Interview with João Dias Martins

O que o leva a sair da cama todos os dias?
Uma bexiga cheia e um elevado sentido de responsabilidade.
O sítio onde cresceu influenciou de algum modo a sua escrita?
Sim. De resto, prefiro não falar desse assunto.
Quando é que começou a escrever?
Tanto o meu pai como a minha mãe eram leitores ávidos. O meu pai era professor do Ensino Primário e a minha mãe era poetisa. O mundo da escrita sempre foi uma constante na minha vida, mas só quando parti para Lisboa para começar uma vida própria é que pude levar isso a sério. Antes... tinha outras responsabilidades.
Ainda se lembra da primeira história que escreveu, e do impacto que esta teve em si?
Infelizmente, lembro-me. Digo "infelizmente" porque essa história foi inspirada por uma situação má. Aceito-a como uma parte de mim, como o meu ponto de partida literário, mas se pudesse escolher, sacrificava esse momento de inspiração sem hesitar.
Costuma colaborar na concepção gráfica das suas capas?
Não sou muito dotado nesse aspecto, pelo menos na parte de execução. Tenho alguém que me constrói as capas com base em algumas indicações minhas, mas de resto...
Quais são os seus autores preferidos?
É difícil dizer porque estou sempre à procura. De momento, por exemplo, estou a redescobrir o LeCarré. Fiquei surpreendido pela positiva com o Jesse Kellerman (filho do Jonathan e da Faye, ambos óptimos escritores também), embora o livro que li ("Trouble") não tenha sido uma leitura que me tenha envolvido logo de início. Outro autor que também gostei muito foi o Brian Keene, que criou um universo de zombies bem poderoso no seu "Rising".
O que é que costuma ler por prazer?
Não costumo ler nada que não seja por prazer. Seja um livro de um autor que aprecie, seja um artigo sobre uma matéria que poderei vir a usar numa história, tento sempre tirar algum prazer da leitura. Às vezes a percepção desse prazer pode não ser imediata, mas isso é diferente. Há excepções, claro.
O que faz quando não está a escrever?
Quando morava em Lisboa, gostava de ir passear até ao Parque das Nações, sentar-me numa esplanada a ler ou com um caderninho a apontar conversas alheias. O sítio onde agora moro tem um parque municipal bastante amplo e agradável. Quando está bom tempo, vou lá para espairecer um pouco. Para dizer a verdade, só estou em casa quando tenho mesmo de estar.
Como é a sua zona de trabalho?
Sei onde tenho tudo. Quase sempre.
Está a trabalhar em algum projecto neste momento?
De momento estou entretido com alguns contos que espero reunir numa colectânea a publicar ainda este ano. Estou também a fazer uma reescrita do meu primeiro romance, "Morte Inesperada". A edição foi pequena e há muito que esgotou e quando se falou de fazer uma reimpressão, alguém sugeriu que eu fizesse uma nova versão. A história será igual, só algumas partes é que serão diferentes, mas não sei até que ponto irei actualizar a acção. Nos dias de hoje, em que é só smartphones e gadgets e wi-fi por todo o lado, é quase refrescante entrar num mundo onde ainda existiam telefones de disco e modems de 56k, o tempo da Telepac e essas empresas. Acho eu.
Published 2014-02-15.
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