AS CORDAS DE ITZ’MUCAN


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As Cordas de Itz’mucan

O estômago torceu-se-lhe num nó. Sabia o que ia acontecer. Não havia nada a que se pudesse agarrar, nada que pudesse fazer.

Sinto muito — Uma mão pálida empurrou-o.

Durante uma fracção de segundo sentiu-se livre, a flutuar no Tempo e no Espaço.

A Gravidade exerceu a sua força e ele despenhou-se, berrando, em direcção ao chão.

Depois, a escuridão.


Toltep acordou com o coração a tentar escapar-lhe do peito.

Tentou controlar a respiração. “Só um sonho.” Exalou, o pânico a recuar-lhe da mente. Só um sonho. Uma mão agarrou a sua. A mão de Hara’can, o seu avô. A mesma mão que o empurrara para a morte segundos antes.

— Estavas a sonhar — era uma afirmação, não uma pergunta.

— Sonhei que… que estava num penhasco — Ainda conseguia sentir as carícias do vento sobre a pele, terra dura sob as sandálias. — E que me atirava…

Hara’can acenou tristemente, olhos húmidos brilhantes na semiobscuridade da madrugada. O ancião inclinou-se para o abraçar.

— Eu sei — Beijou-o na testa. — Eu sei.

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