram e as cortinas se abriram e lá estavam Glenn Five, Rob Reiner e a figuraça do Lips, que por sinal inicia o show indo para a frente do palco e falando dentro de sua Flying V , começava o massacre com a clássica “March Of The Crabs”.
Som com grande qualidade, plateia e bandas animadas e agitando bastante o show segue com outro clássico do álbum “Metal On Metal” (obra prima), dessa vez “666”.
Lips então visivelmente emocionado troca algumas palavras com a plateia e emenda “School Love”, fazendo o Carioca quase vir abaixo, era nítido como a banda curtia estar tocando ali, e nessa faixa todos agitaram demais.
Chega à vez de “Winged Assasins” do clássico “Forged In Fire”, e Lips dá suas famosas desafinadas, mas afinal quem se importa com isso? O cara agita bastante e toca e canta com amor, coisa qe devia acontecer com todos os músicos de todos os estilos musicais, aliás, ver Lips e o resto da banda tocando é entender o que significa o termo Heavy Metal, sem dúvida alguma.
“This is Thirteen” é mais lenta, mas mesmo assim não deixou a peteca cair, nessa música comecei a perceber como o baixista Glenn Five toca muito ao vivo, sem dar descanso os primeiro acordes de “Mothra” trazem novamente o Carioca Clube abaixo, durante a música o já conhecido e hilário solo de guitarra de Lips usando um vibrador como slide.
A sabbatica “Thumb Hang” foi justamente dedicada ao mestre Dio, e bem recebida pelo público que agitou bastante e cantou o refrão junto com a banda.
Uma grande surpresa para mim foi a banda ter colocado no set a instrumental “White Rhino” do álbum “Still Going Strong”, a música ficou bem legal ao vivo, servindo para Rob demonstrar toda sua técnica em um curto solo de bateria, antes da música Lips ainda fez umas graças ao trocar de guitarra, o cara é simplesmente o dono do palco e agita demais.
Chegou um dos momentos mais esperados por mim, quando Lips anunciou que seria tocada uma faixa de terceiro álbum da banda, era o momento de uma das melhores músicas já escritas na humanidade, “Forged In Fire”, simplesmente perdi a voz nesse momento cantando junto, só ela valeria todo o show.
A plateia estava em êxtase, bem pelo menos os fãs do Anvil, alguns fãs do Primal Fear ficavam quietos, outros agitavam, mas tudo corria em paz, exceto por alguns bêbados que ficavam xingando o Primal Fear, mas nada de mais grave.
O show segue com mais um clássico, dessa vez “Mad Dog”, que foi emendada com o hino máximo “Metal On Metal”, eu continuo achando que quem nunca ouviu essa música não sabe o que é Heavy Metal, e ouvir ao vivo é uma sensação sem igual, um grande final.
Pena que o show tenha sido bem curto, e eles tenham deixado vários álbuns de fora, como o “Pound For Pound”, mas tudo bem foi maravilhoso mesmo assim.
Poxa depois desse grande show, eu não sabia o que esperar do Primal Fear, seria difícil superar a performance do Anvil, mas como eu estava lá, o ideal era curtir mais essa grande banda.
Com um intervalo relativamente longo as luzes se apagam e começa a introdução curta, log lá estava o Primal Fear no palco com “Sign Of Fear”, ementada com as clássicas “Chainbreaker” a “Batalions Of Hate” do primeiro álbum, já fiquei bem animado com o começo.
Eu havia assistido o Primal Fear em 1999, e como a banda evoluiu, era outra no palco, bem mais segura e coesa, isso era nítido, pelo menos o começo do show me deixaria arrependido de não ter ido.
Os primeiros acordes de “Rollercoaster” trazem de novo a casa abaixo, grande música e grande participação do público, mais uma vez a banda estava bem animada com receptividade de todos, e agitava sem parar.
“Seven Seals” foi cantada em uníssono pela plateia e nela dá pra perceber como canta o Ralf Scheepers, e além de cantar muito interpreta a música e tem grande simpatia e presença de palco.
A veloz “Nuclear Fire” voltou a incendiar a audiência, que não parou também em “Six Times Dead (16.6)” uma faixa do bom último disco da banda.
O solo de bateria deu uma esfriada no público, apesar da grande técnica de Randy Black, mas assim que a banda voltou com “Blood On Your Hands” o local voltou a ficar animado.
A longa “Fighting The Darkness”, embora tenha agradado a vários fãs, deu novamente uma esfriada no show, foi o momento mais fraco, mesmo assim não pode ser considerado ruim, por sorte “Riding The Eagle” novamente fez todos agitarem.
O clássico “Final Embrace” anunciava que o show estava perto do fim, e banda sai do palco após que “Metal Is Forever”, que não teve tanto impacto tocada ao vivo quanto a versão de estúdio, mas mesmo assim foi muito bem recebida.
No bis “Angel In Black” e a clássica “Running With The Dust”, esse show que me surpreendeu bastante pela grande qualidade, valeu totalmente a pena ter ido, e pude assistir dois belos shows pelo preço de um, e ainda tive sorte de não estar mais chovendo na hora de ir embora, deu para pegar um ônibus sossegado e voltar para cara, para trabalhar no dia seguinte.











Iron Maiden - São Paulo 26/03/201.
Bem para ser sincero eu não curto muito shows em estádio não, principalmente esse estádio onde o Iron Maiden tocou, fica longe de casa e a plateia fica distante demais do palco, mas fazer o quê? Como fã da banda decidi ir assim mesmo.
Acabei demorando a comprar ingresso, e por isso não consegui a meia entrada para a pista premium, comprei a pista comum e já meio que condenado a não ver muita coisa.
Essa seria a primeira vez que assistiria ao Maiden após a tour em que tocaram somente clássicos (maravilhosa), então estava mesmo a fim de ouvir coisas novas, principalmente do álbum “A Matter Of Life And Death”, que é o meu favorito desde a volta de Bruce Dickinson, aos vocais da banda.
Como eu tinha morrido uma grana no show do Rush que aconteceu nesse mesmo local alguns meses atrás, com estacionamento e van até o local, decidi que dessa vez iria de transporte coletivo mesmo que para isso eu tivesse que voltar a pé para casa.
Uma semana antes do show fui até o estádio treinar o caminho, eram cerca de 10km, e fiz o percurso em duas horas, nada mal, daria para assistir o show e voltar a pé sem problemas.
No dia saí cedo de casa, queria assistir a abertura que seria o Cavalera's Conspiracy, seria a primeira vez que veria Max Cavalera ao vivo.
Coloquei algumas barras de cereal no bolso para a volta e fui até o ponto de ônibus, esperei cerca de dez minutos e lá estava eu mais uma vez a caminho do Iron Maiden. Dentro do coletivo pude conversar um pouco com algumas pessoas que iriam ao show eram de Salvador e estavam meio perdidas, mas quarenta e cinco minutos depois chegamos ao local sem maiores problemas, o trânsito até que estava sossegado, para a alegria de todos.
Despedi-me dos soteropolitanos que assistiriam ao show em outro setor e fui para minha fila, que felizmente estava vazia, mas eram tantas voltas em grades até chegar a entrada que acabei perdendo o começo do show do Cavalera's, quando entrei eles tocavam “Inflikted” de seu primeiro álbum.
O show seguia meio morno, por conta do público totalmente parado e de um som não tão potente, mesmo em clássicos do Sepultura como “Troops Of Doom” (a melhor do show) ou “Territory”, o público somente esboçou alguma reação na última música do show “Roots Bloody Roots”, uma pena pois eu esperava um pouco mais da banda, que tem dois álbuns bem legais, talvez em um show só deles seja diferente.
Eram nove horas em ponto quando bem baixinho começa a tocar nos PAs “Doctor, Doctor” som do grande UFO, era chegado o momento, e logo as luzes se apagaram e começou a interessante introdução de “Satellite15...The Final Frontier”, foi a deixa para o público começar a cantar cada nota, a animação seguiu em “El Dorado”, uma das melhores da noite e “2 Minutes To Midnight”, classicão sempre recebido com entusiasmo pelo público.
Porém a banda deu uma errada no set list dessa vez, “Talisman” é até uma música legal, mas deu uma esfriada legal no público que em sua maioria parecia não conhecer a música, a frieza continuou em “Coming Home”, uma pena, uma vez que o público é grande responsável por fazer o show decolar.
“Dance Of Death” apesar de muito bem executada e ter me agradado bastante, pareceu não animar os demais presentes, muito preferiam até ficar mandando mensagens no celular, eu me irritei profundamente quando vi um japonês no meu lado atualizando o twitter ( estou no show do Iron, escreveu ele) porra isso é hora?? Aliás meus “vizinhos” de show eram terríveis, eu tinha esse japonês do meu lado esquerdo, um gordão que ficava se apoiando em mim do lado direito e um cara que parecia um poste a minha frente, o cara não se movia para nada, nem mesmo nos clássicos demonstrou reação alguma.
Falando em clássicos parecia que era só isso mesmo que o público queria ouvir, uma vez que nos primeiro acordes de “The Trooper” o local veio abaixo, e continuou animado em “The Wicker Man”, pena que voltou ao marasmo durante “Blood Brothers” e “When The Wild Wind Blows”, que por sinal ficou bem legal ao vivo, mas é ruim assistir um show com um bando de zumbis ao seu lado.
Dessa vez nem mesmo uma das melhores músicas do Maiden conseguiu incendiar a plateia, “The Evil That Man Do” foi recebida com certa frieza, mudando somente em “Fear Or The Dark”, onde todos cantaram nota por nota. E para encerrar a primeira parte “Iron Maiden”, com direito a um Eddie gigante, o mais legal que eu já vi pelo menos.
Quando acabou essa primeira parte eu não acreditava no que via, um desânimo total, pessoas falando ao celular tirando foto, tuitando, mandando sms, porra é assim que elas se divertem em um concerto de Metal?
No bis a banda volta com “The Number Of The Beast”, felizmente bem recebida (como todo o show deveria ser), “Hallowed Be Thy Name” e o maravilhoso final com “Running Free”, que mais uma vez me fez lembrar a minha época de moleque, deu pra perder a voz nessa aí.
No final como acabou cedo, e acabei conseguindo um ônibus para voltar para casa, não sem antes passar no boteco e tomar umas cervejas.
O show foi legal, a banda é impecável no palco, mas poderia ter sido bem melhor, com uma maior participação do público, espero que não assista mais shows com tanta gente parada assim, juro que já assisti concertos de música clássica onde a plateia era bem mais animada. Pena também não ter escutado nada do “A Matter Of Life And Death”, fica para a próxima.











Virada Cultural, São Paulo 16 e 17/04 2011.
Vamos lá, se alguém não conhece a Virada Cultural é um evento anual realizado pela prefeitura da cidade de São Paulo, onde por vinte quatro horas vários atrações artísticas, principalmente musicais são oferecidas em palcos espalhados pela cidade( grande maioria no centro) gratuitamente para a população. Grande iniciativa com vários pontos positivos e alguns negativos, mas no geral um evento legal de presenciar.
Bem eu poderia começar esse texto escrevendo sobre quem não apareceu no local combinado comigo, e no horário combinado, mas deixa isso para lá, iria desviar os texto para outro lado e somente irritar o leitor, pelo menos das pessoas que combinaram uma apareceu, o Jefferson.
Eu já saí de casa com um planejamento, esse tipo de evento é melhor aproveitado dessa maneira, como são várias atrações ocorrendo ao mesmo tempo, você corre o risco de ficar andando de um lado para o outro e não assistir nada.
Chegamos na Praça Júlio Prestes pouco antes das vinte e duas horas, onde aconteceria a apresentação da Irmandade Do Blues junto com Lary MacCray.
Pontualmente a banda sobe ao palco, com um ótimo som e iluminação e um telão bem legal que fazia mesmo que estava longe do palco assistir sem problemas, ponto positivo para a organização. A banda competentíssima, com figuras carimbadas do Blues/Rock nacional entrou jogando para galera , com clássicos como “Rock And Roll”, “Highway 49”, “Mercedez Benz” e “Boom Boom” do mestre John Lee Hooker, bem azar de quem não compareceu, mas esse começo já valeu a ida ao evento.
Após essas músicas entre em cena o convidado Larry MacCray, que na aparência física lembra bastante o Tim Maia, mas no estilo de tocar nos remete à mestres como BB King e Albert King, além de em alguns momentos soar como o Blues moderno de Robert Cray.
Com solos inspirados repletos de feeling MacCray mandou ver em clássicos como “Blues Is My Bussines” e “Soul Shine”, agradando a grande maioria dos presentes, no final “I Got The Blues” fechou com chave de ouro a grande apresentação.
Hora de me dirigir ao palco da Estação Da Luz, bem próximo, mas sem antes me hidratar com um isotônico, afinal estava calor demais e além do mais eu já havia tomado várias doses de gin, que me fizeram perder um pouco de líquido, hidratado lá estava eu pronto para assistir ao Sepultura uma das minhas bandas favoritas com a Orquestra Experimental De Repertório, simplesmente não sabia o que imaginar.
Chegando ao local reparei que esse palco não tinha telão, dessa vez ponto negativo para a produção, uma vez que eu também estava bem longe do palco, e lá o som também não tinha a mesma potência, felizmente isso acabou interferindo pouco na diversão.
Mais uma vez pontualmente a orquestra entra em cena com uma introdução do mestre dos mestres Richard Wagner, pai do Heavy Metal, “Die Meistersinger Von Nürnberg act 1”, seguida pela aguardada “Valtio”, que soou bem diferente da versão original mas mesmo assim muito interessante.
Nesse momento somente entre o Sepultura no palco, já detonando com “Inquisition Symphony”, confesso que fiquei emocionado, pois nunca imaginei ouvir essa música ao vivo, ainda mais assim acompanhada por uma competente orquestra.
Uma introdução de cello deu as boas vindas ao clássico “Refuse/Resist”, muito bem recebida pelo público, que pena pareceu não reconhecer “City of Dis”, e principalmente “The Ways Of Faith”, do subestimado e para mim maravilhoso álbum “Nation”, essa era outra que nunca imaginava conferir ao vivo, mas que já valeria a ida ao concerto.
“Kaiowas” voltou a agitar o público, sendo em minha opinião a melhor da noite, e a orquestra encaixou direitinho, na sequência a esperada “Ludwig Van”, que também animou a plateia por conter trechos da obra de Beethoven.
No encerramento “Roots Blood Roots” foi como sempre bem recebida pelo público que agitou bastante, e para encerrar a infelizmente curta apresentação a banda tocou novamente “Refuse/Resist”, ficou um gosto de quero mais, mas a apresentação foi certeira.
Depois do Sepultura o Jefferson resolveu ir embora e fui sozinho assistir ao Misfits, cheguei meio hora antes Praça Júlio Prestes e pude perceber que o local estava bem lotado agora, diferente do show da Irmandade.
O clima deu uma esfriada, pois quem foi passar o som do microfone foi o próprio Jerry Only, não tinham um roadie para isso?
Bem, antes do show foi legal ver o Zé Do Caixão sobrevoando o público em um caixão suspenso por cabos de aço, no mínimo inesperado.
Mais um vez pontualmente as duas da manhã o Misfits entram no palco. Um dos pontos fortes da banda sempre foi o visual, porém pareciam estar relaxados quando a isso, e logo era notado que Dez Cadena não combina em nada com a banda, e sinceramente Jerry Only é só um quebra galho como vocalista, deixando muito a desejar, principalmente nas músicas mais antigas.
Tudo bem que o punk seja um estilo despojado, mas não sei se por conta do som embolado, ou pela voz de Only, mas parecia que a banda estava mal ensaiada, atropelando na execução das músicas, tanto que foi difícil reconhecer a abertura com “Halloween” e “Earth A.D”.
O público era um show a parte, com agitação sem limites, incluindo invasões de palco e pessoas subindo nas estruturas laterais do palco, e também em um “globo da morte” localizado na praça, e o mais legal era ver que na plateia existiam vários fãs reais da banda que cantavam todas as músicas, pena que no palco a coisa não andava muito bem.
Os vocais falhavam a todo o momento, e as músicas eram tocadas de forma atropelada, mesmo assim mesmo a banda deixando de fora algumas de minhas músicas favoritas como “London Dungeon”, “Hollywood Babylon” e “Last Caress”, o show teve bons momentos como “Horror Business”, “Teenagers From Mars” e a melhor de todas “Skulls”, que soou bem legal ao vivo, no final “Die, Die, My Darling” encerrou de forma meio atropelada a apresentação.
Hora de ir para casa, mas antes tomar uma cervejinha no bar, e esperar que no ano que vem a organização do evento pense um pouquinho mais no Heavy Metal, colocando mais bandas do estilo na escalação do festival.


Accept - Carioca Clube, São Paulo 15/05/2011.
Primeiro preciso dizer que assistir ao Accept era um grande sonho que eu tinha, visto que essa é uma das bandas que eu curto a mais tempo, e nunca havia assistido um apresentação antes, então o show para mim estava envolto em grandes expectativas.
Quando fiquei sabendo que o Accept havia voltado à ativa sem o Udo nos vocais, confesso que fiquei meio temeroso, pois não sabia como soaria a banda. Assistindo a um programa de Heavy Metal pela internet pude conferir o clipe de “Teutonic Terror”, e tirei uma parte da dúvida, nas músicas novas estava tudo bem, uma vez que Mark Tornillo canta demais. Agora era saber como a banda soaria ao vivo, principalmente nas músicas antigas.
Debaixo de chuva fui até o Carioca Clube junto com meu irmão, chegamos ao local ainda vazio e no telão da casa estava mostrando alguns gols das finais do campeonatos estaduais, inclusive do Paulistão, onde o Santos foi bi-campeão sobre o Corinthians, fato que gerava bastante piadas entre todos os presentes, os não corinthianos lógico.
Resolveram trocar de canal, e por acaso em uma emissora estava passando um clipe do Rick Martin, desnecessário dizer qual foi a reação do público (vaias e gritos de bicha), mas isso deu uma descontraída na galera, pois o show estava começando a atrasar o horário marcado.
Quarenta minutos depois do horário, as luzes do Carioca se apagam, e uma breve introdução é a deixa para a entrada do Accept em cena, finalmente.
O começo não poderia ser melhor, “Teutonic Terror”, faixa do novo álbum, e para mim já uma das melhores escritas pela banda agitou o público, que não perdeu a empolgação em “Bucket Full Of Hate”, também do novo álbum, “Blood Of The Nations”.
“Starlight” deixou todos da velha guarda satisfeitos, e foi a prova de que Mark estava pronto para cantar os antigos clássicos, e falando neles a próxima foi a maravilhosa “Breaker”, que com perdão do trocadilho veio quebrando tudo.
“New World Comin'” com seu refrão fácil, mostrou que o “Blood Of The Nations” agradou a todos, aliás, diga-se de passagem é um puta álbum, bem acima das minhas expectativas.
A banda estava perfeita em cena, com todos agitando demais, e tocando muito, e o principal, com o público participando, como é legal ver um show onde as pessoas estão interessadas na música mesmo, não em fazer pose ou ficar mandando recadinhos, falando ao celular ou ficar atualizando redes sociais, isso pode ser feito depois do show, durante é só agitar, cantar junto, ou pelo menos curtir quieto na sua, mas o principal tem que ser sempre a música.
“Restless And Wild” foi uma das melhores da noite, tocada com garra, fez todos cantarem juntos seu maravilhoso refrão, só até aí já valeu o valor do ingresso. “Monsterman” também animou principalmente os da velha guarda, que agitavam sem parar, eu incluso aí.

Quando as primeiras notas de “Metal Heart” surgiram, foi difícil não conter a emoção, esse é uma daquelas músicas que deveriam ser patrimônio da humanidade, e além do mais é muito legal ver o público cantando o solo junto com a banda.
Uma grande surpresa foi a execução de “Amamos La Vida”, que serviu para dar uma descansada antes de outro clássico do álbum “Restless And Wild”, dessa vez “Neon Nights”, com direito a introdução que fez o chão tremer, aqui mais uma vez digo, a banda está afiadíssima e os caras tocas demais.
Eu imaginei que eles não fossem tocar “Bulletproof”, foi durante essa música semanas antes o guitarrista Herman Frank acabou caindo no palco, o que lhe rendeu infelizmente algumas costelas quebradas e um pulmão perfurado, felizmente ele já está se recuperando, mas a banda tocou a faixa do grande “Objection Overruled”, com direito até a duelo entre Peter e Wolf, grande momento do show.
Falando em grande momento a sequência seguinte com “Losers And Winners” e “Aiming High”, também não deixou ninguém parado, também para não agitar com esses clássicos, somente estando doente ou tendo algum sério problema. Clássica também é “Princess Of The Dawn”, executada de forma brilhante mais uma vez pela banda.
“Up To The Limit”, foi mais uma difícil de não se emocionar, e principalmente nessa faixa deu pra perceber como o Mark está entrosado na banda, cantando da sua maneira sem soar muito diferente da original, que traz a voz marcante e genial de Udo. Pra encerrar essa primeira parte, mais uma nova, “No Shelter”, que mais uma vez agradou a todos os presentes, hora de dar uma respirada.
Alguns poucos minutos se passaram quando os alto-falantes anunciaram com a clássica musiquinha alemã, o hino “Fast As Shark”, uma das melhores músicas já produzidas na humanidade, dessa vez com show do batera Stefan Schwarzmann, uma máquina de tocar, trouxe o Carioca mais uma vez abaixo.
“Pandemic” novamente mostrou a força do novo álbum, e foi muito bem recebida por todos, uma introdução perfeita para o hino máximo “Balls To The Wall”, música perfeita, que deveria ser ouvida por todos no mundo pelo menos uma vez na vida, e como é gratificante poder cantar junto o refrão grandioso desse clássico, um final perfeito para um show perfeito.
Valeu a pena esperar, e tomara que eles não demorem a voltar por aqui, um dos melhores shows dos últimos tempos, se dúvida nenhuma.














Imagens Do Brasil, Arte Trio - Theatro São Pedro, São Paulo 02/07/2011.
Já fazia algum tempo que eu não assistia alguma apresentação musical, desde o Accept, eu não via nada ao vivo, então veio bem a calhar ter ganhado um par de ingressos para a apresentação do Arte Trio no Theatro São Pedro.
Durante a semana, eu imaginei que estaria frio esse dia, coisa que infelizmente não aconteceu, em minha opinião, o frio combina mais com música erudita.
Chamei o ex-colega de faculdade Johnatan para ir comigo, uma vez que já havíamos assistido uma apresentação do gênero ano passado, ficou então marcado para as 19:00 horas no metro Marechal Deodoro, local próximo ao Theatro São Pedro.
Cheguei com um minuto de atraso (sim um minuto é atraso), e antes de entrarmos no teatro, fomos a um boteco tomar algo e conversar, visto que fazia tempo que não conversava com ele.
No boteco pedi um Steinhäger, que acabou fazendo com que meu calor aumentasse, mas tudo bem fazia um bom tempo também que não tomava essa especialidade alemã. Fiquei namorando os petiscos do boteco como uma calabresa, e um pedaço de pernil, mas preferi não comer nada antes de ver o recital, já havia comido dois pastéis em casa assistindo Náutico e Guarani pele televisão.
Chegando ao local logo percebi que estava vazio, realmente o público foi decepcionante, cerca de 30% da lotação da casa somente, mas acho que é pedir demais imaginar que em um sábado à noite, o local estivesse cheio.
Confesso que não sou muito conhecedor de música erudita, mas costumo ouvir as vezes em casa para relaxar, somente em casa, porque esse é um tipo de música que não funciona em tocadores de MP3 na rua, por conta da variações de intensidade das composições Mas realmente é legal assistir ao vivo, pois trata-se de uma música bastante visual também, se isso for possível.
Já em nossos lugares, o Arte Trio sobe ao palco com um pequeno atraso, tudo bem, foram só cinco minutos. O trio formado por um violinista, uma cellista( nem sei se essa palavra existe), e um pianista, que foi até o microfone anunciar o que seria apresentado naquela noite, no caso “Trio em si bemol maior opus 10” para piano, violino e violoncelo de A. Levy, e “Trio em fá sustenido menor” para os mesmos instrumentos de A. Nepomuceno, ambos compositores brasileiros, que devido a minha total ignorância nunca sequer havia ouvido falar.
A primeira parte começa, e logo de cara, uma boa sensação toma conta de mim, sim é legal assistir isso ao vivo, sentir a música tocada de forma natural, sem nenhum tipo de recurso eletrônico ou afim, por desconhecer totalmente a peça, cada nota era uma surpresa, e em poucos minutos os acordes finais eram tocados, sinalizando o início do intervalo.
Após a breve pausa, o trio volta ao palco, para segunda parte do concerto, dessa vez com a obra de Nepomuceno, que me pareceu bem melhor, visto que alternava tensão e suavidade, com grande destaque para o piano, muito bem colocado na composição, principalmente nas notas graves, realmente motivo para pesquisar um pouco mais sobre a obra do autor.
Por não conhecer muito de música erudita, e principalmente sobre essas peças, não posso entrar em detalhes sobre a performance técnica do trio, mas achei-os confiantes no palco, e o principal de tudo, me diverti assistindo às duas horas de recital que pareceram durar dez minutos.
No final ainda fomos para o supermercado próximo ao local que costumamos frequentar para uma rodada de salgadinhos com cerveja, um desfecho clássico para um concerto bem divertido.




Made In Brazil - Sesc Vila Mariana, São Paulo 13/07/2011.
No dia mundial do Rock nada como comemorar indo assistir ao show da primeira e uma das melhores bandas brasileiras, o Made In Brazil.
Quando fui comprar o ingresso, eles já estavam no final, então acabei pegando um lugar não muito perto do palco, mas tudo bem, porque o auditório do Sesc Vila Mariana é bem pequeno, e de qualquer lugar dá pra ver legal o show.
Saí do serviço no horário normal, cinco e meia e como o show só começaria ás oito e meia, resolvi comer algo antes. Parei no boteco e pedi um sanduíche de calabresa com uma cerveja isso me daria o sustento necessário para curtir o Rock de verdade do Made.
Como ainda estava cedo, desci duas estações antes do metrô para andar um pouco, fazia um tempo que não andava naquela região, além do mais é uma coisa que gosto bastante de fazer, andar pela cidade escutando música.
No caminho para o Sesc, percebi como o tempo passa rápido, a última vez que estive no local foi para ver o show do Trio Mocotó e isso já faz nove anos, também fazia um bom tempo que eu não assistia o Made ao vivo, creio que uns cinco ou seis anos, então era hora de tirar o atraso.
Cheguei cedo ao local, que tem uma arquitetura meio exótica, e fiquei sentado no pátio principal lendo um livro, só depois que subi para o local onde fica o auditório, local que tem uma sala de leitura com poltronas bem confortáveis por sinal, aliás as unidades do Sesc estão de parabéns, não só pelos bons shows oferecidos, como também pelo conforto das unidades.
Chegando perto do show, deu para notar como era variado o público, ia desde da molecada até uns tios do Rock, o que é bem legal, tinha até uma quantidade razoável de mulheres ( cerca de 20%) coisa que é difícil de acontecer em shows de bandas mais tradicionais como o Made.
Chega a hora de entrar no auditório do show, o local é bem confortável, mas por conta das cadeiras não é tão adequado à shows de Rock, mas tudo bem, pelo menos a visão e o show estavam perfeitos durante todo o espetáculo.
A banda sobe ao palco com um pequeno atraso e logo detonam “Uma Banda Made In Brazil”, que trás na sequência o clássico “Rock De São Paulo” tocada de uma forma mais cadenciada, mas sem perder a energia da música, estava aberta a celebração do Rock and Roll.
“Malvina's( O Pessoal Do Rock)” foi a primeira grande surpresa, e nela percebi como a nova formação funciona bem, principalmente por conta do teclado e do bom guitarrista Mateus “Alemão”
Canali, que toca com bastante feeling, a banda toda é muito competente e tem uma boa presença de palco, principalmente as animadas backing vocals: Roberta “Rock N' Roll”Abreu, Paula “Cinderela” Mota e M.C. Almeida Rego “Criss”, que agitam e dançam o show inteiro. Somente o grande Celso “Kim” Vecchione mantem uma postura totalmente estática e robótica no palco, mas isso é da sua personalidade, e o cara toca com precisão absoluta, além de ser uma das grandes lendas do Rock nacional.
“Todo Dia Rola Um Blues” foi a primeira do novo álbum, “Rock De Verdade” a ser apresentada, e foi muito bem recebida por todos os presentes, que cantaram junto o refrão, na sequência mais um clássico dessa vez “ Não Transo Mais” do álbum “Jack o Estripador”.
Falando em clássico, foi perfeita a execução de “Gasolina”, com a banda demonstrando que está soando mais pesada que nunca ao vivo, ajudada pela boa equalização dos técnicos, que deixou o som do baixo bem na cara, mostrando a competência do mestre Oswaldo “Rock” Vecchione, que além de tocar está cantando melhor que nunca, e agora recuperado da cirurgia que vez, volta a agitar bastante no palco.
“Tô a Tôa” foi executada com perfeição, seguida de mais uma surpresa “Treta De Rua” do álbum “Deus Salva...O Rock Alivia” tocada com muito peso, foi para mim a melhor do show, o que é difícil em meio a tantos clássicos.
O hino “Jack O Estripador” fez todo mundo cantar junto, nessa hora, realmente deu vontade de levantar da cadeira, e percebi que não era o único nessa condição, mas para não tumultuar foi melhor permanecer sentado mesmo, só agitando a cabeça, batendo o pé e cantando junto, falando em cantar junto a participação do público em Rock De Verdade, dedicada por Oswaldão aos pagodeiros, axezeiros e funkeiros, foi bem legal, com todos cantando junto e acompanhando com palmas o refrão, dessa que já é um novo clássico no repertório do Made, peso absurdo e um show do guitarrista Mateus “Alemão”.
Falando em clássico era a hora do maior deles, “Minha Vida É Rock and Roll” um dos maiores hinos já compostos em homenagem e esse estilo que tanto adoramos, espaço para a apresentação da banda e para o público mais uma vez cantar junto, no final ainda veio mais um clássico “Anjo Da Guarda” do primeiro álbum, que mais uma vez soou perfeita ao vivo em encerrou em grande estilo essa celebração Rock And Roll.
Somente achei o show meio curto, parece que passou em cinco minutos, mas mesmo assim teve o selo de qualidade do Made In Brazil, que é uma das maiores bandas desse país, infelizmente pouco reconhecida, deu para voltar para casa bem feliz.

Golpe De Estado - Sesc Ipiranga , São Paulo 16/07/2011.
Quando eu comprei o ingresso para esse show do Golpe, confesso que nem sabia que a banda havia mudado de formação, a última vez que havia assistido uma apresentação deles foi em 2007, e desde então não tive muita informação sobre o que se passava com a banda.
Essa então seria uma noite de primeiras vezes, a primeira vez que iria no Sesc Ipiranga, e a primeira vez que assistiria a nova formação do Golpe, então dei uma pesquisada no mapa e lá fui eu rumo ao Sesc para o show.
Na tarde daquele sábado, eu havia andado bastante pelo centro da cidade procurando uma coisa que precisava comprar, então estava meio cansado, mas mesmo assim nada de desanimar.
Saí de casa e fui rumo à estação de metrô aqui próxima, desci na estação Sacomã já sabendo que encararia dois quilômetros de caminhada, o que eu não esperava era que esse percurso fosse uma subida.
O tempo estava bem seco, o que tornava a subida pior, para completar começou a me doer as costas, a idade é mesmo implacável, por sorte encontrei um supermercado aberto no meio do caminho e pude me reidratar uma vez que por causa do tempo seco eu já estava com uma sede infernal.
Cheguei ao Sesc e fui verificar o ambiente, achei um local agradável, como costumam ser todas as unidades que conheço, e logo me joguei em uma poltrona na sala de leitura pois ainda faltava meia hora para o início do espetáculo.
Os portões foram abertos e logo estávamos todos acomodados, o teatro é bem confortável e pequeno, trazendo uma proximidade com a banda o que torna o clima bem legal, pena somente seria mais uma vez assistir a um show de Rock sentado, mas essas coisas acontecem.
A banda entra no palco e logo de cara percebo que Dino Rocker o novo vocalista é uma figuraça, com um visual bem Rock n' Roll, com direito a óculos escuros e tudo mais.
Todos em seus lugares, começa então o show com uma dobradinha do álbum “Quarto Golpe”, “Dias De Glória” e “Mal Social”, por esse começo já deu para perceber que a banda escolheu os caras certos, Dino canta muito e agita sem parar e o batera Roby Pontes segura bem as pontas com uma pegada que deixou as músicas até mais pesadas, ponto para a banda.
O show segue dessa vez com uma trinca do álbum “Nem Polícia Nem Bandido, “Filho De Deus”, “Velha Mistura” e o clássico “Paixão” cantada por todos os presentes, aliás a participação do público em todo o show foi bem legal, é sempre bom assistir uma apresentação onde a maioria é fã da banda e conhece todas as músicas.
Era hora de apresentar uma nova música, que não sei o nome, mas me pareceu bem legal, parece retomar os primeiros discos, o que é bem legal, visto que infelizmente não gostei muito do último álbum de estúdio da banda “Pra Poder”, que por sinal não teve nenhuma música tocada naquela noite.
“Todo Mundo Tem Um Lado Bicho” mostrou como a voz de Dino combina com a banda, e ficou mais rápida que a versão de estúdio, tocada com a já competência de um dos melhores guitarristas nacionais, Hélcio Aguirra.
Anunciada por Nélson Brito como a música ecológica da banda “Caso Sério” fez mais uma vez o público cantar junto, falando em Nélson, ele foi também o outro grande destaque do show, é um grande baixista que sempre é esquecido nas listas de melhores, mas toca muito, principalmente ao vivo, e tem um timbre clássico e pesado, que soa poderoso ao vivo.
Era a hora de “Zumbi” única do álbum de mesmo nome apresentada, que foi seguida por um solo de bateria onde Roby pode demonstrar que o grande Paulo Zinner não fará falta, as baquetas do Golpe estão em boas mãos.
Mais uma música nova foi apresentada, “Rock Star”, essa bem legal até mais que a primeira, e com Dino agitando demais como fez em todo o show, inclusive essa música parece ter agradado bastante a plateia. Na sequência mais duas antigas “Janis” e “Forçando a Barra”, que para mim foi uma das melhores da noite.
O show passava muito rápido, mas já chegava perto do fim, faltava porém algo do primeiro disco, e veio uma agradável surpresa, “Sem Ser Vulgar”, música que eu nunca tinha conferido ao vivo, no final o clássico “ Nem Polícia Nem Bandido” mais uma vez cantada em uníssono e a banda deixa o palco.
Com um breve intervalo os caras voltam com mais uma do “Quarto Golpe”, dessa vez a inesperada “Retorno” que soou muito bem ao vivo.
Nélson então pergunta o que o público queria ouvir, e atendendo aos pedidos a banda manda “Não É Hora” que teve um final improvisado, mostrando que não era uma música programada e sim um verdadeiro pedido do público, bem legal.
Soam então os primeiros acordes de “Noite De Balada” e finalmente o público levanta para mais uma vez cantar junto, ainda para minha agradável surpresa “Libertação Feminina”, uma das minhas favoritas da banda fechou a apresentação em grande estilo.
A dor nas costas tinha passado, e os dois quilômetros de volta para a estação pareceram bem mais curtos dessa vez, o melhor show do Golpe que eu já vi, a nova formação está aprovada.
Grave Digger - Carioca Clube, São Paulo 23/07/2011.
Bem finalmente eu pude assistir de novo uma apresentação do Grave Digger com a saúde em dia, explico no show da tour do álbum “Liberty or Death” eu estava me tratando de uma pneumonia, fui ao show com medo de morrer, mas estou vivo ainda, e outro show da banda fui com infecção no ouvido, e fiquei com medo de ficar surdo, mas também estou escutando bem ainda.
Falando em show da tour do “Liberty Or Death”, eu não curti muito aquele dia, o set list a a banda estavam meio burocráticos, então dessa vez fui assistir talvez esperando pelo pior, felizmente não foi o que aconteceu.
O show estava marcado para as sete da noite, bom horário, principalmente para quem depende de transporte coletivo, ou quer esticar depois do show, é apenas ruim para quem trabalha de sábado, o ideal seria as oito, mas tudo bem é bem melhor que aqueles shows marcados para três da madrugada.
Saí cedo de casa e fui andando até o Carioca Clube, mais ou menos uma hora e dez minutos de caminhada da minha casa, aproveitando para escutar no caminho Grave Digger lógico. Cheguei próximo ao local e estava tudo deserto, como faltavam poucos minutos para as sete, imaginei, devem estar todos lá dentro já.
Rapidamente entrei no local, e dei uma desanimada, estava vazio, bem isso é bom para curtir o show, mas ruim para uma futura visita da banda, mas a concorrência anda meio forte e os preços dos ingressos não são tão convidativos.
Mas tudo bem estava lá, e o show não começou as sete, foi começar cerca de quarenta minutos depois, com a casa ainda sem uma lotação ideal.
A introdução “Days Of Revenge”, começa a tocar nos auto falantes, quando surge a figura de HP “The Reaper” Katzenburg, tocando uma gaita de foles para delírio de todos os presentes, ele se dirige até o teclado e surge o restante da banda para “Paid In Blood” a primeira da noite.
Chris Boltendhal tem uma presença de palco marcante, e trajava um kilt escocês, depois disse que a primeira parte do show seria composta por material dos álbuns “Tunes Of War” e “The Clans Will Rise Again”.
Mantendo a empolgação veio “The Dark Of The Sun” e “Hammer Of Scots” ambas cantadas a pleno pulmões por todos os presentes, o legal dos shows do Grave Digger é que a grande maioria é fã e conhece todas as músicas, por conta disso nem é necessário backing vocals no palco, a tarefa é bem realizada pelo público.
O show seguiu com a rápida “Killing Time” e veio o primeiro grande momento da noite na execução de “Ballad Of Mary (Queen Of Scots)”, que mais uma vez contou com um coro, que por vezes soava mais alto que o vocal principal.
A nova “Highland Farewell” foi muito bem recebida, mas o teclado estava meio alto, coisa que depois foi contornada, aliás, diga-se de passagem, o show teve um som perfeito, volume, e equalização simplesmente perfeitos. Na sequência ais uma do “Tunes Of War”, dessa vez “The Bruce (The Lion King).
Fechando a primeira parte do show, o clássico “Rebellion (The Clans Are Marching)”, colocou novamente o Carioca inteiro para cantar.
A banda sai do palco, exceção a feita a HP que faz mais uma performance, dessa vez bem legal com direito a corda de forca e tudo mais, a banda volta tocando “The Ballad Of A Hagman” mais um grande destaque, essa música é perfeita para ser tocada ao vivo.
“Morgane Lefay” quase derruba a casa, era hora de todos agitarem nesse grande clássico, que mais uma vez teve uma execução perfeita, destaque para o novo guitarrista Axel Ritt, que está bem entrosado na banda e tem uma bela performance de palco, agitando a todo momento e se movimentando bastante.
O medley de “Twilight Of The Gods/Circle Of Witches/The Grave Dancer/Twilight Of The Gods” ficou legal, mas seria melhor tocar todas elas inteiras, mesmo assim foi uma surpresa agradável. Na sequencia uma bela introdução de teclado foi a deixa para “The Last Supper” uma grande música da nova fase da banda.
Mais um clássico, “Excalibur” agitou novamente a casa,e de novo o refrão cantado pelo público encobria a voz de Boltendahl, o mesmo acontecendo com “Knights Of The Cross” que fechou a primeira parte do show.
Um breve intervalo e a banda volta com “Yesterday” balada do primeiro álbum, com destaque para Axel detonando no solo. “Lionheart” novamente levantou o público, com seu riff bem legal, e refrão fácil, no encerramento “Valhalla” mais uma que é destaque da nova fase da banda.
As cortinas da casa foram fechadas, e no momento imaginei que estivessem tirado a banda do palco, visto de após o Grave Digger, haveria um show de pagode no local, a apreensão tomou conta do local, mas felizmente a banda retornou, dando tempo de encerrar com “The Round Table( Forever) e o hino “Heavy Metal Breakdown”, que mais uma vez fez com que todos os presentes agitassem e cantassem com bastante animação.
Não foi o melhor do show do Grave Digger que vi, achei uma pena terem esquecido os álbuns “Wicth Hunter”, “The Reaper”, “Symphony Of Death” “War Games” “Liberty Or Death” e “The Grave Digger”, mas por ter uma parte temática até que o set list não ficou ruim, quem sabe na próxima toquem algo desses álbuns, mas uma coisa eu garanto, o show rendeu quase duas horas de diversão e puro Heavy Metal, e no fim é o que vale.
Como acabou cedo, deu tempo de voltar tranquilamente para casa andando e ainda tomar uma cervejinha no supermercado próximo.









Wacken Open Air – Wacken, 04, 05 e 06/08/2011.
A primeira vez na vida que pensei em ir para o exterior foi no final de 2001, naquele tempo pensava seriamente em ir para a Alemanha assistir ao Wacken Open Air, que já era grande, mas não tão famoso como hoje em dia, no ano seguinte acabei indo para outro local, e o sonho de ir ao WOA começou a ficar meio distante por conta de alguns problemas, mas em nenhum momento eu desisti disso.
 Resolvidos os problemas dez anos depois, começo eu novamente a planejar minha ida até a Alemanha, e finalmente dessa vez as coisas andavam no caminho correto, eu finalmente iria visitar a Meca do Heavy Metal mundial, Wacken.
 Foram várias horas de pesquisas na internet obtendo informações sobre o festival, queria saber muitas coisas, mas cada vez mais minhas dúvidas aumentavam. Onde iria ficar? Quanto isso iria me custar? O que iria comer, ou beber, enfim eram muitas dúvidas que assolavam minha cabeça.
 Pensei em convidar alguém, tentei com uns amigos mais próximos, e infelizmente por várias razões não poderiam ir, até que decidi que iria sozinho mesmo, afinal se você ficar dependendo dos outros às vezes nunca conseguirá aquilo que quer, e no final das contas ir sozinho me daria a liberdade de fazer, o que quiser, como, e na hora que desejasse, não tive dúvidas, comprei meu ingresso, fiz a reserva no hotel e da passagem aérea, e foi só esperar o dia.
 A espera foi torturante, cada dia ficava mais ansioso, comecei somente a ouvir bandas que estariam no festival, e a cada nova banda anunciada cresciam minhas expectativas, eu estava prestes a ficar louco com tanta adrenalina. Quando recebi o envelope com o ingresso quase não consegui abrir, tremia as mãos, mas enfim, tinha meu passe para o paraíso.
 A princípio confesso que fiquei meio ansioso quanto a ficar no acampamento, preferiria ficar em um hotel, mas logo percebi que isso seria inviável, logística e financeiramente, então mesmo com receios comprei uma barraca de camping, que depois me arrependi pois paguei um preço maior do que custava na Alemanha, mas fazer o quê? Quando se faz algo existe o risco de quebrar a cara às vezes.
  Os dias se arrastavam tentava me conter, mas estava ansioso demais, era difícil me concentrar no trabalho, ou na faculdade, e dentro do metrô ou nas ruas enquanto ouvia meu tocador de músicas, eu ficava imaginando como seria ver todas aquelas bandas, viver aquela atmosfera, enfim, estava literalmente enlouquecendo, estava perto do paraíso e nem iria precisar morrer para isso.
 Todos os dias, procurava informações sobre o festival, alguns relatos, me animavam, outros me assustavam, comecei a fazer listas de tudo que podia dar errado, um típico comportamento neurótico, mas eu tinha a certeza, que mesmo que noventa por cento dos itens dessa lista ocorressem eu ainda assim estaria feliz de estar no Wacken.
 Certo dia em uma rede social da internet percebi, que lá havia um grupo de pessoas se organizando para o festival, comecei a participar das discussões, que eram somente de brasileiros, mas logo me decepcionei com algumas coisas, e resolvi sair dali, algumas ideias simplesmente não batiam com as minhas, e pensei comigo mesmo...Caramba, se é para ir ao exterior, eu tenho que interagir com os locais, e não ficar somente cercado por brasileiros, não seria a mesma coisa ficar em um “pedacinho do Brasil” no camping, logo resolvi que iria tentar a sorte em outro local.
 Em outra rede social, acabei achando outro grupo, dessa vez com pessoas de vários países, Alemanha, Síria, Finlândia, Dinamarca, Brasil, Chile, Austrália, Egito... Realmente um camping internacional, essa era a grande oportunidade.
 Passei a interagir no grupo, e percebi que a coisa era bem mais organizada, conversava com o pessoal e todos eram experientes no festival, me tranquilizei bastante quanto a isso, pois agora estava em um local amigável, reservado e com pessoas que já conheciam o festival e tudo envolvido, aos poucos minhas dúvidas foram ficando para trás, porém ainda assim a ansiedade só crescia dia após dia.
 Uma semana antes de embarcar eu já estava totalmente hipnotizado pelo espírito do festival, e faltaria pouco para finalmente eu estar na Alemanha, e na Meca de todos os fãs do estilo.
 Enfim chegou o dia do embarque, logicamente não dormi direito durante a noite, estava ansioso demais, e não podia mais esperar a hora de estar descendo do avião em terras germânicas.
 Meu amigo Boninha se ofereceu para me levar até o aeroporto, e no horário marcado apareceu em casa, como sempre ocorre a conversa até lá foi agradável relembrando principalmente tosqueiras que já havia acontecido com ambos, sempre nos encontros rolam essas histórias bizarras, algumas delas podem até ser conferidas nas páginas do livro.
 Cheguei ao aeroporto com alguma antecedência e a coisa já começa e dar errado pelo tamanho da fila para o check in, além de imensa a fila simplesmente não andava, e comecei e ficar preocupado quanto a perder o voo, ou mesmo minha conexão no dia seguinte, visto que primeiro iria de São Paulo até Paris, para somente depois ir até Hamburgo.
 Enquanto estava na fila encontrei um cara com uma camiseta do Wacken de outro ano, era óbvio que ele iria também para o festival e me aproximei para puxar conversa, seu nome era Eduardo, o incrível é que além de estar no mesmo voo que eu, ele estaria no mesmo acampamento e no mesmo ônibus que sairia de Hamburgo rumo à pequena cidade alemã do festival, mal sabia eu que o cara salvaria minha vida no festival, pois além de ser gente boa, acabou servindo como um guia para o novato e desesperado aqui.
 Check in feito, e na correria até o portão, pois o voo estava quase em cima da hora, acabei desencontrando com o Eduardo, imaginei que houvesse algum problema, pois realmente não o encontrei durante o voo, mas fiquei sabendo depois que ele deu sorte e foi transferido para a classe executiva, confesso que bateu inveja, mas eu estava indo para o paraíso então nada de lastimar.
 O voo foi longo e complicado, saímos com atraso de São Paulo, e durante todo o trajeto fiquei preocupado novamente em perder minha conexão. 
 Avião para quem é alto é sempre um tormento, não se está confortável em posição alguma, portanto dormir foi impossível, por sorte pelo menos ao meu lado estava um casal já com seus cinquenta e poucos anos, que foram bem simpáticos e comunicativos durante a viagem, tornando a coisa mais agradável, pena que a volta não foi tão interessante assim, pois fiquei do lado de um mudo. Outro fato que fez a viagem agradável foi a dona do assento a minha frente não ter deitado a poltrona, minhas pernas agradeceram muito, pena que novamente na volta não tive uma vizinha tão amigável assim, já que deitou sua poltrona e não levantou sequer na hora da refeição fazendo isso somente no pouso e decolagem, ser alto também tem algumas desvantagens.
 A chegada a Paris se aproximava, e lógico minha euforia e ansiedade cresciam, quando o avião tocou o solo minha vontade foi de sair correndo atropelando todo mundo, pois minha conexão partiria em somente quarenta e cinco minutos.
 Sai da aeronave e descobri que meu portão de embarque ficava do outro lado do aeroporto, que é gigante, apertei o passo e me dirigi a imigração, por sorte o funcionário sequer olhou para mim e somente carimbou meu passaporte, a emoção se misturava com a pressa, o maldito terminal não chegava nunca, e cada vez que olhava no relógio o tempo parecia voar, comecei a correr para não perder o voo.
 Finalmente cheguei ao terminal, suando demais e já cansado, ainda demorei até encontrar o portão, fiquei aliviado quando vi que apesar de faltar cinco minutos para o embarque a aeronave ainda estava lá, mas tive mais um obstáculo, o maldito detector de metais, fui obrigado a tirar os sapatos e até o cinto, as moedas pareciam não querer sair do bolso, mas finalmente lá estava eu no portão de embarque, com meu cinto na mão, sapatos desamarrados e transpirando mais que uma panela de pressão.
 Cheguei até a porta do avião ainda transpirando e pedi por um copo de água, tomei tranquilamente e fui procurar o meu lugar, que ficava bem perto da entrada da aeronave. Minha poltrona era na janela, mas quando cheguei lá havia um gordão já dormindo no assento com meu número, eu me sentei na poltrona do meio mesmo, porque percebi que acordar o cara ira ser complicado, visto que ele já estava até roncando, o voo foi bem tranquilo, tudo bem o gordão começou a babar e o biscoito da embalagem verde que me deram era uma das piores coisas que já comi na vida, mas tudo bem, pois eu já estava muito perto da terra dos sonhos, então nada me abalaria.
 Cheguei ao aeroporto de Hamburgo bem cansado, mas estava feliz, era emocionante ver tanta gente no local com camisetas de bandas, o saguão interno estava tomado por pessoas que iriam ao Wacken, naquele momento senti o impacto do festival, várias pessoas de várias etnias, em cada canto eu escutava um idioma diferente, tudo era simplesmente mágico.
 Porém nem tudo eram flores, fui até a esteira de bagagem e fiquei aguardando, várias malas passavam e nada da minha, o local ia ficando cada vez mais vazio, enquanto eu continuava esperando, até que após alguns minutos, um funcionário veio até o local e disse que a bagagem daquele voo já estava encerrada, minha mala não havia chegado.
 Não adiantava nada entrar em pânico naquele instante, fui até o guichê da companhia e pude colocar meu alemão em prática, fui muito bem atendido por uma mulher linda e muito simpática, que me disse que minha mala estava em Paris e chegaria no próximo voo, eu não precisaria me preocupar pois ele seria entregue em meu hotel.
 Fiquei preocupado, pois no dia seguinte pela manhã eu embarcaria para o Wacken, e na minha mochila havia somente o ingresso, meus documentos pessoais e o dinheiro, todo o resto estava na minha mala, cheguei ao hotel onde novamente uma mulher linda me atendeu, pedi para caso a mala fosse entregue eles me avisassem e caí em sono profundo.
 Acordei já eram quase sete da noite, fui até a recepção do hotel e nada da mala, resolvi ir até o aeroporto para tentar alguma informação, quando toca meu celular, era a companhia aérea dizendo que minha mala havia chegado e estaria sendo entregue no hotel em meia hora, fiquei aliviado e fui procurar um lugar para comer.
 Como não havia nada mais perto que o aeroporto para comer, resolvi esperar um pouco até a mala chegar. Quando novamente toca meu celular, os planos mudaram e eu deveria ir até o local e procurar a sala do “Zoll Kontrole”, algo como a alfândega, novamente fiquei preocupado, pensei comigo se houvera algum problema, mas rapidamente me dirigi ao local.
 Foi bem complicado achar a tal sala no aeroporto, após várias informações desencontradas, estava diante de uma porta fechada com um interfone, apertei o botão com receio e a porta se abriu, lá estava eu dentro da sala da polícia federal alemã, pronto para um possível interrogatório, mas como não devia nada não tinha medo, somente curiosidade sobre o que seria perguntado.
 Identifiquei-me e descrevi minha mala, logo uma oficial loira, linda e sorridente apareceu, e trazia em suas mãos aquilo que eu mais queria ver naquele momento, a minha tão amada mala com todos os meus pertences.
 Abri o cadeado, e com toda a educação do mundo a loira começou a revistar o conteúdo sempre pedindo licença a cada movimento, examinou um guia de viagens que lá estava e perguntou de onde eu vinha, após a resposta obtive um sorriso, e um elogio, dizendo que meu alemão era muito bom, embora não passe de um feijão com arroz básico.
 A loira continuava a verificar a mala, até que se deparou com algo e me fez a pergunta: “Isso é uma barraca de camping?” respondi que sim, e veio à nova pergunta; “Você está indo ao Wacken?” Novamente resposta afirmativa, ela então surpreendentemente fechou a mala, olhou para mim e disse com um sorriso: “Você devia ter dito antes, está tudo bem, bem vindo à Alemanha, e divirta-se”.
 Fiquei meio paralisado com aquilo, era uma situação meio irreal, mas percebi que não haveria qualquer tipo de preconceito por mim, ou qualquer pessoa que goste de Heavy Metal no país, me despedi da simpática agente, e fui procurar algo para comer antes de voltar ao hotel, eu estava mais aliviado e cada vez mais próximo da Meca.
 Comprei algumas coisas no supermercado do aeroporto e retornei ao hotel, comi bastante, tomei uma cerveja e fui dormir novamente, esperando pelo grande dia que estava por vir.
 Acordei cedo no dia seguinte, meu ônibus estava marcado para a dez e meia da manhã, um café bem reforçado uma ida ao banheiro e um banho e já estava preparado e ansioso para partir, tanto que cheguei bem antes do horário no aeroporto e fiquei aguardando o ônibus. 
  O ônibus finalmente chegou, o tempo estava nublado com ameaça de chuva, mas mesmo assim eu sentia sede, talvez de ansiedade, entrei no coletivo e somente lá dentro lembrei-me do Eduardo, onde estaria o cara? Segundo ele havia dito estava no mesmo ônibus, mas desde o aeroporto de São Paulo havia sumido.
 As pessoas iam subindo e um alemão sentou-se ao meu lado, quando de repente surge o Eduardo um pouco atrasado e senta-se próximo de onde eu estava.
 A viagem começa me sentia cada vez mais ansioso e pouco apreciava a beleza da paisagem, nesse momento pude perceber quanto a Alemanha é rural, coisa que eu nunca imaginaria, a viagem segue e era legal ouvir as histórias do Eduardo sobre os Wackens que ele havia estado, o cara já era veterano de guerra, curioso também era ter um alemão de blusa dentro do ônibus enquanto eu usava bermuda, e o cara ainda dizia que estava com frio, até perguntei se ele gostaria que eu desligasse o ar condicionado, como ele disse tudo bem, eu mantive ligado, pois estava com calor.
 O ônibus chega à cidade de Wacken e se dirige a porta do festival, naquele momento imaginei que iria enfartar, pois não me continha de emoção, quando o coletivo parou e todos gritaram Wacken, foi um dos momentos mais emocionantes de toda minha vida sem dúvida nenhuma, desci correndo e nem liguei para os pingos que começavam a cair, eu estava na Meca do Metal e poderia chover meteoritos que eu ainda estaria feliz, enfim a terra prometida. 
 Dirigi-me ao guichê de troca do ingresso e tremia enquanto a garota me colocava a pulseira que era agora o tíquete de entrada para o paraíso, assim que atravessei o portão foi como entrar em outro mundo, eu estava simplesmente besta, nunca havia visto nada parecido, aquelas pessoas de diferentes etnias, aquele alegria toda, era tudo como uma torre de babel unida por um único objetivo, o Metal.
 Cheguei até o local de meu camping e me apresentei para os que lá estavam, até ganhei uma cerveja de outro brasileiro, que infelizmente não me lembro do nome, mas vamos chamá-lo de Mineiro, já que vinha do estado de Minas Gerais, lá também conheci o Élisson um acreano que mora na Rússia e cursa medicina, ambos gente boa.
 Fomos então eu o Eduardo e o Mineiro até o camping dos brasileiros onde conheci o Fernando, que também me acompanhou em alguns shows que assisti, porém o camping estava meio confuso, pois o pessoal tentava armar uma tenda e aparentemente não conseguia.
 Eu ainda estava besta com tudo aquilo, e sequer havia visitado o local dos palcos, mas só de estar ali parecia já ser suficiente, fomos eu e o Eduardo até a cidade onde compramos algumas coisas no supermercado para comer, aliás, a cidade é muito legal também, tipicamente uma cidade interiorana alemã, com poucos e simpáticos habitantes, era tempo de experimentar o famoso Bratwurst e tomar mais uma cerveja alemã. Voltamos com alguns alimentos e água, e enfim chegava a hora de ir assistir aos shows, a ansiedade crescia ainda mais.
 Finalmente lá estava eu na área dos palcos, era tudo melhor até melhor do que eu poderia imaginar, organização exemplar, pessoas ordeiras, tudo funcionava bem. Por sugestão minha fomos ao palco “Bullhead City” onde iria haver o show do Onkel Tom, um show que eu sempre quis assistir, mas nunca havia tido a chance, e pontualmente as seis em quinze(aliás a pontualidade do Wacken é assustadora), a banda sobe ao palco, era mágico estar ali, demorou até um pouco para a ficha cair, eu estava maravilhado com tudo que confesso que até nem curti o show do modo que deveria, mas mesmo assim a sensação de ver todos cantando “In München Steht ein Hofbräuhaus” ou “Schnaps Das War Sein Letztes Wort” é simplesmente indescritível, enfim eu havia estreado um show no Wacken, e vivia um dos melhores momentos da minha vida.
 Rapidamente rumamos para o “True Metal Stage” que é o palco principal do Wacken, para assistir ao Helloween, já havia visto a banda algumas vezes, e o show começou tendo problema na primeira música “Are You Metal”, os problemas foram solucionados, mas confesso que já vi a banda em dias melhores, mesmo o show não sendo ruim sei que a banda tem potencial para algo melhor.
 Ao lado esquerdo do “True Metal Stage” existe o “Black Stage” e foi lá que às oito e meia, ainda com sol, começou o show do Blind Guardian com “Sacred Worlds” música nova, mas mesmo assim muito bem recebida pelo público, que agitava e cantava sem parar, nesse momento percebi que era lenda aquela coisa que os europeus não agitam em shows, agitam e cantam bastante, não só os clássicos, mas também as músicas mais novas.
 O Blind Guardian fez o melhor show daquele dia, foi bem legal ouvir novamente ao vivo clássicos como “Welcome to Dying” “Lord Of The Rings” e o final com direito a show pirotécnico com “Mirror Mirror” um show que por si só já valia o festival, que estava só começando.
 Agora era o momento de assistir ao Headliner do festival, que no Wacken toca no primeiro dia, e a expectativa era gigante para depois de dezesseis anos rever um show do mestre Ozzy Osbourne.
 Nesse momento quase todos os presentes estavam reunidos para assistir a esse show, foi o único show do festival que tive que assistir de muito longe, e com certo desconforto, mas não havia do que reclamar, no horário marcado começa a introdução, a banda e Ozzy entram em cena com o clássico “I Don’t Know”, foi aí que a coisa começa a desandar.
 É triste dizer isso, mas o show não foi legal, o set list foi totalmente burocrático, ok cheio de clássicos, mas faltaram algumas surpresas, além do mais o show foi curto, e mesmo com uma banda ultra competente, Ozzy infelizmente desapontou. Visivelmente ele canta alguns tons abaixo do original, os andamentos das músicas estão mais lentos e as desafinações são constantes, uma pena ter visto a um dos meus ídolos dessa forma, mas espero que tenha sido somente nesse show, ainda creio que possa rever o Madman em um dia melhor, mesmo assim foi a grande decepção do festival para mim, era hora de dormir agora e esperar pelo dia seguinte, repleto de shows.
 Voltamos até o acampamento em meio a uma escuridão total, confesso que naquele momento eu jamais acharia o caminho sozinho, talvez nem mesmo durante o dia. Eu imaginei que teria dificuldades em dormir, mas não pensava que seria tão complicado assim.
 Deitei-me em minha barraca, ainda estava excitado com tudo aquilo, isso por si só dificultava o sono, mas havia o barulho, muitas pessoas usavam sons potentes de carros e ligavam luzes, esse foi um momento que me arrependi de ter ido para o camping, mas agora não havia nada a fazer, o jeito era tentar relaxar e dormir um pouco, pois o dia seguinte prometia muito.
 Virando de um lado para o outro na barraca era difícil achar uma posição, tudo era desconfortável, e começava também a esfriar, incrível como a temperatura caía mesmo no verão. Quando finalmente eu começava a cochilar veio a pior parte.
 Comecei a ouvir um barulho forte na barraca, quando olhei para o teto, percebi que caia água, bastante por sinal, a princípio pensei que fosse algum tipo de trote dos veteranos do festival, afinal eu era novato, seria um bom alvo de brincadeiras, não liguei, mas a água continuava, parecia uma mangueira, resolvi abrir a barraca e ver o que se passava, quando olhei não havia ninguém próximo, mas chovia muito, não era trote não é sim uma tempestade de verão.
 Fechei a barraca, mas notei que o estrago já estava feito, em volta das costuras tudo estava molhado, minha mochila, meu kit do Wacken, e até parte da comida, coloquei tudo no meio da barraca, pois somente os cantos estavam molhando e voltei a tentar dormir um pouco, mesmo com o barulho, e agora a humidade interna da barraca.
 Consegui dormir um pouco, mas acordei bem cedo, com a cara numa poça d’água, era cerca de oito da manhã, e com o sol pude notar o estrago que a chuva causara. Havia várias poças na minha barraca, que com a ajuda de um copo consegui secar um pouco, minhas roupas estavam molhadas, e quase perdi meu kit, e toda a comida, por sorte somente um doce teve perda total. Pendurei as roupas em cima da barraca para secar ao sol, me levantei e todas as barracas em volta estavam fechadas, todos dormiam, pensei em voltar a dormir, mas sabia que isso seria improvável, resolvi ir então até a tenda maior, que ficava no centro do acampamento e me sentar um pouco esperando alguém acordar.
 Fui até a tenda e notei que havia mais uma pessoa lá, ok, pelo menos teria com quem conversar. Quando cheguei me sentei à frente do cidadão, um cara loiro, de barba e cabelos compridos com uma camiseta do Manowar, fiquei um tempo olhando e nada de diálogo, resolvi então quebrar o gelo, me apresentei e ele fez o mesmo, seu nome era Juha e era finlandês, conversamos um pouco sobre os nossos países, mulheres e shows da noite anterior, quando ele me pergunta: “Já tomou café da manhã?” respondi que não, pois iria esperar meu amigo acordar, ele então perguntou se não o acompanhava, bem para não fazer desfeita, aceitei o convite.
 O cara me saca de uma sacola uma garrafa de hidromel e me oferece, tomei um gole e quando fui devolver, ele já tinha outra garrafa na mão, dessa vez de vodca finlandesa, não sei de onde, mas apareciam mais e mais garrafas, comecei a dar goles naquilo, algumas muito boas por sinal, mas percebi que se ficasse nesse ritmo ficaria ali estendido o resto do festival, só fiz uma pergunta, questionei se era comum ele beber assim pela manhã( enquanto eu dava um golinho na bebidas o cara dava um golão em cada garrafa) a resposta: “Sim esse é o nosso café da manhã escandinavo”.
Levantei-me e fui até o banheiro, somente com aqueles golinhos confesso que já estava meio bêbado, principalmente por não ter comido nada ainda. Quando voltei havia mais uma pessoa acordada, o Michael, um sírio que vive nos Emirados Árabes, ficamos conversando um tempo, dessa vez sem bebidas, até que os demais foram acordando, assim que o Eduardo acordou comemos uma pouco( aliás o chocolate alemão é muito bom) nisso o Mineiro apareceu, sempre estava com uma lata de cerveja em mãos, conversamos um pouco ali, e nos dirigimos até o acampamento brasileiro para encontrar o Fernando a começar mais uma etapa de shows, dessa vez muito mais longa.
 Descemos até a área dos palcos e pela primeira vez o “Party Stage” estava aberto, um palco um pouco menor que fica a direita no “True Metal Stage”, nesse momento o Mineiro resolveu ir até o “Black Stage” para assistir ao show do Eisiferum, resolvemos ficar por ali, pois quem tocaria era o Primal Fear.
 Tempo para um refrigerante, meio caro, mas servia para hidratar um pouco e me manter acordado, e ao meio dia o Primal Fear surge no palco com “Sign Of Fear”, o som estava perfeito e o público mais uma vez agitando muito, eu já havia visto eles em São Paulo no começo do ano junto com o Anvil, mesmo assim foi legal ver novamente, pena que deixaram de lado “Rollercoaster”, mas mesmo assim assistir “Metal Is Forerver” com os vocais perfeitos do Ralph Scheepers sempre vale a pena.
 Após o Primal Fear foi só andar alguns passos e aguardar o show do Suicidal Tendecies, uma banda que também fazia tempo que eu não assistia, legal ver como do nada começaram a aparecer vários fãs da banda trajados de maneira característica, só faltaram os skates, o show até foi bom, porém o Suicidal é uma banda que funciona melhor em um local pequeno, também deu para notar como o Robert Trujillo faz falta, após o Suicidal resolvemos dar uma volta pelo local, onde pude ver as lojinhas e gastar um pouco de dinheiro com discos e cds, o Wacken aliás parece um grande parques de diversões p\ara quem gosta de Heavy Metal, porque mesmo que você não assista os shows tem sempre algo divertido para fazer.
 Provei à ótima fogazza de uma das barracas de alimentação e ainda voltamos e tempo de assistir a duas músicas finais do show do Morbid Angel, que pareceu tem sido muito bom, pelo menos mais uma vez todos agitavam bastante. Novamente migramos de um palco a outro para assistir ao show do Sodom, essa é mais uma banda cujo show funciona melhor em um local menor, novamente o show não foi ruim, mas o público fica mais disperso, mesmo assim novamente notei como o pessoal curte o Sodom lá fora, inclusive as músicas mais novas, algumas das quais eu não conhecia.
 Antes de começar o show do Rhapsody Of Fire o sol começou a rachar, todas as nuvens foram de repente embora, e o verão finalmente apareceu, um casal se pegava na grama, enquanto que alguns alemães faziam umas brincadeiras idiotas entre eles, legal notar como o público é diverso, inclusive vi muitos fãs bem mais velhos, coisa que não ocorre muito por aqui, mas é sempre legal ver essa diversidade, sem contar que nunca vi tantas mulheres lindas em toda a minha vida, realmente ali é o paraíso.
 Os italianos entraram no palco, e confesso que estava meio cético quanto ao show, visto que não gosto dos últimos álbuns gravados por eles, porém fui positivamente surpreendido por um grande show, especialmente com músicas como “Holy Thunderforce” e “Emerald Sword”, durante essa dava até para ver o Mineiro acima do público praticando crowd surfing,aliás no festival adoram fazer isso a todo momento você alguém suspenso, mas voltando ao show, foi surpreendentemente bom.
 Após assistir a esse bom show fomos dar mais uma volta pela cidade, antes passamos pela vila viking onde assistimos um trecho do show do Reliquiae, não gosto muito desse tipo de música, mas até que combina com o lugar, na cidade conhecemos um alemão simpático que falava um pouco de português e sua esposa que era brasileira, também ganhei uma bíblia de alguns crentes locais, a bíblia é até bem legal, pois mistura entrevistas de músicos com trechos reais do novo testamento, serve de souvenir.
 Ao voltarmos ao festival aproveitamos para sentar um pouco no grama e assistir pelo telão ao show do Heaven Shall Burn, banda que tem bastante fãs na Alemanha, mas o mais curioso é o fato de ter um baterista palmeirense, mesmo sendo alemão, sem dúvida nenhuma bom gosto.
 Voltamos ao “True Metal Satege” dessa vez para assistir uma das minhas bandas favoritas o grande Judas Priest, e o show foi maravilhoso, o melhor do festival sem dúvida e um dos melhores de toda minha vida, o palco tinha uma superprodução e eram tocados clássicos atrás de clássico, era até difícil não se emocionar, o fato do show começar ao anoitecer, deixou as coisas com uma clima melhor ainda, em algumas músicas como “Night Crawler” e “Victim Of Changes” o público entrava em delírio, mesmo músicas um tanto esquecidas nos shows da banda tipo “Blood Red Skies” (a melhor) e “Never Satisfield” soaram maravilhosas e foram cantadas do começo ao fim por grande parte do público, nem é necessário dizer o que aconteceu em “Painkiller” “Breaking The Law” e “Living After Midnight” que encerrou as quase três horas desse show memorável.
 Após o êxtase do Judas Priest era hora de comer algo e me preparar para realizar outro sonho, dessa vez assistir Tom Warrior ao vivo, ok, não era o Hellhammer ou o Celtic Frost, mas sim o Triptykon, que traz no vocal e guitarra essa lenda vida e tem um show muito legal também.
 O palco era a visão do inferno com fogo por todos os cantos, até que surge a banda já com a clássica “Procreation Of The Wicked” em uma versão mais lenta e longa, aliás quase todo o set foi de músicas do Celtic Frost, tanto mais novas como “Synagoga Satanae”, quanto clássicos como “Circle Of Tyrants” e “Babylon Fell”, imagino que o Eduardo não tenha curtido muito, mas eu achei um dos melhores shows do festival.
 Já era quase uma da manhã quando o Airbourne subiu ao palco, a banda é energética demais, com direito ao vocalista escalar as laterais do palco e tocar lá em cima, legal também ver a recepção calorosa de músicas tão legais quanto “Cheap Wine and Cheaper Women” ou “Chewin' The Fat”, o show foi muito bom, mas eu estava realmente cansado, cada perna parecia que pesava uns cem quilos, estávamos pensando em assistir ao show do Apocalyptica, mas realmente preferimos voltar ao acampamento e dormir, ao sair da pista percebi como a temperatura havia caído, comemos um Bratwurst novamente, e no meio do caminho paramos em um mictório a céu aberto onde eu até fiz algumas piadas com um alemão e chegamos ao camping, dessa vez pelo menos eu consegui deitar na barraca e dormir bem, e sem chuva.
 Dessa vez eu realmente consegui dormir bem melhor, talvez até pelo cansaço, porém ainda acordei cedo, nesse dia não encontrei o Juha novamente, então não teve o café da manhã escandinavo, mas sim algo mais tradicional, também preciso dizer que o relaxante muscular oferecido pelo Eduardo foi muito bom, a idade vai chegando e essas coisinhas acabam cedo necessárias.
 Mais uma vez fiquei conversando com o pessoal antes que o Eduardo acordasse, novamente o Michael, dessa vez o assunto foi mais musical mesmo, juntou-se a nós o Ziad, um libanês que era uma figura ímpar, muito divertido por sinal. Após o Eduardo acordar fizemos como no dia anterior e fomos até o acampamento brasileiro para o encontro com o Fernando, dessa vez o Mineiro não apareceu, acabei não encontrando mais o cara durante o festival.
 Comemos algo e fomos comprar umas camisetas do festival, aproveitei e comprei outra camiseta no outlet, bem baratinha por sinal. Fomos então até o “Bullhead City” onde estava tocando o Girlschool, me surpreendi bastante com a qualidade do show, realmente não esperava que fosse tão legal, o show como de costume no festival contou com boa participação do público e teve clássicos como “C’mom Let’s Go” e “Racing With The Devil”, durante a apresentação o Eduardo e o Fernando resolveram sair para assistir o Crash Dïet, eu fiquei até o fim do Girlschool pois realmente estava valendo a pena.
 Quando acabou o Girlschool migrei até o “True Metal Stage” e pude encontrar novamente os dois e assistir ao final do show do Crash Dïet, banda que eu não conhecia, mas apesar do visual exagerado até que tem um som legal, engraçado foi ver que durante esse show começaram a aparecer várias pessoas com o visual glam, não sei onde estavam, mas todos apareceram lá naquele momento.
 Agora chegava o momento que tive maior dúvida em todo o festival, duas bandas legais tocariam ao mesmo tempo, o Torture Squad, e o Onslaught, ambas em palcos separados, optei pelo Onslaught por nunca ter assistido a banda ao vivo, o show estava selvagem, com thrash de primeira categoria, novamente o Eduardo e o Fernando não ficaram para assistir, somente viram uma música.
 Mesmo estando lá, eu ficava pensando em como estava o Torture Squad, então quando o Onslaught tocou “Metal Forces” eu decidi dar uma olhada no show dos compatriaotas, também estava bem interessante, porém vazio, mesmo assim encontrei bastante brasileiros e foi legal escutar “Raise Your Horns”, e “Pandemonium” por exemplo, foi também a primeira vez que entrei nos circle pits durante o festival, engraçado foi uma alemão que me oferecia alguns biscoitos a toda, acho que foi porque viu que eu era brasileiro, vai entender.
 Tínhamos marcado um ponto de encontro após o show do Onslaught, reencontrei os dois e fomos almoçar alguma coisa, aproveitamos e novamente fomos até o estande de Nuclear Blast para comprar algumas coisas, a tentação é realmente enorme.
 Foi meio difícil convencer os dois que não gostam de Black Metal a assistir ao Mayhem, eu tinha bastante expectativa por esse show, visto que seria a primeira vez que presenciaria os caras ao vivo.
 O local começava a lotar de fãs usando corpse paint, alguns eram muito engraçados para dizer a verdade. O show abre com “Pagan Fears” e vem a decepção, a banda estava burocrática, sem ao menos o visual característico, a performance também não foi das melhores, e estranhamente houve pouca participação do público pela primeira vez no festival, foi bom ter ouvido “Freezin’ Moon” porém a banda ficou devendo.
 Eu não sou fã de Iced Earht, então optei em sozinho ir assistir ao show do Shinning, banda norueguesa, que eu nada conhecia, mas fiquei curioso por conta da descrição do estilo deles, uma mistura de Metal com Jazz.
 O show começou e nunca havia visto tantos noruegueses juntos, dessa vez realmente não encontrei nenhum brasileiro a minha volta, o local estava vazio, o show foi no “Wet Stage”, um espaço coberto e menor, o show foi bem interessante, com um guitarrista que tocava sax em algumas músicas, o som é difícil descrever, algo pesado e caótico, mas ao mesmo tempo com melodia, ao final ainda tive tempo de assistir o fim do show do Iced Earth, e provavelmente para os fãs deve ter sido muito bom, pois a participação do público era realmente intensa, foi também o show de despedida do vocalista, que ficou visivelmente emocionado com as homenagens prestadas.
 Era hora de ir ao “Black Stage” conferir o Sepultura, eu sempre tive curiosidade para saber como era a recepção da banda no exterior, e pude perceber que ela tem muitos fãs entres os gringos já que vários desfilavam com sua camisa, ou patch.
 Nesse momento estava junto com o Eduardo somente, e um pouco distante do palco, visto que tinha bastante público. O início foi meio frio, mas o show engrenou, e todos agitavam sem parar, as músicas novas “Kairos”, “Relentless” e o vover do Ministry “Just One Fix” soaram perfeitas ao vivo, isso somado aos grandes clássicos como “Inner Self” e “Territory” fizeram desse show um dos melhores do festival, sem patriotismo barato. O mais surreal do show foi tentar explicar para um alemão que estava do meu lado o que significava “Ratamahatta”, eu expliquei o que era pipoca, Zé Do Caixão, Zumbi, Lampião, mas realmente o Ratamahatta não consegui explicar, o legal foi ver que o cara curtiu pra caramba o show também.
 Não sou muito fã do Avanthasia, acho a banda meio exagerada, mas sempre tive vontade de ver o Michael Kiske ao vivo, e essa seria grande oportunidade, então resolvi assistir a banda. O palco tinha um visual bem legal, e o começo do show foi legal, quando Kiske entrou o local quase veio abaixo, o público aplaudia e gritava intensamente, e o cara realmente canta muito, começou a chover nesse momento, mas ninguém ligava, todos curtiam o momento, assisti a duas canções com ele no vocal e resolvi dar uma olhada sozinho no show do Warrant, cheguei ao “Wet Stage” e pude acompanhar três músicas, e uma banda muito boa, interessante foi ver o mascote da banda no palco, um cara com gorro de carrasco e machado na mão, realmente essa é uma banda que precisa ser mais escutada, só não pode confundir com o Warrant norte americano que toca um Hard Rock/Glam, o som desse Warrant alemão é mais na linha do Metal tradicional. Anda tive tempo de ir ao banheiro, e assistir ao final do show do Avanthasia.
 Fazia um tempo que eu não assistia ao Kreator e seria bem legal assistir eles tocando “em casa”, e foi um puta show, performance insana e grande participação do público, um dos melhores do festival também, com um set list perfeito que passou por todas as fases da banda, e um visual de palco legal, em que o telão mudava a imagem a cada música, o som também estava perfeito, o único porém foi ter sido curto, somente uma hora, mas isso é comum no festival as bandas tem menos tempo para os shows mesmo, e a chuva começava a apertar nesse momento.
 Outra dúvida cruel me surgiu, assistir ao Motörhead, ou o Tokyo Blade? Optei pelo segundo, novamente pelo fato de nunca ter visto a banda, então junto com o Eduardo fomos ao “Wet Stage”, que mais uma vez estava vazio.
 Enquanto o palco era preparado, era possível ouvir o som do Motörhead vazando, estavam tocando “Stay Clean” naquele momento. O único atraso que vi no festival foi o Tokyo Blade, a banda entrou seis minutos atrasada, mês entrou com tudo mandando logo de cara o clássico “Night Of The Blade”, por estar vazio eu estava na grade, e só quem estava lá era fã mesmo, então o show foi muito bom, com o público agitando, interagindo e cantando em todas as músicas, dava para perceber a satisfação dos músicos que agitavam sem parar, mesmo o Eduardo que não conhecia a banda acabou gostando, e para mim foi o melhor show do terceiro dia, no encerramento a execução perfeita de “Lightning Strikes”, pena que novamente foi curto, ainda mais por conta do atraso, a banda teve que cortar parte do set. Ao sairmos do  “Wet Stage” ainda foi possível ver cerca de meia hora do sempre ótimo show do Motörhead, deu tempo para ouvir mais uma vez ao vivo clássicos, como “Going to Brazil”, “Killed By Death”, “Ace Of Spades”, “Bomber”, e “Overkill” que como sempre encerrou o show em grande estilo, mesmo com a chuva começando a apertar.
 O festival estava chegando ao fim, estava cansado e já começava a pintar uma certa tristeza de abandonar tudo aquilo, mas as coisas são assim e não dava para mudar muito, o jeito era aproveitar o que restava.
 Não gosto do Children Of Bodom, mas resolvi assistir a um trecho do show com o Eduardo, mesmo embaixo de uma chuva já forte, não mudei muito minha opinião sobre a banda, mesmo notando que são caras competentes no que fazem. Voltamos ao palco “Wet” que dessa vez estava bem cheio e com várias poças de lama, tudo estava sendo preparado para o show do Ghost, que estava curioso para conhecer. 
 A banda entra em cena com uma iluminação não tão clara, em alguns momentos azul, vermelha e verde, pouco que se via do palco a não ser o vocalista com sua roupa de Papa diabólico e os outros músicos com capuz no rosto, mas o som era muito bom, pena ter conhecido somente naquele momento, depois acabei ouvindo o cd e gostando bastante também.
 Voltamos ao acampamento em meio a uma chuva forte não sem antes comer novamente um belo Bratwurst, no camping ainda acompanhamos o pessoal fazendo umas brincadeiras imbecis de estourar lata na cabeça, mas era o momento de ir embora.
 Despedi-me do pessoal e fui esperar meu ônibus que saia às cinco e meia da manhã, com o local confuso e chuva forte acabei embarcando no ônibus das quatro e meia, e conheci o Alexandre, um português gente boa conhecedor de várias coisas do Brasil, quando cheguei ao hotel estava com capa de chuva que parecia um saco de lixo, cabelo todo desarrumado, sujo de lama e com sono terrível, porém em poucos momentos estive tão feliz, sonho realizado, sem dúvidas. Se você gosta de Metal e tiver condições vá ao Wacken, garanto que não irá se arrepender nem um pouco.






Rock Spektakel – Ratthausmarkt, Hamburgo 12/08/2011.
Estava em Hamburgo, pois havia viajado para assistir o Wacken Open Air na Alemanha, além é lógico de aproveitar para conhecer o país. Antes de embarcar lendo a programação cultural fiquei sabendo que haveria esse festival, na sexta, sábado e domingo, e que a entrada seria gratuita, como viajaria no sábado pude conferir alguns shows da sexta.
Primeiramente confesso que não conhecia nenhuma das bandas, de nenhum dos dias do festival, então iria totalmente as cegas mesmo, pois nem sequer tive tempo de dar uma procurada por nada.
Cheguei ao local por volta das dezenove e trinta, estava vazio, embora fosse de graça e em praça pública, e os técnicos estavam montando o palco para o que seria a próxima atração a banda [Soon].
Enquanto fui pegar uma cerveja e algo para comer, a banda entra em cena, com todos os integrantes vestindo preto, fiquei curioso para ver como soaria a banda ao vivo.
Aos primeiros acordes percebi que se tratava de um som meio moderno, e de cara não gostei, os músicos são até competentes, mas o vocalista é bem fraco, e tem uma postura de palco muito ruim, parecendo que se escondia em alguns momentos. Era muito mais interessante observar a linda arquitetura do prédio da prefeitura de Hamburgo, ou as lindas alemãs que estavam por perto do que o palco, o som da banda era bem fraco, como se fosse um Linkin Park com algumas pitadas de gótico e solos de guitarra.
O público parecia também não ligar muito para os músicos, a assistia o show passivamente, tomando cerveja, conversando ou posando para fotos em frente a prefeitura, realmente não era só eu que não estava gostando. Para dizer que foi tudo péssimo, a segunda música do show, que não sei o nome, foi até legal, tinha um pouco de peso, e pouca coisa de modernidade ou indie, mas infelizmente a animação terminou na próxima faixa e nas outras que vieram a seguir.
Quando o [Soon] saiu do palco o local começou a encher, apareciam figuras góticas por todos os lados, o que era interessante, pois começava a escurecer em Hamburgo, enquanto havia a montagem fui pegar outra cerveja, e fiquei curioso para ver como seria o Mono Inc. Headliner da noite, e que parecia que contava com bastante fãs presentes no local.
Cerca de dez minutos de espera, e as luzes se apagam anunciando a entrada da banda no palco. A animação já era outra com pessoas indo para próximo do palco e vibrando com a entrada dos músicos, principalmente o vocalista, um cara com um cabelo estilo moicano.
O som era aquele típico Gótico eletrônico, bem comum na Alemanha, mas em algumas passagens lembrava algo mais tradicional como Lacrimosa, confesso que era até interessante.
Várias músicas eram cantadas pela plateia, e a performance dos músicos era muito boa com destaque para a baterista e o vocalista, que agitavam bastante, mesmo as partes eletrônicas por não serem exageradas, davam um tempero para as músicas sem deixá-las chatas, uma banda interessante que vou procurar ouvir um pouco mais.
Um evento bem organizado, e pontual, que mesmo sem que eu conhecesse as bandas valeu pela atmosfera do lugar, e a ótima cerveja, que como dizia a propaganda do festival, era ela quem pagava as bandas, e pelo que vi do consumo dos alemães, as bandas foram pagas em dia. O show do Mono Inc. Também foi interessante.







Destruction - Carioca Clube, São Paulo 27/08/2011.
Esse show estava marcado para abril, exatamente no dia do meu aniversário, mas acabou sendo transferido para agosto, como eu já havia comprado o ingresso era só esperar o dia.
Bem, era o primeiro show que eu iria assistir aqui depois do Wacken Open Air, e confesso que minha expectativa não era das maiores, visto que vi shows maravilhosos no festival, mas por sorte acabei me enganando e visto um grande show naquela noite no Carioca Clube.
Durante o sábado fez sol o dia inteiro, o que anunciava que teríamos calor no local, por conta do clima e também da banda e seus fãs, que costumam agitar bastante, como eu já havia conferido em outras oportunidades.
O horário do show era as oito da noite, na minha opinião horário perfeito para a grande maioria das pessoas, aqueles que dependem de transporte coletivo podem sair do show sossegados, e aqueles que querem dar uma esticada tem a noite inteira para isso, não era meu caso, mas foi legal sair cedo e ir para casa tranquilo depois do grande show.
Quando cheguei ao local a banda de abertura Red Front já estava tocando, e o local estava bem vazio, fiquei imaginando se mais alguém apareceria pois faltava uma hora para o show e as ruas em volta estavam vazias.
Era a primeira vez que eu assistia ao Red Front, e mesmo com o som meio embolado eu gostei do show, a banda é bastante eficiente no tipo de som que escolheram e sabem investir no marketing, um dos momentos legais foi a malhação do boneco do Bello (o pagodeiro), foi bem engraçado ver aquilo dentro do Carioca Clube, um reduto do samba. No final eles tocaram “Circle Of Hate”, que foi o grande destaque das músicas que ouvi, provavelmente irei assistir a banda em outras oportunidades, pois eles têm qualidade de sobra.
Com quase meia hora de atraso, e com a casa um pouco mais cheia, começa a introdução no P.A., era o anúncio que o massacre estava começando com “Curse The Gods” e emendada na sequência o hino “Mad Butcher” com todo o público cantando junto e agitando sem parar, com o perdão do trocadilho, começava a destruição.
As novas “Armaggedonizer' e “Hate Is My Fuel” soaram destruidoras ao vivo, pena que não foi executada “The Price” ou “Sorcerer Of Black Magic”, mas a banda tem vários clássicos e deve ser difícil escolher o melhor set list.
Schmier cantava com a qualidade de sempre, mas parecia meio nervoso, aparentemente por falta de retorno no palco, chegou até a arremessar um dos microfones para fora do palco, e a todo instante pedia mais volume para os técnicos, problema que deve ter sido contornado durante o show, pois ele parecia mais calmo após um tempo.
O massacre segue com “Eternal Ban” e a clássica “Life Without Sense” com grande resposta do público, que não parava um minuto sequer, chegando a haver até invasões de palco,e muito “ crowd surfing”, o que aumentava cada vez mais a temperatura da casa, logo eu já estava transpirando bastante, mas o jeito era me divertir com tudo isso.
D.E.V.O.L.U.T.I.O.N soou muito melhor ao vivo que sua versão de estúdio, quando então a intro “Days Of Confusion” anunciava que estava por vir uma das maiores músicas já compostas na face na terra, “Thrash Till Death”, esse é daquelas músicas que mesmo que você não goste, ou não queira tem que agitar, e agitar bastante, ao ponto de quase ter um AVC por exemplo, só ela vale o show.
A peteca não cai com “Nailed To The Cross” também do perfeito álbum “The Antichrist” um dos melhores da banda e do Metal em geral, pelo menos em minha opinião. “Metal Discharge” foi para mim uma bem vinda surpresa, e foi legal rever essa música poderosa ao vivo.
Um pequeno solo de bateria foi a introdução de outra surpresa da noite “Tormentor” onde a velha guarda pode agitar bastante, o mesmo acontecendo com “Death Trap”, que ao vivo é ainda mais brutal que em estúdio.
Nesse momento Schmier pergunta se existe algo que o público queria ouvir, e atendendo aos pedidos (ou não, nunca se sabe se isso já não está programado) a banda manda o clássico “Invicible Force” mais uma vez o Carioca Clube quase vinha a baixo, “Tears Of Blood” um pouco mais lenta fechou a primeira parte da noite.
Alguns minutos de espera e começa a intro de “Total Desaster” mais uma vez com grande participação de todos os presentes (Como é bom ver shows em locais pequenos onde só os fãs da banda estão presentes, torna tudo bem mais legal), na sequência “The Butcher Strikes Back” como sempre totalmente brutal.
O encerramento não podia ser outro senão “Bestial Invasion” outra música perfeita, pena que o som deu umas falhadas nessa faixa, principalmente na guitarra, mas mesmo assim o que se viu foi um massacre, com todos sorridentes ao final do show.
Eu havia estado gripado na semana do show, mas acho que me curei totalmente depois dessa, depois do show deu para voltar a pé até em casa sossegado, e ainda comprar uma cervejinha no supermercado porque ninguém é de ferro.

Quarteto De Cordas Da Cidade De São Paulo - Theatro Mvnicipal, São Paulo 08/10/2011.
Bem vamos por partes. Primeiro não sou um grande conhecedor da música erudita, como esse tipo de música deve ser escutada ou ao vivo, em boas salas de espetáculo, ou em casa com um bom aparelho de som, acabo não escutando muito, porque a maioria do que ouço é na rua com fones de ouvido( infelizmente).
Até por não conhecer tanto assim, nem vou falar de coisas técnicas, caso contrário irão me massacrar com toda a razão, então vamos comentar como um leigo, que realmente é o que sou para esse tipo de música.
Eu já havia estado no Theatro Mvnicipal( vou usar essa nomenclatura, que está no programa oficial) mas nas duas ocasiões em que estive lá eu não vi música ao vivo, pois eram peças de teatro, então esse seria meu debute em um concerto musical no local.
Saí de casa depois que passou a chuva, e fui andando, e escutando Saxon (por mais que duvidem o Metal tem muito a ver com música erudita, não necessariamente o Saxon, mas outras bandas têm bastante), e cheguei cedo ao local, que não fica longe de casa.
Desnecessário falar sobre a beleza do Theatro, que está em seu centenário. Mas é engraçado ver como as pessoas se portam lá dentro. Muitas tiram fotos do local, fazem pose, circulam sem parar, o que não é errado, pois realmente é um belo local. Alguns outros fazem pose de intelectuais, e grandes entendedores, bem alguns até são, mas há que se desconfiar.
A presença de pessoas de maior idade é maciça, o que é bem justificável, visto que a molecada de hoje pouco se interessa por música, imagina por uma música que exige um pouco mais de atenção e “audição” para ser apreciada?
Também é engraçado ver mulheres já de certa idade vestindo minissaias e desfilando como se fossem misses em um concurso de beleza, mas tudo bem cada um se veste de modo a se sentir confortável, e se elas fazem isso é porque há quem goste.
Eu até pensei em tomar uma cerveja, mas o bar estava meio lotado, e quente, fazia bastante calor no dia, então fiquei somente lendo o programa no salão, seria mais proveitoso.
Já sentado em meu lugar, reparei mais uma vez como o local é bonito por dentro, creio que todo o paulistano deveria fazer uma visita ao Theatro, garanto que mais da metade vai sentir vontade de voltar. Impossível também não imaginar como seria aquilo em outra época.
No horário marcado o quarteto formado por: Betina Stegmann (violino), Nelson Rios (violino), Marcelo Jaffé (viola) e Robert Suetholz (violoncelo, muito parecido com o jogador Wayne Rooney por sinal) entram no palco, e como um bom mestre de cerimônias Marcelo, comenta o que seria apresentado a seguir.
A primeira parte do concerto foi composta pela “Cavatina do Quarteto, Op. 163” de Beethoven, uma peça curta, de cerca de 10 minutos bastante intensa, e bem sofisticada, deve realmente ser complicado tocar isso.
Antes da segunda parte, Marcelo convida seu irmão Claudio Jaffé( violoncelo) para se juntar ao quarteto no palco. Novamente o violista (essa palavra existe?) conta um pouco sobre a peça, e a vida de Franz Schubert, com bastante simpatia e bem didático, confesso que somente essa “aula” já valeria o concerto, gostei bastante, mas a música estava por vir.
“Quinteto em Dó Maior, Op. 163” de Schubert, se mostrou uma peça muito técnica também, com várias mudanças de andamento, provavelmente a execução deve ser dificílima também. Como disse antes não sou grande conhecedor desse tipo de música, mas me agradou principalmente a segunda parte (de quatro) onde existem partes realmente densas, e alguns quase improvisos do violoncelo e violino, enquanto o restante do grupo mantém o tema, muito interessante, também gostei das sutilezas que somente são perceptíveis com bastante atenção.
A plateia é bem interessante nesses locais, pois enquanto havia pessoas que prestavam atenção, outras choravam, e algumas até dormiam, sem dúvida um show a parte, e o mais legal que devia ser sempre repetido todos em silêncio (tirando uns roncos que escutei) e sem ficarem tirando fotos a todo instante, parabéns aos espectadores.
No final a única coisa que restou foi aplaudir a bela execução, e esperar para repetir a experiência, pois realmente vale a pena.










Saxon - HSBC Brasil, São Paulo 22/10/2011.
Demorou bastante para que eu pudesse ver novamente ao show de uma das minhas bandas favoritas sempre, o Saxon, mas realmente pelo show valeu muito a pena, tudo bem, não foi tão memorável como aquelas apresentações no antigo Palace, mas foi um concerto digno de nota 10.
Durante a semana eu estive meio doente, fiquei até receoso em perder o show, mas tomando a medicação e não abusando, eu resolvi arriscar assim mesmo, o ruim seria ficar o tempo todo sem beber nada.
Peguei o trem, e logo estava na estação próxima ao local do show, teria um trajeto de cerca de quinze minutos até a casa de shows, e confesso que foi difícil esse caminho, visto que eu estava tossindo bastante e sentindo falta de ar, mas vamos lá, qualquer coisa eu ficaria mais quieto e curtindo o show do fundo, mas não dava mesmo para perder a oportunidade.
Cheguei na casa e encontrei o local até bem vazio, e já faltava meio hora para o show, nos arredores também não notei muita gente, o público até melhorou um pouco mas a casa acabou não enchendo, para quem não viu perdeu um grande show, repito novamente.
Um coisa que não entendi nesse show foi a “pista Vip”, ok até concordo com isso em outros shows, de outros estilos musicais, ou mesmo de Metal, mas em locais abertos, nunca em uma casa de shows pequena, mas o que se pode fazer? Não fiquei tão perto do palco, mas acabei vendo o show de boa, aliás, era a primeira vez que visitava a casa e gostei bastante, não fica longe da estação de trem, e o interior é bem confortável possibilitando uma visão legal para todos, inclusive com telões dos lados do palco, somente fica essa ressalva contra o setor pista vip em shows de Metal de pequeno porte.
Pontualmente, dez da noite as luzes se apagam e começa a introdução, que para ser sincero foi um saco, pois é meio longa demais, após essa ansiedade inicial heis que surge o grande Saxon no palco com a nova “Hammer Of The Gods” que contou com boa participação da plateia, mas nada parecido com o que viria a seguir com o clássico “Heavy Metal Thunder”, realmente poucas bandas podem se dar ao luxo de queimar um clássico como esse logo no início do show.
“Never Surrender” mantém o público em êxtase cantando cada estrofe a plenos pulmões, realmente algo que é difícil acontecer em outros estilos que não o Metal. Na sequência “Chansing The Bullet” serviu de descanso para a casa voltar a se incendiar em “Motorcycle Man” aonde cheguei a ver um cara chorando do meu lado.
“Back in 79” foi mais uma das novas bem recebida pelo público, que cantou bastante o refrão, foi então que veio mais um grande clássico “And The Bands Played On” uma das minhas favoritas, que mais uma vez soou maravilhosa ao vivo.
Após esse furacão o show estranhamente deu uma desanimada, foram tocadas “Mists Of Avalon”, “Demon Sweeney Todd” e “Call To Arms”, na sequência, foi meio um balde de água fria, principalmente as duas baladas do novo álbum, de onde podiam ser executadas outras músicas mais legais, mas tudo bem deu um tempo para descansar o pescoço.
Quando os primeiros acordes de “Dallas 1pm” soaram parecia que o show tinha começado novamente, tamanha a animação do pessoal, e não era para menos vista a qualidade desse grande clássico do Metal. “Rock And Roll Gypsy” foi uma das melhores da noite principalmente porque eu nunca havia escutado essa música ao vivo, ela também está entre as minhas favoritas da banda.
“Rock The Nations” foi a grande supresa da noite, sendo muito bem recebida pelo público foi um grande destaque, idem a sequência com “Battle Cry” do mesmo álbum.
“When Doomsday Comes (Hybrid Theory)”, com seu riff bem parecido com “Perfect Strangers” do Deep Purple agradou bem o pessoal, e soou como um das melhores do novo álbum, foi então a vez de “Denim And Leather” quase derrubar a casa, foi lindo ver todos cantando e agitando bastante nesse clássico.
Falando em clássico foi outra surpresa a execução de “20.000ft” em uma versão rápida e arrasadora, abrindo espaço para o hino “Wheels Of Steel”, que imagino que deva ter o refrão cantado até por quem estava do lado de fora da casa.
Uma rápida saída e Paul Quinn retorna ao palco e começam os primeiros acordes de “Cruzader”, não precisa dizer qual foi a reação do público, aliás é mágico escutar essa música ao vivo e ver Nigel Glocker na bateria com seu óculos escuros, e Paul detonando em um dos melhores solos da história da música, voltei a ter dezesseis anos nesse momento,a essa altura acho que eu já estava até curado da infecção pulmonar, visto que estava cantando junto sem tossir e agitando feito um louco.
Mais um momento para cantar junto foi “747 Strangers In The Night” maravilhosa ver~soa ao vivo.
Mais um saída do palco e dessa vez Doug Scarratt retorna ao palco e pós um breve solo inicia o clássico riff do hino “Power And The Glory”, mais uma vez a loucura toma conta do local, impossível ficar parado e não agitar e cantar junto. Quando Biff Byfford anuncia que tocaraim uma música que não haviam tocado em tours na América do Sul antes, imaginei o que poderia ser, e para minha surpresa veio “Ride Like The Wind”, que ficou muito legal ao vivo, me fazendo lembrar quando ouvia o “Greatest Hits Live” quase todo dia, momento mágico também.
Bem eu sabia que o show estava acabando, e até podia ter acabado naquele momento, mas ainda faltava pelo menos mais uma música que não poderia ser esquecida. A banda sai do palco novamente, e dessa vez quem retorna sozinho para um curto solo é Nibbs Carter, que por sinal é um grande baixista e agita sem parar durante o show todo, foi então executada “Strong Arm Of The Law” clássico do álbum de mesmo nome. Sem grandes pausas começam os primeiros acordes da maravilhosa “Princess Of The Night”, uma das minhas músicas favoritas, não só da banda, mas do geral, é simplesmente indescritível ouvir isso ao vivo, somente ela já valeria o ingresso, um grande encerramento para duas horas de puro Metal, com uma das maiores bandas da história, espero que não demore tanto para ver eles novamente.








Ron Carter - Sesc Pinheiros, São Paulo 23/10/2011.
Realmente não é todo dia que se tem a oportunidade de ver uma lenda tocando, ainda mais pagando um preço baixo por isso, portanto era obrigação assistir a esse show, mesmo estando meio cansado da apresentação do Saxon na noite anterior, e ainda meio mal de saúde, mas não daria para deixar passar a chance de ver o grande Ron Carter ao vivo.
Comprei o ingresso com uma boa antecedência, e depois foi só esperar o dia que finalmente chegou. Saí de casa cedo, pois naquele mesmo dia aconteceria uma exposição sobre o mito Miles Davis, aliás, o show de Carter seria em homenagem a Miles, e seria baseado em seu álbum Dear Miles.
Não sou um grande conhecedor de Jazz, confesso, mas sempre estou ouvindo o estilo, e na medida do possível tento me atualizar e prender um pouco mais, por conta disso foi bem legal ver a exposição antes do show, que contava inclusive com um trompete utilizado por Miles.
Era chegado o momento, entro no teatro do Sesc e me deparo com um público totalmente distinto, desde adolescentes, até senhores, bem legal essa mistura, embora certa parte do público me parecesse de certa forma esnobe.
Sentei em meu lugar, que por sinal ficava em ótima posição e foi só esperar o momento do mestre subir ao palco. Com dez minutos de atraso surge a banda, todos vestidos com extrema elegância e demonstrando carisma, agradecem ao público e então surge em cena o mestre Carter.
Serei sincero, não sei qual foi o repertório tocado na noite, já que me pareceu ser diferente do programa inicial, então para não escrever mais bobeiras do que já escrevo, vou fazer um comentário diferente, uma geral na banda, e um pouco de cada integrante.
A banda é muito coesa e técnica, esbanjam simpatia e carisma, e conseguem ir do mais suave ao mais pesado, em um mesmo tema, com direito a vários improvisos com bastante inspiração, sem dúvida músicos geniais.
A pianista Irene Rosnes, é a mais discreta da banda, mais preocupada com a parte rítmica, improvisava pouco, mas segurava bem a cozinha para o trio restante brilhar, o grande destaque foi a introdução de “My Funny Valentine”, que segundo o simpático Carter era sua música favorita aquela noite.
O percursionista Rolando Morales era sem dúvida nenhuma uma figura, muito brincalhão improvisou bastante, e “brincou” com seu imenso kit de percussão, com direito a um belo solo de bongo.
Payton Crossley, o baterista da banda, é extraordinário, segura muito bem o ritmo, deu show principalmente com o uso das baquetas “vassourinha” e seu solo foi uma das coisas mais impressionantes que vi em toda a minha vida, ele conseguiu alternar volume e intensidade, sem diminuir a velocidade, criando um efeito até difícil de descrever, foi sem dúvida um dos grandes destaques do show.
Não é a toa que Ron Carter é um dos mais respeitados baixistas de toda a história, o que o cara faz é impressionante, vendo-o tocar parece que a coisa é fácil. Armonias complexas, slides, harmônicos, o cara realmente abusa do bom gosto, e quando retornou ao palco sozinho após o show para mais um solo, foi realmente indescritível a qualidade, sem dúvida um dos melhores músicos que já vi ao vivo.
No final das contas deu para voltar para casa contente, e com sede de me aprofundar mais no Jazz, com certeza após essa apresentação dedicarei mais tempo dos meus ouvidos para essa nobre música.




Nuno Mindelis - Sesc Belenzinho, São Paulo 29/10/2011.
Fazia bastante tempo que eu não assistia a um show do Nuno Mindelis, pensando bem, na verdade fazia até bastante tempo que eu não assistia a um show de blues, então a expectativa era até grande para a apresentação desse que é um dos maiores guitarristas do estilo na atualidade.
Esteva bem quente o dia e saí com destino ao Sesc Belenzinho com o sol ainda “trabalhando” no céu, seria a primeira vez que veria um show nesse local, mais precisamente no teatro, então existia também a curiosidade de saber como eram as coisas por lá.
Tomei o metrô cheio para um sábado à tarde, mas bem quem conhece São Paulo, sabe que por aqui essa de metrô vazio, principalmente a linha três (vermelha) é raridade. Mas como eu estava com meu inseparável tocador de música o caminho foi curto, e não tive que escutar conversa alheia, visto que aparentemente um grupo de mulheres conversava algo bem alto no vagão em que estava.
Cheguei ao local de show, e fui procurar pelo teatro, que fica no terceiro andar, quando desci do elevador tomei um susto, o local estava completamente vazio, com somente funcionários do local, até perguntei se haveria mesmo o show e me confirmaram que sim, nisso faltava trinta e cinco minutos para o horário marcado, vinte e uma horas.
Fiquei esperando em um confortável sofá, quando finalmente somente quando faltava quinze minutos o público, bem variado começou a aparecer, confesso que fiquei mais aliviado, apesar de ser legal ver um show vazio, isso acaba desvalorizando o artista, já tão pouco valorizado por aqui.
Entrei no teatro, e descobri que meu lugar tinha uma visão bem legal do palco, inclusive o local é muito confortável, com uma ótima visão para todos os presentes, e por ser pequeno cria uma atmosfera intimista, que realmente combina com o blues.
Com cinco minutos de atraso, as luzes se apagam, e a banda entra no palco, as guitarras soam, mas somente em alguns segundos temos Nuno Mindelis no palco, com um Fender Stratocaster vermelha tocando-a como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Aliás ver Nuno ao vivo, faz parecer que tocar guitarra é moleza, tamanha a habilidade do músico, que vai da suavizade ao peso em um piscar de olhos, sempre com muito feeling em seus solos.
O show começou com uma música instrumental, e logo esquentou com clássico do Blues, “Rock Me Baby” bem conhecido em várias versões, essa apresentada por Nuno nos remete a BB King, que segundo o guitarrista foi um das suas grandes influências, em certo momento do show, disse ele que com nove anos costumava ficar tocando nota por nota ouvindo os discos do mestre, e sugeriu isso aos guitarristas iniciantes ali presentes, sem dúvida grande conselho.
A banda era bem competente, tendo um baixista discreto, um baterista preciso e um tecladista que além de ser uma figura carismática, dava um brilho especial às músicas, como no caso de “Green Onions” clássico de Booker T and The MG’s um dos grandes destaques da noite.
A plateia assistia a tudo extasiada, e quando menos se espera Mindelis anuncia “I Know What You Want”, que seria a última da noite, nessa música ele resolve dar seu famoso passeio pela plateia, para delírio total de todos, o ponto alto do show, e de perto percebe-se ainda mais como o cara é competente, sem dúvida também um grande “show man”.
A banda ainda volta para executar “Hey Joe” famosa na versão de Jimi Hendrix, que fez todos irem para casa com um grande sorriso no rosto, infelizmente a apresentação foi só um pouco curta, cerca de uma hora e quinze minutos, mas foi realmente muito boa, espero que eu não fique tanto tempo assim sem sentir o Blues da próxima vez, se puder ir em um show do cara vá. Não gosta de Blues? Pode ter certeza que depois de ver um show como esse você vai acabar gostando.

Ringo Starr All Star Band – Credicard Hall, São Paulo 12/11/2011.
Realmente não é sempre que se tem a oportunidade de ver um Beatle ao vivo, ainda mais agora que só restaram dois vivos, então foi com grande expectativa que comprei o ingresso para esse show do Ringo Starr, mesmo sabendo que o repertório da banda não seria baseado na carreira da banda de Liverpool.
Bem comprei o ingresso no primeiro dia imaginando que iria terminar rápido, engano, pois apesar de esgotados os ingressos permaneceram por bastante tempo disponíveis, diferente do que ocorreu com o show do Paul McCartney, por exemplo, em que os ingressos terminaram em algumas horas, e eu fiquei sem poder ir.
O céu de São Paulo estava ameaçador, nuvens negras anunciavam uma possível tempestade, então já saí de casa com uma capa de chuva, aguardando pela água, que felizmente não apareceu pelo menos até que eu chegasse ao local do show.
Tomei o ônibus em direção ao terminal Santo Amaro, e na Avenida Paulista o motorista do coletivo começa a discutir com um taxista por conta de uma fechada, foi até engraçada a situação, já que grande parte dos passageiros passaram a xingar o taxista, por sorte as coisas ficaram só na discussão mesmo, eu não podia me atrasar.
Mesmo em um sábado, com feriado prolongado à frente o ônibus estava lotado, e demorei para achar um lugar para sentar, quando encontrei tive a companhia de um babão, que além de escorar no meu ombro para dormir ainda salivava mais que um cachorro cansado, bem por sorte o cara desceu antes do terminal, senão chegaria ao local molhado, mas não de chuva, e sim de baba.
Fazia bastante tempo que não ia ao Credicard Hall de ônibus, mas por sorte me lembrava bem do caminho, que não é longo, cerca de quinze minutos andando somente. Logo eu estava à frente da casa de shows, e me deparei com uma fila enorme, porém organizada e rápida, e cerca de dez minutos eu já estava dentro do recinto. Legal foi reparar a variedade do público, desde pré-adolescentes até senhores de cerca de setenta anos, por aí percebi que o show seria diferente do que eu estou acostumado.
Uma pequena espera, e com somente dois minutos de atraso a banda surge no palco, aliás, o horário do show às oito e meia é perfeito, pois permite mesmo com um set longo, todos voltarem para casa numa boa, mesmo os que precisam de transporte coletivo, bem legal.
As três primeiras músicas agitam a plateia, “It Don’t Come Easy”, “Honey Don’t” e “Choose Love” essa com Ringo indo para a bateria para delírio total dos presentes. Era muito legal notar que as pessoas não estavam preocupadas somente em ver, fotografar ou filmar o show, mas sim se divertir cantando e dançando, tudo bem tinha um cara fedendo bastante do meu lado, mas pelo menos o cara estava se divertindo e cantava todas as letras, embora pudesse ter tomado um banho antes do show, mesmo assim é melhor um fedido ao lado que um cinegrafista o fotógrafo parado.
Agora era hora de ser apresentada a All Starr Band, primeiramente quem toma o microfone é Rick Derringer, que é um excelente guitarrista, e detona “Hang On Sloopy”, que para quem não sabe é hino do estado de Ohio nos Estados Unidos, bem legal, na sequência é a vez do mestre Edgar Winter com “Free Ride”, Edgar tem uma grande presença de palco, principalmente por conta dos cabelos e barba branca, além do mais é um grande músico, tocando teclado e sax, e fazendo backing vocals.
Wally Palmer veio com Talking In Your Sleep, que também agitou o público, que se divertia bastante com a boa performance do guitarrista, que tinha o público nas mãos. Falando em ter o público nas mãos quando Ringo anunciou “I Wanna Be Your Man” o Credicard veio abaixo, com todos cantando e agitando bastante, sem dúvida um grande momento do show.
Infelizmente o clima baixou um pouco a sequência de duas baladas “Dream Weaver” cantada por Gary Wright e principalmente a arrastada “Kyrie” cantada pelo competente Richard Page, que assim como Wright canta muito, mas nesse momento confesso que deu sono o show.
Ringo volta aos vocais para uma música nova “The Other Side Of Liverpool” que é bem interessante, porém ficou bem lenta ao vivo, de certo modo decepcionando um pouco, porém quando os primeiros acordes do hino “Yellow Submarine” começaram, foi como se o show ganhasse nova vida, não é preciso dizer que foi até difícil escutar o baterista tamanho o volume da voz do público, momento histórico.
Ringo abandona o palco por alguns instantes e quem toma a frente das ações é Edgar Winter novamente, dessa vez para tocar uma versão maravilhosa do clássico “Frankenstein” que tirando as músicas do quarteto de Liverpool foi sem dúvida o grande momento da apresentação, mesmo com o som do baixo estourando, durante a execução pudemos também notar a grande habilidade do monstro das baquetas Gregg Bissonette, que esteve contido no show, mas nessa hora pode se soltar um pouco mais.
Ringo retorna ao palco e aos vocais com a divertida “Back Off Boogaloo” essa sim ficou legal ao vivo, legais também foram as bem Rock And Roll, “What I Like About You” cantada por Palmer e com boa participação do público e “Rock And Roll Hoochie Koo” essa cantada por Derringer, para completar o clima Ringo volta com “Boys” novamente o Credicard Hall entra em êxtase com a música.
Quando Wright retornou a frente do palco percebi que novamente viria uma balada, e não deu outra “Love Is Alive” novamente deu sono, ok, mais uma vez repito o cara é competente, mas as músicas são para relaxar, coisa que não deve acontecer em um show de rock, falando em balada é a vez de Page assumir os vocais novamente e dessa vez tocar “Broken Wings”, que apesar de ser bem brega até foi legal ouvir essa música ao vivo, mesmo assim poderia ter sido trocada por algo mais animado.
Era a vez de Ringo voltar à frente do palco, dessa vez para ficar, começando com “Photograph” o ex-Beatle agitou novamente o público, que durante essa música ergueu várias fotos do baterista, foi bem criativo isso, e gerou um efeito legal.
“Act Naturally” foi também uma das melhores da noite, com sua levada meio country, mas nada comparado ao grand finalle, com “With a Little Help From My Friends” e um trecho de “Give Peace A Chance”, nessa música a festa tomou conta do Credicard Hall, com balões e todos cantando juntos, um grande final de um show que se não foi maravilhoso, pelo menos foi bem divertido.
Foi legal poder voltar tranquilamente para o terminal e pegar o ônibus de volta para casa cedo, mas achei que faltaram algumas coisas no show, principalmente as músicas do Beatles compostas por Ringo, que como são somente duas poderiam ter sido tocadas, mas quem sabe na próxima...
Rob Mazurek Skull Session – Sesc Pinheiros, São Paulo 13/11/2011.
Um dia depois de assistir ao show do Ringo Starr, eu pude conferir essa apresentação do trompetista norte americano Rob Mazurek, fazendo uma homenagem a parte elétrica da carreira do grande Miles Davis.
Sai de casa até um pouco tarde, por conta da ameaça de chuva, no caminho tive até que dar uma corridinha para não me atrasar visto que o show começaria às seis da tarde, mas acabou dando tudo certo, mesmo tendo chegado transpirando bastante cheguei com quinze minutos de antecedência, tempo suficiente para dar uma esfriada no banheiro e me dirigir ao meu lugar no luxuoso teatro do Sesc Pinheiros.
Logo de cara notei que o local estava vazio, tanto no teatro quanto no salão, e como faltava pouco tempo para o início do show, não era difícil imaginar que o público não seria dos maiores, uma pena, pois perderam um belo show, em um local confortável e com preço acessível, mas cada um tem seus gostos e sabe o que faz, também é preciso observar que estávamos quase em véspera de feriado, e com grande ameaça de chuva, mas mesmo assim o espetáculo merecia um público maior, observando creio que só metade das poltronas estavam ocupadas.
Com um pequeno atraso a banda surge no palco, com um baterista, um tocador de vibrafone, uma flautista, um saxofonista que tocava rabeca também, um percussionista que tocava cavaquinho, um guitarrista que operava uma espécie de sampler e um tecladista, ou seja, uma formação nada usual.
Infelizmente preciso afirmar que não conhecia as músicas apresentadas, mas isso de maneira alguma faz com que eu não me divirta, o que não se deve fazer nesse caso é ficar parado, o ideal é entrar no clima na apresentação, e o primeiro tema já foi surpreendente, alternando vários andamentos durou cerca de quarenta minutos, com Mazurek sempre concentrado, em certas horas parecia estar em transe.
O show segue e era legal observar cada músico, a intensidade do vibrafone que por vezes era responsável pela melodia das músicas, os climas criados pela guitarra e teclado, a precisão do baterista e o tempero dado pela rabeca, tudo era bastante impressionante, é até difícil descrever como era a música, mas era muito boa e hipnótica, tudo isso com o trompete por vezes melódico e por vezes dissonante de Mazurek, que parecia sentir cada nota executada.
Realmente não é um som fácil, tem muitas nuances nas músicas que precisam de atenção, mas quando se acostuma é sem dúvida nenhuma uma grande sensação, vale a pena conferir quem tiver a oportunidade.

A Valquíria – Theatro Mvnicipal, São Paulo 19/11/2011.
Eu já assisti vários tipos de apresentação ao vivo, em sua maioria bandas de Metal/Rock, que são minha preferência musical, porém também já vi coisas diferentes, muito boas e péssimas, o que eu nunca havia assistido até esse dia era uma ópera.
Eu gosto bastante da música criada por Richard Wagner, principalmente por se aproximar bastante do Heavy Metal, creio que até podemos dizer que existe uma ligação forte entre suas composições e o que é feito hoje alguns séculos depois dentro do Metal.
Comprei o ingresso para “A Valquíria” com bastante antecedência, e mesmo assim somente consegui o pior setor do Theatro Municipal, o “anfiteatro”, mas tudo bem, isso me alerta para comprar com maior antecedência numa próxima oportunidade.
No local realmente pude constatar que o lugar tinha uma visão ruim, localizado no quinto andar, de meu assento só via cerca de 80% do palco, pois uma parte era totalmente encoberta por um balcão, mas pelo menos não posso reclamar da acústica, pois ouvia tudo com perfeição.
Cheguei ao local com cerca de vinte minutos de antecedência e fui ao meu lugar, estava sentado em uma ponta e ao meu lado havia algumas cadeiras ainda vazias, que por sorte permaneceram, mesmo com os ingressos esgotados, significa que alguém comprou e desistiu de ir.
Com cerca de cinco minutos de atraso as luzes se apagam, mas sem antes acontecer algo até cômico, alguém via um televisor portátil que anunciava um gol do Vitória, não pude deixar de rir, e por sorte o colega desligou o aparelho, falando nisso legal notar que pelo menos próximo a mim, as pessoas respeitaram o pedido de deixarem celulares desligados, muito bom isso.
A orquestra começa a tocar e as cortinas se abrem, em um cenário bem legal uma árvore imensa toma conta do palco, mas o mais surpreendente é ouvir os cantores. Sinceramente em momento algum imaginei que fosse tão contagiante, o envolvimento entre o que é cantado, encenado e a música é perfeito, tudo é grandioso, e de uma beleza ímpar, realmente algo que jamais imaginei presenciar, no começo confesso que de tão maravilhado com a música e os cantos, pouco prestei atenção ao enredo do que se passava, mas tudo era perfeito.
Mais de uma hora se passou em um piscar de olhos e logo estamos no intervalo entre um ato e outro, com quarenta minutos houve tempo suficiente para comer um chocolate, ir ao banheiro, passear um pouco pelas belas dependências do local, e ainda por cima estudar um pouco (sim em semana de provas os lembretes me acompanham sempre, nesse caso um livro mesmo).
O segundo ato começa, dessa vez mais sombrio, e começo a prestar atenção ao enredo e como é bem elaborado, a música fica mais pesada e o cenário muda, agora um local com pernas de plástico penduradas no teto, fotos coladas em uma parede e um portão, meio estranho pois nada tinha a ver com a estória, porém até interessante, pena que nesse segundo ato parte da ação aconteceu no “ponto cego” do palco, então por vezes eu somente ouvia e não percebia o que se passava, mas tudo bem pois ouvir já era maravilhoso.

Mais vinte minutos de intervalo, dessa vez somente dei uma estivada nas pernas e voltei aos estudos. As cortinas se abrem novamente e um novo cenário surge, dessa vez repleto de espelhos, mas o que impressiona nesse momento mesmo é a música, “ Cavalgada das Valquírias” tocada ao vivo realmente arrepia, confesso que fiquei em transe naquele momento, conseguia perceber melhor cada nuance daquela melodia grandiosa, tudo somado ao cenário e as cantoras com suas vozes poderosas era realmente impressionante.
O terceiro ato é realmente o melhor, o Grand Finale, o dueto entre Wotan e Brünnhilde e totalmente glorioso prendendo a atenção de todos os presentes, não vou contar detalhes sobre a trama que se passa, mas é também muito interessante.
Sem dúvida é necessário muito ensaio e técnica para realizar isso tudo, é impressionante como os cantores mantêm a entonação e decoram longas partes em alemão, mesmo não sendo a língua nativa de muitos ali. No final de tudo só me resta aplaudir com entusiasmo, e prometer a mim mesmo que assistirei isso em outras oportunidades, se você um dia tiver a chance de ver um espetáculo como esse, faça um favor a si mesmo, não perca.
No total foram mais de quatro horas de duração, mas quer saber de uma coisa? Parece que tudo durou bem menos tamanha a qualidade do negócio.









Karnak – Sesc Belenzinho, São Paulo 26/11/2011.
Fazia bastante tempo que eu não assistia a um show do Karnak, na realidade eu havia assistido somente uma vez, e confesso que achei bem legal, porém agora seria um pouco diferente pois a banda estaria tocando na íntegra o álbum “Estamos adorando Tokio”.
É incrível, mas não consigo pensar em Karnak, sem pensar no Divera, ex-baterista da banda que toquei, o cara é muito fã da banda e vivia cantando as músicas, até por isso acabei curioso para ouvir o trabalho da banda, e me tornei fã também.
Durante à tarde do sábado choveu bastante, o que não é nunca bom para usar o transporte coletivo, mas por sorte na hora em que me programei para ir ao Sesc a chuva deu um tempo, mesmo assim levei a capa de chuva para qualquer imprevisto, a expectativa era boa, e por incrível que pareça consegui pegar o Metrô vazio com destino a zone leste de São Paulo, coisa que para quem conhece é muito rara de acontecer.
Cheguei ao local, e já havia bastante pessoas por lá, aliás que lugar estranho, trata-se de um restaurante, bem o nome é até comedoria, com mesas, e pessoas comendo, sinceramente não é o melhor dos lugares para se ver um show, porém pelo menos havia um local na frente do palco onde dava para ficar em pé e ver o show sem problemas, mas que é estranho assistir shows jantando isso é.
Peguei uma cerveja, que por sinal tem um preço justo, e fui para frente do palco, onde quase pontualmente o Karnak entra, com “Abertura Russa”, introdução do álbum “Estamos Adorando Tokio”, conforme o combinado.
Na sequencia “Juvenar” já levantou a plateia, que conhecia todas as músicas e cantava junto, o que é sempre legal em um show, legal também eram as explicações de André Abujamra sobre as composições, com histórias bem hilariantes por trás dos títulos e “causos” sobre as composições. As piadas dos integrantes são legais também, mas provavelmente para quem já assistiu mais de uma vez a banda perdem um pouco a graça, pois são quase sempre as mesmas, mas isso em nada diminui a grande qualidade da música do Karnak, que faz um estilo bem difícil de descrever, e todos os integrantes dominam totalmente seus instrumentos, qualidade e bom humor são as marcas da banda.
O show continua com “Estamos Adorando Tokio” uma das melhores da noite e “Mó Muntueira” tocada com perfeição e muito bem recebida pelo público.
“3 Aliens in L.A” é uma das minhas músicas favoritas da banda, e realmente não decepciona ao vivo, mais uma vez vale destacar a grande qualidade dos músicos, no caso dessa música em especial o baixista Sérgio Bartolo. Falando em não decepcionar “Sósereiseuseforsó/nuvem passageira” é para mim a música mais fraca do álbum, porém ao vivo ficou bem interessante, principalmente pela execução magistral por parte do baterista Kuki Stolarski.
“Iosef” com boa participação do público novamente e “We Need Nothing” foram tocadas também de maneira muito correta, abrindo espaço para a pesada “Mediócritas” que ao vivo soou também bem melhor que a versão em estúdio.
Em “Zoo” Abujamra abandou a guitarra por um tempo e cantou fazendo pose de gorila, em uma música que tem a letra bem legal, mesmo sendo muito simples, foi a vez então de “Depois da Chuva” que mais uma vez agradou a todos os presentes.
A calma “ninguepomaquyde” teve novamente um show por parte de Bartolo, que fazia várias piadas com os integrantes dizendo que não era valorizado como baixista, logicamente tudo servia só para descontrair mesmo, falando em descontração uma música que me surpreendeu nessa noite foi “Maria Inês”, que soou bem mais pesada que a versão de estúdio.
A última música do álbum foi apresentada “Feio/Bonito”, que é uma música com cara do Karnak, já que é impossível definir qual o estilo dela, porém não se engane, pois foi um dos pontos altos do show, me surpreendendo bastante.
A banda sai do palco e resolve voltar para um bis, agora com músicas de outros álbuns, a primeira foi “O Mundo” do primeiro álbum da banda, cantada por todos os presentes,e abrindo espaço para a melhor da noite, e para mim até uma surpresa “Comendo Uva Na Chuva” em uma versão muito melhor que aquela tocada no primeiro álbum da banda.
“Alma Não Tem Cor” é talvez a música mais famosa da banda, desnecessário dizer que foi muito bem recebida por todos os presentes, no final ainda foi emendada com a divertida “Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai”, outra daquelas que só o Karnak poderia compor.
Mais uma vez a banda sai do palco, e atendendo aos pedidos retorna com “Eu Tô Voando”, que fecha a noite, em um show que foi bem divertido.








Torture Squad – Sesc, Santo André 16/12/2011.
É bem legal perceber como o Torture Squad tem crescido no cenário, tanto aqui quanto a lá fora, tudo bem que a banda ainda não tem seu devido reconhecimento por parte do público, mas é inegável como vem evoluindo com o passar do tempo. 
Foi até de certa forma surpreendente quando vi que a banda tocaria no Sesc  Santo André, local que por sinal eu nunca havia estado antes, comprei meu ingresso e do meu irmão com bastante antecedência e nos restava somente aguardar o dia do show.
Quem conhece São Paulo sabe que sexta feira é sempre um dia complicado para se locomover pela cidade, principalmente no final da tarde, por sorte nesse dia não enfrentamos chuva, o que tornaria a viagem até o munícipio do ABC ainda mais longa, mesmo assim demoramos mais de uma hora para chegar ao local do show.
A primeira constatação que tive ao chegar ao Sesc foi de um fato não muito animador, o local estava vazio, o que é sempre ruim, pois foi oferecido um show de grande qualidade, por um preço baixo em um local com uma ótima infraestrutura, deveria estar mais cheio, mas ainda faltavam cerca de cinquenta minutos para o início da apresentação.
Com o horário se aproximando o público aumentou um pouco, porém ainda não era suficiente para encher o teatro que tem capacidade para trezentas e duas pessoas.
O teatro abre, e percebo como é confortável o lugar, estava meio curioso de como seria um show de Death Metal com as pessoas sentadas, mas em frente ao palco existe uma pequena pista onde se pode ficar de pé, e foi para lá que fui.
Infelizmente eu pude notar que a lotação não foi esgotada, havia cerca da metade da capacidade somente, mas pena dos que não foram, pois perderam um grande show.
As luzes se apagam e André Evaristo surge no palco com os primeiro acordes de “Generation Dead”, o massacre estava começando.
Iluminação e som legal, banda afiada, e público animado, tudo formava aquele clima perfeito que shows de Metal proporcionam, a resposta do público era ótima tanto em músicas novas como a já clássica “Raise Your Horns” quanto em clássicos da banda como “Unholy Spell”.
André se encaixou perfeitamente na banda, entrosou-se perfeitamente com Amílcar, Castor e Vitor e formam uma banda coesa e selvagem no palco. É legal notar também como a banda toca com garra e paixão pelo que faz, isso é bem perceptível em todo o show.
O set foi baseado no mais recente é ótimo disco da banda ᴁquilibrium, com faixas pesadíssimas que soaram muito bem ao vivo como “Black Sun” e “Holiday in Abu Ghraib” esse que possui um vídeo clipe bem interessante.
O final ficou com a melhor parte do show, com a já clássica “Pandemonium” e “Chaos Corporation”, é impressionante como essa música fica pesada ao vivo, sendo para mim o grande destaque da noite.
A banda se retira do palco, mas volta para um bis, com “Symptom Of The Universe” cover do grande Black Sabbath, e a dobradinha de clássicos “Convulsion” e “Horror And Torture” que encerrou a quase uma hora e meia de massacre com todos cantando juntos. Eu senti falta de algumas músicas antigas, mas mesmo assim o show foi realmente muito bom, pena mesmo não ter lotado o teatro, pois eles mereciam.




Segunda parte – Furadas, curiosidades e tosqueiras em geral.
Muitas pessoas que leram o primeiro volume do livro me criticaram por eu só escrever coisas boas sobre os shows. Realmente confesso que foquei aquele livro nos shows mais legais que assisti, e esqueci que nem sempre as coisas são um mar de rosas. Por conta disso resolvi criar essa divisão do livro para descrever um pouco alguns shows em que as coisas não deram certo, nem sempre o problema foi a música, como vocês poderão verificar lendo os “causos”.









Velhas Virgens – Café Aurora, São Paulo (Data indefinida).
Está bem esse show não foi bem uma furada, a banda é muito boa e show foi divertido, mas no decorrer da explicação vocês perceberão o que ocorreu.
Eu estava junto com o Fernando louco em uma de nossas famosas andanças, estávamos circulando pelo bairro do Bexiga procurando algum lugar para beber, quando vimos o cartaz do show do Velhas Virgens no Café Aurora.
Fomos até o local e perguntei quanto custava à entrada, o segurança responde que custaria quinze reais, e o show começaria em cerca de meia hora. Bem perguntei ao Fernando se estava a fim de entrar, disse que tinha vinte Reais na carteira, ele verificou e percebeu que tirando o dinheiro da passagem de volta para casa (ele morava bem longe) teria nove e setenta.
Descrevi a situação para o cara da bilheteria e ele me concedeu esse desconto de trinta centavos, mas “assinamos” ali o atestado de que não consumiríamos nada durante todo o show.
Entramos e após alguns ajustes de som a banda entra em cena já com “Sr. Suce$$o” uma das minhas músicas favoritas, e sem um descanso emendaram com “Só pra te comer”. O show seguia a mil maravilhas, a banda perfeita no palco, o som da casa legal, e o público muito participativo cantando clássicos como “Não Vale Nada”, “B.U.C.E.T.A” e “Abre Essas Pernas” junto com a banda até aí tudo perfeito, porém havia algo que começava a incomodar.
O local estava lotado, e o calor aumentava, como disse antes não tínhamos mas nenhum dinheiro nos bolsos, e era torturante ouvir aquelas músicas sobre cerveja sem poder tomar um gole sequer, no palco os músicos tomavam litros da bebida, durante “Uns Drinks” eu pensei seriamente em invadir e roubar uma latinha pelo menos, mas me controlei. Em nossa volta pessoas bebiam cervejas e mais cervejas, jogavam cerveja na outras, e nós dois passando sede, foi torturante, inclusive ver Paulão o vocalista beber cerveja em um sapato feminino, engraçado, mas torturante.
No final o show foi bem legal, mas a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi abrir a geladeira e tomar duas latinhas da gelada que lá estavam.





O “Roqueiro” e o Forró Progressivo – São Paulo (Data indefinida).
Estávamos eu o Boninha e o André, em uma noite qualquer procurando algum lugar para beber, perto de casa havia um local que tinha uma porta misteriosa, nunca havia entrado lá, mas sempre ouvia música, e sugeri a visita naquele dia, em minha cabeça imaginava que encontraria algum puteiro, mas estava enganado.
Subimos a escada e nos deparamos com um local semivazio, havia várias mesas livres e somente uma ocupada por três garotas. Pedimos uma cerveja, escolhemos uma mesa e nos sentamos.
Começamos a conversar e no pequeno palco que lá havia, um tecladista tocava aqueles forrós bem ruins, realmente não estava animado e pensei até em ir embora quando acabássemos a cerveja, quando o tecladista vira em direção a nossa mesa e pergunta se gostaríamos de ouvir algo em especial, meio sem graça eu respondi que se ele tocasse um Rock eu ficaria bem feliz, o cara começou e pensar e sugeriu uma música do Zé Ramalho, bem eu disse ok, seria muito melhor que aqueles forrós terríveis, o cara manda então “Frevo Mulher” e quando percebo lá está o André com o microfone cantando, foi inesperado mas bem engraçado.
O tecladista nos agradeceu e disse que iria tomar uma cerveja e depois voltava, nesse momento só estávamos nós no bar, as garotas haviam ido embora. Pedimos mais duas cervejas e perguntamos se poderíamos fumar, já que tínhamos alguns charutos conosco, como o dono não se opôs acendemos e começamos a beber a cerveja.
Assim que o tecladista saiu do bar o dono ligou um rádio em uma estação qualquer, numa tremenda cara de pau o André novamente se levantou e colocou em uma frequência que tocava ZZ Top, como ninguém se opôs confesso que ficou legal, charutos, cerveja, ZZ Top e um papo animado.
Quando eu olho em volta o local começa a encher, em poucos minutos já não havia mais mesas disponíveis, foi quando o tecladista reapareceu, olhei em volta e todos estavam animados pela música que tocava, ou seja, Rock. Comentei com os dois, dizendo que agora todos iriam tomar um choque, mas para minha surpresa o tecladista voltou tocando Rock também, bem muito mal tocado, diga-se de passagem, mas dava para perceber que o cara se esforçava pelo menos para agradar, tocando Legião Urbana, Barão Vermelho e até Beatles com um inglês bisonho.
Com a má qualidade do tecladista o pessoal foi saindo novamente do bar, era até engraçado, novamente ele voltou a tocar forró, e o público dessa música começava a chegar, umas garotas que lá estavam até convidaram o Boninha para dançar, mas preferimos ir embora do local.
O Boninha resolveu ir para casa, eu e o André aproveitamos para procurar outro lugar para beber. Andamos algum tempo até entrar em um bar meio estranho que também fica na região, novamente um tecladista tocava em um pequeno palco, mas dessa vez era ainda mais bizarro, não sei se estava bêbado, drogado ou algo assim, mas usava uma base pré-gravada de forró e ficava fazendo uns solos, até virtuosos e rápidos por sinais, mas que não faziam sentindo algum, tomando a cerveja comecei a observar aquilo e pensei comigo mesmo, poxa o cara criou um estilo novo, o forró progressivo. Até pensei em conversar com ele para tentar entender o que era aquilo, mas estava meio tarde e resolvemos ir embora para nossos respectivos lares, deixando o inventor tocando para meia dúzia de gatos pingados.








Banda desconhecida – Boteco qualquer, São Paulo (Data indefinida).
Certo algumas vezes fazemos coisas imbecis por conta da amizade, nos arrependemos, mas é complicado esquecer.
Pois bem, eu odeio pagode, desde muito cedo não vi nada nesse estilo que me agradasse, mesmo sempre estando cercado por várias pessoas que só curtiam isso, inclusive uma dessas pessoas era o Renato, antigo colega de trabalho.
O Renato vivia me enchendo o saco falando sobre pagode, de como os shows são bons e cheios de mulheres lindas e maravilhosas, lógico que não acreditava nisso, mas de tanto me torrar a paciência um dia resolvi ver a banda do primo dele, que tanto mencionava.
No dia combinado peguei o metrozão até Itaquera onde me encontraria com ele para seguirmos até o local do show, cheguei lá e aguardei cerca de quinze minutos até que o Renato aparecesse com seu irmão que eu não conhecia, de carro fui para um local que mal sabia onde era somente que ficava no bairro de São Matheus.
Ao chegar ao local me arrependi mortalmente, era um butecão bem meia boca, lotado, em sua grande maioria com homens, e no centro de tudo um minúsculo palco onde alguns instrumentos aguardavam a banda.
Demorou uma eternidade para os músicos chegarem e ocuparem seus lugares no palco, começaram o show, a tortura piorou, a música era horrível, e confesso que não me sentia confortável tendo um bando de homens rebolando e cantando aquelas letras melosas ao meu lado, era a visão do inferno na terra.
Tudo ainda podia piorar, não sei por que diabos começa uma discussão, que logo vira uma briga generalizada, aproveitei para sair fora, e pedi para o irmão do Renato me deixar na estação, fiquei lá aguardando ainda bastante tempo esperando os trens voltarem a circular e praguejando contra aquela noite terrível.
Hoje digo duas coisas, pagode nunca mais, e pode ser meu melhor amigo, se me chamar para algo que eu imaginar ser uma fura, minha resposta será um simples não!




Carnaval – Olympia, São Paulo (Data indefinida).
Às vezes nos deixamos levar por propagandas enganosas, foi exatamente o que me aconteceu esse dia, se arrependimento matasse pode ter certeza que essas mal escritas linhas não existiriam nesse exato momento.
 Pois bem, sempre existiu aquela lenda por aqui que os bailes de carnaval eram uma maravilha, com várias mulheres disponíveis sem o menor esforço e tudo mais que conhecemos, então eu pensei comigo mesmo, porque não ir a um desses e me aproveitar de toda essa maravilha, se soubesse onde me meteria abandonaria essa idéia assim que ela surgisse.
 De vários bailes disponíveis, optei por aquele que era considerado o melhor da época, o baile do Olympia. Eu era bem moleque e nunca havia estado em qualquer outro baile de carnaval, jurava que iria encontrar o que via na propaganda, várias mulheres, muitas de biquíni dançando alegremente, e um montão de pessoas felizes curtindo por todo lado.
 Fiquei o sábado e o domingo de carnaval imaginando como iria ser aquilo, pensava que ao chegar lá as mulheres todas loucas iriam cair em meus braços, coisa que realmente não costuma acontecer, então na segunda feira com toda a inocência do mundo lá vou eu em direção ao Olympia em busca de divertimento.
 Cheguei ao local, comprei meu ingresso, que era bem caro por sinal e já com água na boca entrei na casa. Cheguei cedo e o local ainda estava meio vazio, fui até o bar e pedi uma cerveja, nesse momento entra a banda no palco, comecei a ver a encrenca em que tinha me metido.
 A banda era sem dúvida competente, músicos profissionais que dominam seus instrumentos, mas a música era terrível, marchinhas de carnaval e alguns samba enredos furados, mas tudo bem, eu não podia esperar Slayer e Black Sabbath em um baile de carnaval.
A casa começava a encher, de homens, havia pouquíssimas mulheres, e aquelas que chegavam estavam muito vestidas e em sua grande maioria já acompanhadas, cada vez mais o local enchia e se tornava quente, o inferno estava começando.
 Quando chegou meia noite sobe ao palco a bateria da X9 paulistana e Royce do Cavaco, nunca mais me esqueci do nome desse cara, e sua música era simplesmente horrível, pelo menos esse foi o único momento que vi algumas mulheres de biquíni, mas somente no palco, pois na plateia continuavam vestidas, e nem sequer dançavam.
 Eu olhava a minha volta e não acreditava que tinha gasto um grana com aquela porcaria, havia cerca de cinquenta homens para cada mulher no local, que estava lotado, com música ruim e quente, era péssimo tudo aquilo.
 Por conta do transporte coletivo, eu teria que esperar até as quatro da manhã para ir embora, sentei-me em um cantinho com uma lata de cerveja que também é bem cara, e só que me restou foi esperar o meu horário ali, lamentando e torcendo para acabar logo. Cada minuto parecia durar uma eternidade, e quando finalmente faltavam cinco minutos para as quatro da manhã eu saí correndo do local, na porta encontrei um mendigo, me pedindo algo, não tive dúvidas e dei a camiseta que tinha ganho na bilheteria, não queria nada que me lembrasse daquilo, aguardei meu ônibus ainda lamentando e desde aquele dia nunca mais inventei de ir a um baile de carnaval ou similares, é melhor guardar o dinheiro para um futuro show de banda que curto, ou mesmo comprar uma cervejas e tomar em casa.






Holy Dust – Manifesto Bar, São Paulo (Data indefinida).

Para aqueles que ainda não conhecem, o Holy Dust era uma banda que eu tocava, falei um pouco dela e de um show nosso no primeiro volume do livro, não fizemos muitos shows enquanto eu estive tocando lá, mas fizemos alguns bem legais, esse show que vou descrever tinha tudo para dar certo, não fosse por um pequeno detalhe, um pequeno probleminha que tive naquela noite, mas é melhor eu contar como foi.
 O show estava marcado para uma terça-feira, em um horário não muito convidativo, onze da noite, mas quando se toca isso é bem comum, principalmente para bandas iniciantes.
 Eu trabalhei normalmente aquele dia, o combinado era que o Michel nosso guitarrista passaria em casa às seis da tarde para me dar uma carona, e depois encontrarmos o Ray nosso outro guitarrista, nosso baterista Divera iria direto para o local do show.
 Sai do serviço as cinco e vinte como de costume e fui correndo até em casa para comer algo e arrumar as coisas, não podíamos perder tempo visto que o trânsito de São Paulo é sempre péssimo nesse horário.
 Cheguei em casa e comi um pão com um presunto que achei na geladeira, arrumei minhas coisas e fui para a porta esperar o Michel que já devia estar a caminho. No horário marcado ele apareceu e realmente enfrentamos um trânsito pesado até a casa do Ray.
 No meio do caminho enquanto conversávamos comecei a sentir algo diferente no estômago, comentei com o Michel, e ele simplesmente me disse que isso era medo de tocar, até pensei na possibilidade, mas para ser sincero estava relaxado aquele dia, e já havíamos feito algumas apresentações, portanto não haveria motivo para pânico.
 O carro preso ao congestionamento e comecei a piorar, cheguei a pensar em pedir para descer e usar o banheiro de algum bar ou posto de gasolina, mas estávamos próximos do local, resolvi me aguentar.
 Chegamos a casa do Ray, e nem sequer o cumprimentei e já corri para o banheiro, lá fiz um estrago com direito a sons constrangedores, que segundo o Michel podiam ser escutados da sala de onde estavam.
 Sai do banheiro, escutei as piadas e carregamos o carro com o equipamento do Ray, eu pensei que aliando daquela maneira não teria mais problemas, quando novamente dentro do carro o terror voltou.
 Mais um congestionamento e a agonia continuava, dessa vez os caras até não faziam piada, pois começavam a perceber que a coisa era mais séria.
 Quando cheguei ao Manifesto, novamente nem sequer ajudei a descarregar o carro fui correndo para o banheiro, quando olhei não havia papel higiênico no masculino, fui até o feminino fazer o serviço e de quebra ainda roubei o rolo de papel e coloquei no bolso.
 O bar ainda estava fechado para o público, quando começamos a montar o equipamento, novamente saí correndo do meio do palco rumo banheiro,  era cada vez pior, nesse momento o Divera apareceu na casa.
 Conversei com os caras dizendo que estava mal, eles até cogitaram cancelar o show, mas pensei comigo; foi difícil marcar, e vários amigos viriam, então não seria justo cancelar, qualquer coisa eu correria do meio do palco mesmo sem problemas, também a situação seria constrangedora, dizer que anulamos o show por conta de uma diarréia minha.
 Eu continuava indo ao banheiro, e para piorar a situação o bar abriu para o público e os amigos começaram a chegar, comecei a ficar temeroso de sofrer algo no palco, até pensei em simular um desmaio caso sentisse vontade de cagar novamente, com certeza ficaria menos feio para todos.
 Fui surpreendido no banheiro pelo Michel em um dos meus momentos de trono, e já começava a me sentir fraco, quando começaram a surgir às receitas caseiras.
 Estava chegando o momento de tocar, e comecei a tomar bastante liquido, me sentia fraco pra caramba, mas era preciso tocar, a casa estava cheia.
 O horário se aproximava e por sorte comecei a não sentir mais o desconforto, porém estava bem fraco quando enfim subimos no palco. As luzes me faziam transpirar mais que o normal, e senti as pernas bambearem já na primeira música, não tive dúvidas e sentei-me no amplificador, fiquei boa parte do show somente sentado tocando.
 O show estava muito bom, com o público agitando e a casa cheia, era até surpreendente para uma terça-feira, pela primeira vez as pessoas cantavam até a nossa música isso era bem legal.
 Assim que me sentei o Ray chegou próximo e perguntou se estava tudo bem, respondi que sim, só me sentara, pois estava meio fraco, mas dava para continuar tocando de boa.
 Fizemos talvez nosso melhor show e por sorte não fui ao banheiro mais aquela noite, mas ainda me sentia logicamente fraco, me lembro do comentário do Ray que dizia estar assustado, pois eu espumava pela boca no palco.
 Antes do show havíamos combinado com meu irmão para que ele fotografasse a apresentação, quando terminamos não o encontramos, e perguntei para um amigo, a resposta foi: Ele não se sentiu muito bem e foi ao banheiro. Quando encontrei meu irmão perguntei o que tinha ocorrido, ele disse que estava mal do estômago, não tive dúvidas e perguntei se ele havia comido o presunto da geladeira, com a resposta afirmativa não pude pensar em outra coisa senão... Maldito presunto.












Comunidade Zadoque – São Paulo (Data indefinida).
Junto com o Fernando louco eu fui algumas vezes a Comunidade Zadoque, que vou explicar do que se trata. Era uma igreja evangélica de São Paulo fundada por músicos que tinha como diferencial em seus cultos utilizar apresentações de bandas com temática cristã.
Bem não sou um cara religioso, muito longe disso, aliás, mas cada um sabe o que faz da vida. Comecei a frequentar o local por ser de graça e ter apresentações de algumas bandas legais, embora o momento da pregação fosse um saco para mim.
Era mais um sábado à tarde quando fomos ao local, para ser sincero a primeira vez eu não tinha gostado muito das bandas, mas agora me parecia um pouco melhor, pois teríamos bandas de metal extremo, na primeira vez que fui eram bandas mais direcionadas ao punk e hardcore.
A chegada ao local era sempre meio constrangedora para mim já que a pregação começava do lado de fora já, mas tudo bem, quem está na chuva é para se molhar, eu fui lá então teria que ouvir a pregação. 
Entramos no local e uma banda tocava Death Metal, era bem legal, mas confesso que não lembro o nome, lá dentro era tudo como um show normal, as pessoas agitavam, e cantavam em nada parecia uma igreja, porém nos intervalos das bandas sempre havia um momento de pregação.
A banda saiu do palco e aproveitamos e fomos para um boteco próximo tomar algo, já que não estávamos com vontade de ouvir a pregação, e sim as bandas, voltávamos meio bêbados e quando terminava a terceira banda sempre íamos embora, ficamos nessas por um tempo, sempre quando era o sábado das bandas extremas.
Em um sábado qualquer, voltamos lá, haveria uma apresentação do Antidemon, que era a banda dos fundadores da igreja, confesso que estava curioso para ver como soavam. Chegamos e tudo estava normal como sempre fomos recebidos com vários cumprimentos e palavras de louvor a Deus, tudo normal.
A primeira banda que tocou aquela noite era realmente muito interessante, faziam um “Black Metal”, sim entre aspas mesmo, pois é estranho falar no estilo dentro de uma comunidade religiosa, mas o som deles era bem cru lembrando Darkthrone e Mayhem antigos, embora a temática logicamente fosse outra.
A banda era realmente brutal, mas alguma coisa estava estranha naquele dia pois a porta estava fechada, o que geralmente não acontecia, pensei que fosse por conta da reclamação de algum vizinho, seria mesmo bem provável, pois dessa vez o som era mais pesado.
A banda executou três músicas de maneira rápida e brutal, então o vocalista disse que precisava dizer algo, aí a coisa começou a complicar.
Ainda com o efeito na voz o vocalista da banda, que usava corpse paint , braceletes, calça de couro e capuz, começou a falar: “Jesus está nervoso, ele sabe que pessoas fazem coisas ruins...” Eu comecei a escutar já olhando para a saída, mas a banda começou outra música, voltamos ao normal.
Novamente ao final da música o vocalista retomou o discurso, dessa vez falando sobre a bebida alcoólica, comentei com o Fernando naquele momento que tinha um leve pressentimento que o recado era para nós dois, mas o show continuou, tocaram mais duas músicas e foram embora.
Aproveitamos e fim do show e fomos cumprir nosso ritual, porém a porta estava fechada, pedimos ao porteiro para sair e ele tentou insistir que ficássemos pois haveria uma oração conjunta, eu inventei uma desculpa qualquer e saímos.
Chegamos no bar e pedimos um conhacão cada um, comentei com o Fernando novamente sobre aquilo, e ele confirmou que estava achando o clima estranho mesmo, pedimos então uma cerveja e combinamos de não voltar lá naquele dia, em minha cabeça eu imaginava que a coisa estava diferente por conta do Antidemon, banda dos donos do local.
Tomávamos a cerveja tranquilamente quando apareceram umas dez pessoas que estavam no show, aí começou o sermão, falavam sem parar dizendo que estávamos sendo seduzidos por Satanás e coisas do gênero, fugimos do sermão, mas ele veio até nós, com certeza haviam nos marcado e sabiam que saímos para beber nos intervalos das bandas.
Ouvimos o sermão inteiro, e nos convidaram para voltar, matamos a cerveja e ouvimos novo sermão, mas voltamos, assistimos ao show do Antidemon, que por sinal é uma boa banda e ainda participamos da oração final, porém desde aquele dia eu nunca mais apareci sequer naquela rua.







Titãs – Vale Do Anhangabaú, São Paulo (Data Indefinida).
Eu realmente não me lembro em que ano esse show ocorreu, mas foi antes do lançamento do álbum “Domingo” por parte do Titãs, era um mês de dezembro e o Vale Do Anhangabaú estava em reformas.
Era um dos últimos dias de aula, eu estudava a noite na época e quando cheguei ao colégio não tinha muito que fazer, a não ser recolher as provas e ir embora. O pessoal combinava de tomar uma cerveja, quando eu sabendo desse show sugeri que fôssemos até o local para conferir a apresentação, lembro que algumas pessoas toparam outras não, só não me recordo infelizmente quem foi comigo.
Pegamos um ônibus e logo chegamos a Praça do Patriarca, e atravessando o Viaduto do Chá percebemos como estava lotado o local. Descemos até lá e logo estávamos no meio da pista, o show ainda não tinha começado, mas a movimentação era intensa.
Como todo show gratuito havia um público bastante heterogêneo, famílias, fãs de Rock, mendigos, famílias, curiosos, enfim havia realmente de tudo por lá, e o local estava bem escuro.
A banda entra no palco tocando algumas músicas novas, desconhecidas não só por mim, mas como a maioria presente, a cada momento o Vale lotava mais e começava a criar um clima meio opressor, principalmente por conta da má iluminação.
A terceira música do show “Comida” agita o pessoal que começa a pular, com isso sobe uma poeira do chão que diminui a visibilidade para menos de um metro, tudo por conta das reformas do local.
Quanto mais o público pulava mais a poeira subia, eu já não conseguia enxergar meus amigos, quanto menos o palco. Começa então um empurra-empurra, que cria um efeito dominó, e mesmo com o final da música a poeira não baixa.
Fiquei meio assustado, pois olho para o lado e vejo um mendigo com uma corrente batendo no chão, criando uma cortina maior de poeira, não tive dúvidas e decidi que era o momento de ir embora, quando começa mais um empurra-empurra, olho para o céu e vejo uma garrafa passando, realmente não era o melhor local para se estar. Por sorte encontrei meus amigos ali do lado e saímos antes que algo pior acontecesse, ficamos ainda vendo o show em cima do Viaduto do Chá, mas como não dava para ver nada além de poeira, o melhor a fazer mesmo foi voltar para casa.


Aniversário da cidade – Vários lugares, São Paulo 24 e 25/01/2002.
 Geralmente essas festas de aniversário de cidade sempre trazem artistas mais populares para tocar, mesmo esses sendo uma porcaria total, então sempre temos que aguentar pagode, samba, sertanejo, pop e artistas que são amigos de políticos, até por isso foi uma grande surpresa ver que teríamos um show de Metal nessa comemoração, mesmo o Angra não sendo uma banda que eu sou muito fã, resolvi comparecer já que era gratuito mesmo.
 A comemoração iria ocorrer em vários pontos da cidade, durante dois dias, e resolvemos aproveitar um pouco da festa no dia vinte e quatro indo até o Vale Do Anhangabaú assistir a apresentação do Clube Do Balanço, que até que fez um show animado com músicos competentes, embora não seja meu estilo de música favorito. Assistimos a apresentação e fomos tomar umas cervejas depois em um boteco próximo para discutir como seria a ida ao show do Angra no dia seguinte.
 Quando anunciaram o show no cronograma da festa constava a apresentação da banda às onze da manhã em um local chamado Travesse Simis, que depois descobri que ficava ao lado de um shopping center próximo a uma estação de metrô, portanto fácil acesso.
 Continuamos bebendo no boteco e alguém sugeriu que fossemos a uma rave que haveria próximo ao estádio Palestra Itália, em um local conhecido como casa da caldeiras, a princípio eu refutei, não estava a fim de ir, mas acabaram me convencendo.
 Saímos do centro e fomos em direção ao local, chegando lá nos foi informado que  a entrada custava um quilo de alimento não perecível, acabamos comprando cinco quilos de arroz e entramos eu o Fernando louco e o Boninha.
 Eu nunca havia estado em uma rave na minha vida, e também sendo sincero nunca tive tanta vontade assim de estar em alguma, mas as vezes embarcamos em furadas desse tipo.
Assim que entramos no local, passaram a mão na minha bunda, não vi quem fui, mas já fiquei com vontade de ir embora ali mesmo, os caras me disseram que havia sido uma mulher, mas até hoje duvido da história. Com muita insistência resolvi ficar mesmo com o ocorrido.
O ambiente era péssimo, estava lotado com várias pessoas drogadas e parecia tocar a mesma música a toda hora, mesmo nos diferentes palcos a música parecia ser a mesma, somente com o andamento alterado, com pouca oferta de bebida, conversei novamente com os caras e resolvemos que o melhor seria ir embora, andamos um pouco até em casa e fomos dormir para no dia seguinte continuar a maratona.
Acordamos cedo e já começamos a beber e nos preparar para ir ao show do Angra, fizemos um café da manhã reforçado já que o show seria na hora no almoço e partimos rumo ao terminal Tietê.
Chegamos por volta das dez horas e o ambiente estava tomado, fazia bastante calor e o sol era de rachar. Esperamos e quando o relógio marcou onze horas nada da banda no palco, começaram alguns pequenos tumultos, e foi informado que a apresentação atrasaria, e como atrasou, o show foi começar somente as duas da tarde.
Meu irmão Adriano se juntou a nós três naquele dia, a espera foi longa em baixo do sol e já com o estômago pedindo comida, para tentar enganar ficávamos somente tomando bebida, tudo o que aparecia bebíamos.
O show começou e a plateia agitava de maneira impressionante, a banda tinha mudado a formação há pouco tempo e promovia o álbum “Rebirth”, seria a primeira vez que eu iria conferir aquela formação do Angra ao vivo.
O show foi até legal, com várias músicas novas e algumas dos álbuns anteriores e naquele momento Edu Falaschi me pareceu melhor que André Matos ao vivo.
O calor aumentava a cada instante e os bombeiros começavam a jogar água no público, confesso que isso aliviava bem a coisa, foi então que a banda sai do palco. Durante o show inteiro tinha um cara enchendo o saco, ficava dando gritos histéricos que nos irritavam, quando a banda saiu do palco o ouvi comentando com quem o acompanhava a seguinte frase: “Se eles tocarem Carry on eu desmaio aqui”, fiquei com isso na cabeça só me preparando.
A banda voltou ao palco e aos primeiros acordes de “Carry On” ao ouvir mais um grito histérico, não tive dúvidas, fechei o punho e dei um soco no fígado do cara que ficou ali se contorcendo, enquanto todos a volta riam. Eu errei, na hora foi divertido, mas não faria mais isso, portando não façam isso, shows são lugares de paz, mesmo o cara tendo enchido o saco durante todo tempo não é com violência que se resolve a parada.
A banda encerrou o show com um cover correto de “The Number Of The Beast” do Iron Maiden deixando todos satisfeitos apesar do atraso monstruoso. O Boninha e o Fernando ainda foram ao show do Titãs que acontecia ali próximo, mas ouvindo meu estômago e observando o dilúvio que se aproximava resolvi voltar para casa com meu irmão, até hoje me dizem que aquele show dos titãs foi muito, mas eu realmente estava cansado e com fome, foi melhor mesmo ter ido almoçar e dormir um pouco.
Virada Cultural – São Paulo, 02/05/2009.
Aquele dia da virada cultural foi um desastre, eu estava a fim de ir, chamei várias pessoas, mas ouvi as piores desculpas para não irem, não sei às vezes é bem mais fácil dizer que não quer ir, do que inventar desculpas mirabolantes, garanto que não levarei para o lado pessoal, mas sigo aquela minha velha regra, se ninguém quer ir eu vou sozinho.
 O show de abertura da virada seria bem interessante, John Lord o eterno tecladista do grande Deep Purple tocando junto com uma orquestra o Concerto for Group and Orchestra.
Eu havia visto o Deep Purple executar esse álbum uma vez ao vivo, mas confesso que nunca imaginei que teria essa oportunidade novamente, então saí de casa e rumei para a Avenida São João, local do show.
Cheguei a poucos minutos do início do show que deu uma pequena atrasada, o público como era de esperar em show gratuito era bastante heterogêneo, indo de roqueiros fiéis até curiosos que nem sequer sabia quem estava no palco, isso misturado a vários bêbados, drogados e vendedores ambulantes de tudo quanto é coisa.
O show começa e logo de cara dava pra perceber que o som estava horrível, baixo e mal equalizado, quase não se ouvia a orquestra, o tipo de show também funcionaria melhor em um local fechado com menos gente.
O set foi aquele esperado o Concerto e mais algumas faixas da carreira solo de Lord, como “Picture Within”, mas era visível que o público pouco conhecia aquelas músicas, e ainda por cima tinha uns pentelhos que ficavam pedindo “Smoke On The Water” e “Black Night” o tempo inteiro, o show foi até legal, mas quando foi o Deep Purple foi bem melhor.
Voltei para casa comi e planejei voltar mais tarde para a virada, havia alguns shows que eu estava curioso para assistir, nessa hora é uma grande vantagem morar perto do centro. Quando retornei me deparei com um mar de gente, as calçadas estavam todas tomadas e era bem difícil se locomover.
Meu pensamento inicial era ir até a Avenida Rio Branco e assistir ao show do Trio Mocotó, mas demorei a chegar ao local por conta do congestionamento humano, isso porque eu estava sozinho, quando cheguei nem sequer conseguia ver o palco tamanha era a lotação, o som também não estava dos melhores, comecei a ter vontade de voltar para casa, mas estava a fim de assistir ao show do Camisa De Vênus na Praça Da República, então migrei para lá.
Parei em um supermercado próximo para comprar uma cerveja, porém devido a lotação desisti rapidamente da ideia, eu poderia beber em casa quando voltasse. Quando cheguei a Praça da Republica o local estava totalmente tomado, eu estava perto da rua e mesmo assim ainda havia um congestionamento de gente.
O Camisa entra no palco no horário tocando “Sinca Chambord” a Praça se transforma em um inferno com um empurra-empurra gigante, brigas, pessoas passando mal, subindo na banca de jornal e em árvores, além dos objetos que começavam a voar para todos os lados, diante da situação resolvi voltar para casa.
O caminho da Praça Da República até em casa passa pelo Largo Do Arouche, lá quem tinha começado o show no mesmo horário era o Wando, fiquei tentado a ver como estava e resolvi ir até lá. No meio do caminho comecei a ser assediado por vários gays que lá estavam, era até engraçado algumas cantadas que levava, mas realmente minha praia é outra.
O local estava bem mais sossegado, e o show animado, resolvi ficar e assistir, Wando é um cara experiente e tem total controle sobre o público, além de um repertório bem conhecido por todos, não pé um show que eu pagaria para assistir nunca, também não é tipo de música que ouço, mas foi legal presenciar “Moça” ou “Fogo e Paixão” sendo cantada por todos os presentes.
Fiquei com vergonha de dizer que assisti a esse show por um bom tempo, mas sem dúvida foi aquilo que salvou a noite.















Terceira parte – Os shows dos sonhos.
Antes que alguém diga que fiquei doido, dizendo que assisti ao show dos Beatles, por exemplo, preste atenção, essa parte do livro é totalmente ficcional, nada do que está escrito nessa terceira parte aconteceu de verdade, embora fosse legal que tivesse acontecido.
Resolvi escrever isso pois tem alguns shows que eu gostaria de ter assistido, mas nunca terei a oportunidade, por motivos lógicos os leitores notarão que esses shows são simplesmente impossíveis de acontecerem, eu até aconselho a você não gosta de coisas inventadas pular essa parte, pois diferente do restante da obra, tudo que está aqui é inventado, nada é real, eu infelizmente não vi nenhum desses shows, e eles também nunca se realizaram.







Beatles - Cavern Club, Liverpool.
Sim finalmente pude assistir a uma apresentação dos quatro Beatles originais, isso era o sonho de muita gente e agora tive a oportunidade de realizar.
O local como não podia deixar de ser estava lotado com vários fãs da banda, que não tinham noção nenhuma do que podia ocorrer no palco naquela noite, as luzes se apagam e eis que surgem os quatro rapazes de Liverpool, logo de cara tocando “Revolution” para a alegria geral de todos os presentes.
O público gritava sem parar, todos estavam em êxtase total, quando surgiu a primeira surpresa da noite “Savoy Truffle” muito bem recebida por todos. As cortinas se fecham por um instante e eis que no palco um pano de fundo gigante com a capa do “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” aparece à banda com as roupas da época inicia a faixa título, cantada em uníssono por todos os presentes, como no álbum na sequencia surge “With a Little Help From My Friends” e “Lucy In The Sky With Diamonds” com uma iluminação psicodélica que tirou lágrimas de vários presentes.
As cortinas se fecham e abrem novamente, a banda agora manda “Help” e “Get Back” essa com um solo perfeito de George Harrison. “Cry Baby Cry” é mais uma surpresa, e novamente é muito bem recebida por todos.
Novamente as cortinas se fecham por um instante, e a banda retorna com violões para “And I Love Her” e “Here There and Everywhere” no momento mais tranquilo do show. Mais umas vez as luzes psicodélicas surgem, é hora de “I Want You (She’s so Heavy)” que fica ainda mais pesada e sombria ao vivo, no meio da canção Paul executa um solo maravilho, e sem descanso a banda emenda “Tomorrow Never Knows” com direito a samples que não agradam alguns na plateia, mas que voltam a vibrar e cantar junto com “I am The Walrus”.
As luzes psicodélicas se apagam e a banda toca “A Hard Day’s Night” e “I Saw Her Standing There” com direito a todos dançando alegremente, ao final um boa noite e a banda se retira.
Os minutos passam e a banda não volta o que poderia ter acontecido? Teria o show se encerrado? A plateia clama por mais, porém as luzes se ascendem, quando as pessoas começam a pensar em se retirar Ringo ressurge e para a alegria de todos introduz “Birthday”, novamente a loucura toma conta do lugar, sem descanso “Rock And Roll Music” é emendada, com direito a participação do mestre Chuck Berry.
Um piano surge no palco e a banda toca “Let It Be” com um solo maravilhoso de George, o público cantava sem parar, e o local quase vem abaixo com os primeiros acordes de “Hey Jude” todos cantam juntos, e ao final a banda vai se retirando do palco, um a um, primeiro John, depois George, então Ringo, Paulo fica sozinho ao piano, se levanta e também abandona o palco, o público permanece cantando o refrão da música sem parar.
As portas se abrem e todos seguem cantando, teria o sonho acabado? Eu saio para a rua e todos ainda continuam a cantar, quando uma explosão gigante chama a atenção para uma rua atrás do Cavern, todos correm para ver o que se passa e lá está um pequeno palco, com os Beatles, a banda toca “Golden Slumbres”, “Carry That Weight” e “The End”, muitos se emocionam, choram, desmaiam, se ajoelham, até que uma neblina cobre o pequeno palco, quando a neblina se vai não há mais palco.









Black Sabbath Fest – Birmingham.
Fazia frio na cidade inglesa, garoava bastante e o céu era coberto por nuvens cinzas, o clima não poderia estar melhor para essa reunião histórica do Black Sabbath, tocando várias músicas de vários álbuns diferentes com seus vocalistas originais.
O show seria realizado em várias etapas, com cada vocalista subindo ao palco para cinco músicas, no final haveria um jam com todos os músicos no palco.
A primeira formação a subir no palco trazia Glenn Hughes, Tony iommi, Eric Singer, Geoff Nicholls e Dave Spitz, o público entra em delírio com “In For The Kill” sem descanso a banda emenda “Turn To Stone” em uma versão ultra pesada, peso também é o que ocorre em “Heart Like a Wheel” e “Danger Zone”, no final sob aplausos a banda encerra a primeira parte do set com “Seventh Star”.
Geoff e Iommi permanecem no palco, que agora recebe Geezer Butler , Bill Ward e Ian Gillan, que sem demoras começam os primeiros acordes de “Born Again” com vocais perfeitos de Gillan, a banda manda “Trashed” e “Digital Bitch” sem descanso, Gillan parece estar bem a vontade no palco e anuncia “Hot Line” o público agita sem parar e para encerrar a parte do set “Keep Warm” sem dúvida uma das mais esperadas por mim naquela noite.
Cozy Powell , Neil Murray e Tony Martin se juntam agora a Nicholls e Iommi, era a hora de reviver uma das maiores fases do Black Sabbath. O público pede desesperadamente “Headless Cross”, mas eles iniciam o set com “Rusty Angels” e “The Hand That Rocks The Cradle” duas músicas mais recentes, então surge Brian May no palco e junto com a banda executam “When Death Calls” com um maravilhoso solo de guitarra. Começa a chover um pouco mais forte quando os primeiros acordes de “Anno Mundi” surgem, mas nada esfria o público que ainda vibra muito com “The Shinning” que fecha essa parte do set.
A chuva diminui um pouco e o público se aperta na frente do palco, era o momento mais esperado por alguns, retorna ao palco Geezer Butler, e dessa vez Vinnie Appice e o mestre Ronnie James Dio surgem, já detonando logo de cara com “Mob Rules”, e sem descanso emendam o clássico “Neon Knights” o público entra em delírio, com algumas pessoas inclusive invadindo o palco. Com mais tranquilidade a banda apresenta “Computer God” muito bem recebida por todos o mesmo ocorre com “Voodoo”, com todo o público em mãos a banda encerra com “Children Of The Sea” com seu refrão sendo cantado por todos os que ali estavam.
Ao som natural de trovões e da chuva que voltava a cair a formação original surge no palco, os primeiros acorde de “Black Sabbath” fazem a multidão urrar a plenos pulmões, todos ficam hipnotizados com a performance da banda, que ataca de “Sabbath Bloody Sabbath” com os vocais perfeitos de Ozzy, o mesmo acontece em “Snowblind” e “Sweat Leaf” quando então soam as sirenes anunciando um dos maiores clássicos da história da música “War Pigs” com direito a palmas dos integrantes acompanhando a música.
O público não para de aplaudir, eu mesmo fico paralisado em ver tudo aqui, mas teria a parte final do grande show, com uma jam especial onde ninguém sabia o que poderia acontecer.
Todos os músicos sobem ao palco, e quem toma o microfone pela primeira vez é Dave Walker para tocar “Junior’s Eyes” muito bem recebida pelo público, que vibra sem parar ao ver Bill Ward cantando “It’s  Alright”. Na sequencia mais um convidado é Rob Halford que canta magistralmente “Children Of The Grave”
Um coro de 20 vozes surge no palco junto com Rick Wakeman, que senta-se ao piano e começa “Air Dance” com Ozzy sendo auxiliado pelo coro onde dez integrantes eram anjos e dez demônios.
Gillan assume a voz, e a banda continua com o álbum “Never Say Die” um dos meus favoritos dessa vez tocando a faixa título. É hora então de Glenn Hughes voltar ao microfone para tocarem “Headless Cross” muito bem recebida por todos, com um vocal impressionante.
Era difícil acreditar que tudo aquilo estava acontecendo, quando Tony Martin inicia “No Stranger To Love” com um belo solo de teclado do Nicholls, que fez um ótimo trabalho durante todo o show.
Quando Dio toma o microfone em mãos, todos fazem silêncio, até que começa a introdução de “Zero The Hero” com todos agitando bastante. O microfone é passado para Ozzy, que em um dos melhores momentos da noite canta de maneira incrível “Die Young”, todos os músicos então se retiram do palco.
O público pede por mais, e pouco a pouco todos retornam, o último é o mestre Tony iommi, que já entra no palco tocando a introdução de “Sympton Of The Universe” a plateia agita sem parar e todos dividem os vocais no palco, o mesmo acontece com “Paranoid” e Heaven And Hell” que dura mais de vinte minutos com direito a todos os vocalistas cantando um trecho desse clássico, e todos os músicos fazendo um pequeno solo de seus instrumentos.
A banda sai do palco e novamente todos retornam e junto ao coro e todas as vozes do público presente tocam “Changes”, os músicos saem um a um do palco sob intensos aplausos sobrando somente Iommi, que sozinho ao violão toca "Fluff" encerrando assim essa noite histórica.
Raul Seixas – Em um boteco qualquer, São Paulo.
Estava eu sentado em um botecão qualquer tomando uma gelada no começo de uma noite, e o pessoal começa a montar o equipamento de um pequeno palco.
Até pensei em ir embora, pois geralmente nesse tipo de boteco o que temos são tecladistas tocando forró, ou no máximo um cara com violão tocando covers furados, até que um amigo comenta: “Esse não é o Raul Seixas?” olhei bem para o indivíduo e realmente sim, era ele em carne e osso.
Pedimos mais algumas cervejas e ficamos na expectativa do que ia rolar, a banda sobe ao palco e Seixas começa os primeiros acordes de “Abre-te Sésamo” emendando na sequencia “Aluga-se”.
O bar então começa a encher, já não há lugar para ninguém, e todos se espremem para ver um pouco, por sorte estávamos numa posição privilegiada, e o show segue com “Let Me Sing”, “Capim Guiné” e “Al Capone”.
O público bastante diversificado vai ao delírio, e pede por canções, que são atendidas por Raul, então temos pérolas como “Medo Da Chuva”, “A Maçã” ou “Movido a Álcool” essa última cantada em uníssono por todos.
A cerveja descia como a água e a diversão era gigante, perfeito o ambiente para escutar tantos clássicos, ao final Raul toca “Sociedade Alternativa”, e com todos cantando ainda pega sua guitarra, coloca nas costas pede uma dose de vodca com suco de laranja e sai andando pela rua para sumir no horizonte.












Elvis Presley – Algum cassino, Las Vegas.
Eu estava tomando uma dose de uísque em um cassino de Las Vegas que agora não me recordo o nome, quando o locutor anuncia que em vinte minutos começaria um show musical. Continuei bebendo e tentando a sorte em uma máquina caça níqueis, pois imaginei que não seria nada interessante que se apresentaria.
Pois bem as luzes se apagam e percebo uma correria para perto do palco, peguei meu copo e fui tranquilamente ver o que acontecia, quando tenho uma surpresa incrível, lá estava em cima do palco o rei do Rock, Elvis Presley.
Ao som de “Jailhouse Rock” o rei entra quebrando tudo no palco, e logo estão todos na plateia dançando ao som de “Hound Dog” e “Tutti Fruiti”.
Não acredito no que vejo, mas lá estava ele meio gordo sim é verdade, mas com sua roupa e carisma característicos, mandando ver clássicos como “Heartbreak Hotel” e “Blue Suede Shoes”.
Após cerca de uma hora Elvis se despede do público ao som de “Suspícious Mind” e abandona o palco. Alguns minutos se seguem até que ele retorna para “My Way” e “Always On My Mind” muito pedida por todos os presentes.
As luzes se apagam e volto para uma máquina caça níqueis quando noto que o banda retorna ao palco, coloco uma ficha e puxo a alavanca, vem a primeira cereja na tela, olho para o palco de onde estou e vem a segunda cereja, fico na expectativa e assim que a banda inicia o clássico “Viva Las Vegas” vem a minha terceira cereja, o mostrador marca que ganhei um milhão, sem dúvida Elvis me trouxe sorte aquela noite.











The Big Blues Festival – Algum lugar próximo às margens do rio Mississipi.
 Foi bem complicado achar o local onde se realizaria o festival, mas após várias caronas encontros e desencontros lá estava eu na fazenda, bem próximo as margens do rio Mississipi, onde o grande festival seria realizado.
O público em sua grande maioria era de negros, e trabalhadores locais, porém tudo decorria na mais tremenda harmonia, eu estava apressado para o o primeiro show que seria no celeiro e traria o mestre da gaita Sonny Boy Williamson II.
Cheguei ao local que estava lotado, em um pequeno palco a banda de apoio já afanava os instrumentos, estava tudo pronto e não tardou ao mestre entrar em cena já mandando bala com “Dont’s Start Me Talkin’”.
O público delirava cada vez que Williamson colocava a gaita na boca, ele fazia solos maravilhosos e virtuosos, com várias estripulias, chegando mesmo a colocar a gaita inteira na boca enquanto tocava.
Com um terno e de chapéu tocou clássicos como “Fattening Frogs For Snakes” e uma das minhas favoritas, “Nine Below Zero”. E deixou para o final pérolas, cantadas por todos como “Help Me” com seu clima sombrio e “Bring It Home” que encerrou com chave de ouro esse primeiro show do festival.
Hora de almoçar, tudo no festival era gratuito, isso incluía o perfeito churrasco assado ali as margens do rio, com todos se divertindo, comendo e bebendo, inclusive os músicos da banda de Sonny Boy.
Terminado o almoço era o momento de ir ao palco que ficava a frente do celeiro ao ar livre, lá haveria a apresentação de Howlin’ Wolf.
O local tinha um público bem grande e todos estavam ansiosos para o início do espetáculo, sob um sol forte, vestido com uma camisa xadrez, e com uma lata de cerveja na mão surge Howlin’ já detonando o clássico “Smokestack Lightin’”, nem é preciso dizer que todos vão ao delírio.
O show segue com “Spoonful” um dos grandes clássicos da música em todos os tempos. Wolf era perfeito no palco, sempre com um sorriso destilava feeling em seus solos e a todo o momento agradecia a plateia, que assistia tudo em delírio total.
No final “May I Have A Talk With You” e “Little Red Rooster” encerraram essa grande apresentação, no mesmo instante em que o sol começava a se por.
Era hora de ir para o palco do saloon, aonde a lenda Muddy Waters iria se apresentar, sentei-me em uma das mesas e peguei uma dose de uísque agardando o início daquele show que sem dúvida seria histórico.
A fumaça dos cigarros cobria o lugar, as mesas estavam repletas de cerveja, uísque e carne do grande churrasco, o ambiente era enfim perfeito, eram oito da noite quando Muddy sob ao palco, com sua banda maravilhosa que tinha como destaques Willie Dixon no baixo, Junior Wells na gaita e Buddy Guy na guitarra.
O show começa em grande estilo com “They Call Me Muddy Waters” já emendada a “Manish Boy” e “Long Distance Call”, todas elas recebidas com entusiasmo incrível por todos os presentes.
O local fervia, e os músicos solavam de maneira insana no palco, todos bebiam e fumavam muito na plateia, o clima era de total divertimento e paz, sem brigas ou discussões, tudo isso regado a clássicos máximos como “Rolling Stone”, “I’m Ready” e “Honey Bee”. Após quase duas horas de divertimento a banda encerra o concerto com “Hoochie Coochie Man” e “Got My Mojo Working”, essa com direito a mulheres subindo no palco e realizando strip tease, simplesmente fantástico.
Era hora de correr para uma encruzilhada ali próxima, bem a beira da margem do rio, lá a meia noite subiria ao palco a lenda das lendas, Robert Johnson.
O clima era de total mistério, ninguém havia visto o bluesman, ele não havia passado o som, e tocaria sozinho no palco, sem microfones ou qualquer outra coisa, também não queria ninguém nos bastidores, e nem no palco no momento em que lá estivesse.
Os relógios marcam meia noite, e uma neblina intensa toma conta do lugar, todos permanecem em silêncio absoluto, mas nada de Johnson, começa o falatório, alguns dizendo que ele não viria, mas a neblina aumenta cada vez mais.
Chamas começam a arder nas laterais do palco, mas nada do músico subir ao palco, agora é a fumaça que toma conta do local, um círculo de fogo envolve todos na plateia, e ninguém podia sair, a cada momento as chamas tornam-se mais e mais altas, o pânico começa a tomar conta dos presentes.
De repente ouve-se um acorde de violão vindo do palco, o público é grande, não há qualquer equipamento eletrônico, mas o som é audível a todos os presentes, mas ninguém enxerga absolutamente nada em meio a fumaça.
Outro acorde é ouvido, e o público delira, começava ali “Preaching Blues( Up Jumped The Devil), as chamas somem, mas ainda não é possível ver o palco, pois a neblina permanece, apenas um vulto é visível, mas lá estava o mestre tocando agora “They’re Red Hot”.
O palco se ilumina como que por mágica, sem luzes artificiais, o fogo volta a circular a plateia, ninguém poderia sair de lá, mas agora era possível ver com clareza aquela figura com um cigarro na boca, terno risca de giz e uma cartola, olhos vermelhos e dentes brilhantes, não havia dúvidas, ele estava no palco.
A cada acorde, a cada música, o público parecia ficar mais hipnotizado, “Little Queen Of Spades”, “Terraplane Blues” e “Rambling On My Mind” tudo soava perfeito, o som as luzes, aquilo era incrível, e Johnson tocava como se tivesse vinte dedos em cada mão, e as vezes parecia ter mesmo.
“Sweet Home Chicago” faz todos cantarem junto, é o momento que então Robert Johnson deixa o palco, mas seu violão lá permanece brilhante e hipnotizador. Todos aplaudem calorosamente e gritam pedindo por mais, e o músico retorna.
Pega seu violão e toca os primeiros acordes de “Crossroads Blues” a noite se transforma em dia, e volta a ser noite, chove, neva, mas depois tudo cessa, o mundo em volta parece desaparecer e somente o palco é visível, quando a música termina tudo em volta está vermelho, era de arrepiar.
O músico agradece a presença de todos, e diz que aquela será a última música da noite, começa “Loven In Vain”, todos cantam junto, ao final Johnson toma um gole de uísque e a neblina volta a tomar conta de tudo, o que se ouve é somente o som de um latido, perturbador, quando a neblina desce, o palco não está mais lá, nem o violão, e nem o Bluesman.

 
 
