Firmino de Tibúrçia

Biography

Nascido em 16 de junho de 1948, em São Paulo/SP, iniciou graduação em Engenharia Eletrônica no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP, Brasil - 1968-1970), havendo sido desligado (por anarquia) em novembro de 1970 no período da ditadura militar no Brasil e acabou por concluir sua graduação no IST (Instituto Superior Técnico, Lisboa, Portugal - 1971-1974).

Nesses anos, quando a Universidade de Lisboa andava conturbada por greves, esteve por três meses em Heidelberg (Alemanha), para onde foi de motocicleta a partir de Lisboa visando a trabalhar como estudante e conhecer um pouco esse país. De julho a setembro de 1974, fez estágio na General Eléctrica de Madrid, para conclusão de sua Graduação pelo IST.

Retornou ao Brasil no final de dezembro de 1974, validou seu diploma e começou a trabalhar em maio deste ano. Em 1978, ingressou na FGV (Fundação Getúlio Vargas, SP) para cursar o CEAG (Curso de Especialização em Administração para Graduados), onde obteve indicação por parte de um professor de Psicologia do Trabalho para fazer terapia de orientação profissional com a terapeuta Maria Elci Spaccaquerche, pois não conseguia se enquadrar profissionalmente.

Foi durante esse período em terapia que, por sugestão da terapeuta, começou a escrever o que lhe viesse à cabeça. A cada sessão, levava textos para análise junto com Maria Elci. Passadas algumas sessões, ela sentiu que havia algo nos textos além de esperados sinais de fundo psíquico, desconfiando haver neles algum talento literário.

Diante disso, perguntou se poderia encaminhar alguns textos para Maria Lucia Santaella Braga (à época professora titular no programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP, com doutoramento em Teoria Literária na PUCSP em 1973), com o que concordou o autor e o material foi encaminhado a ela.

Como retorno, Lucia Santaella disse à terapeuta que ficara surpresa com os textos e que somente havia um aluno seu de pós-graduação que demonstrava também características literárias semelhantes.

Provavelmente esse foi o estopim para que o autor começasse a escrever rotineiramente a partir do momento em que foi demitido de seu trabalho no Grupo Philips por sair mais cedo uma vez por semana para sua terapia (coisa de anarquista?).

Consequência de seu temperamento: desempregado, faltando apenas o último semestre para concluir o CEAG na FGV, viu-se obrigado a abandonar o curso por falta de dinheiro e, pouco depois, também a terapia.

Acreditava que poderia viver de literatura...! Participou de concursos literários, classificou-se em dois deles (1980, Concurso de Contos Eróticos, revista Status, e 1981, concurso de contos Prêmio “Ignácio de Loyola Brandão”). A realidade o fez voltar ao trabalho formal – BOVESPA, BASF, CPM Informática, Banco de Boston, etc.

Muita água rolou por baixo da ponte. Em janeiro de 1996, decidiu cursar graduação em Direito e passou por teste na única faculdade que ainda tinha inscrições abertas, UNIb – Universidade Ibirapuera. Surpreso, 30 anos depois de haver feito cursinho para vestibular de Engenharia, classificou-se em 1º lugar...! Conclui a graduação, fez estágio concursado na Procuradoria da República em São Paulo e obteve sua inscrição na OAB/SP no primeiro exame da Ordem. E a vida continuou.

Smashwords Interview

What is the greatest joy of writing for you? [Qual é a maior alegria para você ao escrever?]
Certamente é dar vazão à enorme quantidade de ideias e pensamentos caóticos que vagam pela minha mente, procurando ordená-las em texto escrito de alguma forma criativa e que dê prazer ao ato de leitura.

Regra geral, preciso sentir prazer ao ler aquilo que escrevo. Na verdade, preciso mesmo é me apaixonar por texto e forma, sentir o encantamento que deve emanar do que leio. Sou sempre o primeiro e mais feroz crítico de meus textos, sejam eles contos, prosas, poesias, cartas, memorandos, avisos, mensagens de e-mail e o que mais possa ser escrito.

Chego a ficar horas trabalhando em uma frase, por vezes procurando outra palavra que possa trazer um novo encanto ao sentido do que quero transmitir, buscando a “sensação perfeita” para significar a ideia exata do que sinto. Até mesmo ao escrever mensagens de e-mail, posso me demorar “além do razoável” para concluí-la.

Realmente, pode até parecer um comportamento paranoico. No entanto, em psiquiatria isso é uma característica de personalidade: sou extremamente perfeccionista e detalhista. E isso não se “cura”.

Portanto, a maior alegria que sinto ao escrever é alcançar texto e forma perfeitos. Obviamente, “perfeitos” para mim, o que não significa que eventuais leitores concordem com minha “perfeição”, já que a perfeição é um conceito relativo, ligado ao resultado que se quer atingir.
What is your writing process? [Qual é o seu processo de escrita?]
Essa é uma questão bastante curiosa... Na escola sempre deixei muito a desejar em Português, chegando a repetir a 2ª série do Ginásio nessa matéria, assim como em Matemática e mais algumas; foi um ano péssimo para mim em tudo. Minhas redações eram ruins mesmo, ridículas eu diria. Jamais me destaquei em Português, achava um horror aquele amontoado de regras e armadilhas de nosso idioma. E eu tentava me enquadrar nas regras, produzindo textos totalmente insossos e despersonalizados.

Muitos anos depois, quando descobri (e acreditei), em razão da terapia mencionada na “biografia do autor”, que escrevia melhor do que a média, comecei a escreve tentando traduzir meu caos mental em palavras e, se é que isso seria um processo de escrita, sentava-me com caneta esferográfica na mão (direita) e simplesmente as palavras jorravam sem ordenação consciente; o texto vinha aos borbotões e sem qualquer espécie de crítica lógica de minha parte.

Um exemplo disso é a poesia “O Haarvo (poema do distúrbio)”. O texto todo me surgiu quando soube da morte do cineasta Glauber Rocha em agosto de 1981, que chocou muito também a mim. Glauber era uma pessoa que eu admirava. Cheguei à casa vindo do trabalho, peguei um bloco de folhas de papel estriado branco e verde claro de impressora e escrevi em texto corrido todo o rol de sensações que desencadeara em mim a morte de Glauber.

Foi num vórtice só, como se vomitasse de um estômago inconsciente a sensação da morte de Glauber, num único e prolongado esforço mental. Não houve qualquer método nem ideia ou planejamento prévio, veio simplesmente e sem qualquer trabalho consciente de minha parte.

Passado algum tempinho, encontro as mais de quarenta folhas manuscritas desse texto, leio-as e decido passar o texto em forma de versos. Percebo, então, que se trata de um longo texto algo assim “metafísico” e dando sensação de algum distúrbio pessoal. Imediatamente surge o nome-título “O Haarvo (poema do distúrbio)”, assim pronto e acabado. O trabalho árduo mesmo foi passar tudo aquilo em forma de versos.

Evidentemente, nada de rima sonora existe ao longo do que chamei “poema”, especialmente pelo fato de o original ter vindo em forma de prosa; digamos, uma “prosa-desabafo”, creio que seria uma denominação correta. O processo de convertê-lo em versos foi realmente exaustivo, embora não propriamente difícil, mas sim pela concentração mental a que me submeti para dividir um texto linear em linhas separadas como versos, além da quase total ausência de pontuação, tornando O Haarvo um texto complicado, confesso.

Geralmente, meus textos vêm dessa forma, mas isso não significa que eu não pretenda escrever textos planejados e formalmente estruturados, pois o desejo do escritor é que suas obras sejam lidas e isso demandará do autor uma disciplina que jamais teve – 10% de inspiração e 90% de transpiração costuma ser a chave do sucesso em qualquer empreitada. Apesar de tudo, há que se manter os pés no chão de vez em quando.
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Books

Diálogos de Plutão (Pluto Dialogues)
Price: $1.99 USD. Words: 21,030. Language: Portuguese. Published: February 24, 2015. Categories: Fiction » Humor & comedy » General
Diálogos de Plutão (Pluto Dialogues) foi escrito como resultado de diversos trechos de conversas ouvidas nas ruas pelo autor, em que apenas pedaços aparentemente sem sentido eram captados, pois tanto as pessoas que conversavam quanto o autor caminhavam de passagem pelos lugares onde partes das conversas eram ouvidas pelo ar, e apenas sensações ficaram na memória.
Poextremos (extremoesias)
Price: $0.99 USD. Words: 9,350. Language: Portuguese. Published: January 20, 2015. Categories: Fiction » Poetry » Portuguese poetry
Este livro vai de um extremo a outro em termos de texto poético. Começa com um poema extenso, subjetivo e altamente psíquico resultante de fato concreto: em 39 páginas, trata de um distúrbio existencial gerado pela notícia da morte de Glauber Rocha, em 1981. Termina minimalista, com uma seleção de haikais, gênero que tem a característica da concisão. No meio, textos poéticos de extensão comum.
Contos Meio Estranhos (Kind of Weird Short Novels)
Price: $5.99 USD. Words: 32,820. Language: Portuguese. Published: December 13, 2014. Categories: Fiction » Literature » Literary
Com oito contos totalmente diferentes e sem qualquer ligação aparente entre si, pode-se dizer que este livro inova no tratamento literário conhecido para a categoria "Contos", assim como em sua estrutura narrativa, em que o leitor certamente não terá a sensação de "Déjà vu". Ao contrário, dificilmente pressentirá o que virá a seguir, pois a constante surpresa é a tônica do texto.

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