Durante a entrevista demonstrou confiança incomum.
“Mas a senhora não acha que são muitas intervenções ao mesmo tempo?”
“Sim”
“O risco é grande.”
“Eu sei, mas sou uma mulher decidida, de coragem”
O marido, ao lado, não diz nada.
Numa salinha a cirurgiã começa a fazer as marcações no corpo da paciente.
Com uma caneta, vai fazendo desenhos. Os desenhos parecem um croqui de alfaiate. São bastante estéticos. Um esboço para o que virá a seguir.
“Olha Dona Salazar, esta é uma cirurgia extensa. A senhora perdeu quarenta quilos. Mas para chegar ao resultado que a senhora quer, será necessária uma intervenção profunda e intensa.”
“Não tem problema doutora. Estou pronta. Estou fazendo esta cirurgia por mim mesma. Este corpo obeso, gordo e disforme não combina mais comigo. Estou prontíssima.”
Na frente do repórter, para uma última declaração.
“Estou ansiosa. Sei que quando sair desta mesa de operação, serei uma nova mulher. Estou entrando numa nova fase da minha vida. Minha terapeuta concorda que este é o momento correto para fazer uma mudança radical”