Ana Pereira

Books

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Smashwords book reviews by Ana Pereira

  • Orin on March 19, 2013

    Orin foi a minha primeira aventura ao universo dos contos do autor. É uma viagem bem humorada à Origem, que fica ali entre o Génesis e o Big Bang. Pelo caminho, apreciei a beleza das curvas e contracurvas da criação da Linguagem e do Género e as fantásticas construções de jogos de palavras, com traços arquitetónicos de Babel e Lego. Orin é um hino à Vida, à Feminilidade e à Dualidade do Universo (com uma ou outra estrofe gastronómica). Sarcástico, pateta e enternecedoramente refrescante, com tudo o que de imperfeito e intempestivo podem ter a Criação e a Experimentação. Fiquei agradavelmente surpreendida e com vontade de ler mais e foi isso que fiz assim que tive oportunidade. Orin é um sítio a revisitar, quem sabe, para a próxima vez em inglês? É que fiquei curiosa por saber como ficará, por causa das pataniscas...
  • Perguntas-me? on April 09, 2013

    O que é isto? Uma colecção de pontos de interrogação a enxugar no estendal, à espera de quem os vá lá apanhar... para usar, para aprender alguma coisa? Para quem sente a avidez da pergunta, mesmo sabendo que pode ficar sem resposta? É, no mínimo, tentador perguntar. Mergulhar nas ilustrações, ilusões aguareladas das imagens inspiradas nas palavras e refrescar as ideias. Uma explosão de doçura e arrebatamento, com imensa força e ternura e amargura, murros e pontapés e pulos de contentamento. Uma mistura que dá para ir saboreando uma e outra vez, experimentando todas as variantes do sabor, e detalhes que escapam à primeira. Pelo menos é o que eu acho. E quem pergunta assim, deve continuar. A perguntar, a escrever e a desenhar. Em suma, a expressar. Uma pergunta assim por dia, sabe o bem que lhe faria?
  • Z on April 10, 2013
    (no rating)
    Z é um menino(?) fantástico, algures entre o sonho e o pesadelo. Fiquei com a nítida impressão que já me havia visitado em algum devaneio onírico. Num puzzle high-tech em tons de branco, a contrastar com a sua pele, há um desafio de lógica dentro da lógica, e ele está determinado a testar limites com a sua prodigiosa inteligência. Não se sabe onde está, apenas que tem de sair de lá. Algures na Via Láctea, diria, não muito longe de K-Pax, depois do Hipercubo. Para onde irá? Quem encontrará? Muito fica por explicar. Este conto pede continuação. Parece que ainda há muito para vir a seguir a Z.
  • Legado Vermelho on April 11, 2013
    (no rating)
    Um calor imenso, vindo das entranhas da terra, incontrolável. Dois irmãos que se complementam: o mais velho pragmático, o mais novo cheio de sonhos. Encontram-se num mundo onde a fantasia se derrete e funde com a ficção científica, povoado por criaturas míticas. A revelação no final... o que um numeral ordinal pode fazer! Legado Vermelho é o segredo de um tesouro com enorme potencial. Uma promessa que eu gostava de ver cumprida na continuação desta história.
  • Coração Atómico on April 15, 2013
    (no rating)
    Há acontecimentos na História que parecem destinados a acontecer, mais cedo ou mais tarde. E se fosse mais cedo? Se a energia nucear tivesse sido descoberta durante a Revolução Industrial? E se a inteligência artificial fizesse parte do pacote, capaz de reproduzir as emoções humanas com elevado grau de fidelidade? E se tudo isso tivesse acontecido numa cidade portuguesa? Este conto parte de uma série de "e se..." acelerando a todo o vapor para um final inevitavelmente explosivo, bem do género steampunk. Uma homenagem a todos os fracassos dos quais não reza a História. Ou aos acontecimentos que, apesar de não terem sido fracassos, são ignorados dos anais. Deixa o "e se..." ficar no ar.
  • A Linha Recta do Corvo on April 16, 2013
    (no rating)
    Humorzinho negro, retorcido, bem temperado com todos os ingredientes que fazem de um conto um belo petisco. Depois de me alambazar a rir, pus-me a imaginar quem terá o Lince chateado, como surgiu a sua mística ligação com os corvos e que histórias contariam os tipos a quem ele limpou o sebo, se tivessem ficado para contar. Gostava de ler isso, como aliás, fico sempre com vontade de continuar a ler. Qualquer um dos contos deste autor deixa-me com água na boca e estímulo na imaginação. A capa está bastante "Kill Bill", o que me faz imaginar como ficaria a história se fosse uma curta realizada pelo Tarantino, ou mesmo uma longa metragem com as histórias todas. Imagino uma coisa mais doce, ligeiramente ácida, mais leve e menos indigesta que a saga amarela. Uma barrigada de riso do início ao fim com violência qb e, com um bocado de sorte, algum sexo pelo meio. Isto tem imenso molho a querer escorrer, uma mistura de sangue com... ketchup!
  • A invenção de um conto de fadas on April 19, 2013
    (no rating)
    Foi paixão ao primeiro capítulo. Que no meu caso, não foi por onde começa a história, foi um que tinha cerejas lá dentro. E andei a saboreá-las durante longo tempo, até sentir apenas o sabor acre do caroço e a doce memória da polpa. A história completa fez-se esperar, e quando eu menos esperava, lá estava ela, à espera que eu a lesse. E foi o que fiz sem demoras, mas o mais devagar que pude, a saborear cada palavra. Fui-me embrenhando no enredo, vizinha das personagens, morei por lá uns tempos e sei que poderei visitá-las sempre que quiser: Senhor Agostinho é o avô perfeito, impossível não simpatizar com ele e dar-lhe sempre razão (excepto em relação a certas coisas que pensa sobre a próstata, mas é compreensível). Dá vontade ser novamente criança e saltar-lhe para o colo. Ficar a ouvi-lo durante horas. A pele dele e a casca da árvore... tão depressa não me vou esquecer dessa. Linda Agos, a personagem que fala através dos seus livros, sempre presente, sempre certeira, a palavra certa no momento certo cura tudo. Fez-me querer ler a sua obra toda e ir procurá-la. Rosário deu-me vontade de lhe pedir uma haste de buganvília (não faço ideia se as buganvílias pegam de estaca, mas ela haveria de me explicar) e ficar a conversar até ganhar confiança para lhe dizer que as coisas nem sempre são o que parecem. E mandar vir com o Aníbal por demorar tanto. Às tantas já parecia a minha tia a falar com as personagens da novela, só que pelo menos não o faço em voz alta. Acho... Isabel e João foram os primeiros que conheci, impossível não ter um fraquinho por eles, desejar ardentemente que conseguissem ultrapassar tudo o que os separava num encontro idílico, que acabou por ser muito mais do que me atrevi a imaginar. Pedro e Aninhas fizeram-me regressar à inocência da infância... saudades! Fiquei mesmo contente com o banquete e os anteriores delírios do Pedro levaram-me ao País das Maravilhas, onde o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março partilham o lanche. Completamente alucinado e doce, doce, doce, muito mais que estévia, ahah! Ângela e Manuel... tão complicado quanto interessante. Vontade de triangular com eles a ver se acertam as coordenadas. Não que fosse adiantar alguma coisa, mas não deixa de ser vontade por isso. Adorei os diálogos. Especialmente aquele em que não falam. E que espécie de Árvore é aquela dos Amores? Que copa frondosa, que textura rugosa, que rumorejar de folhas à passagem da brisa é aquele? E o perfume das flores? E o sabor dos frutos? É uma árvore para se abraçar e sentir com todos os sentidos. Os seus ramos estendem-se para ligar todas as personagens. Anuncia as estações e demora-se na Primavera. Nesta(s) história(s), há uma brisa perfumada de esperança que dá vontade de celebrar... a felicidade, o amor, a vida... vontade de aproveitar ao máximo todas as coisas boas até as más ficarem pequeninas e sem grande importância. Foi com uma enorme sensação de gratidão que fiquei depois de ler esta "Invenção". Porque as fadas existem, basta prestar atenção, acreditar. E contar. 7 estrelas. Fiquei a cerejar...
  • Lili on July 18, 2013
    (no rating)
    Lili já não é criança mas ainda não adolesceu. É um limbo entre o sonho e a realidade, aquele sítio onde é mais fácil lidar com o medo. Uma história para crianças e ainda mais para adultos que têm réstia de criança. Ilustrações sugestivas lembram gravuras dos livros antigos, num traço fluído, a deixar espaço para a imaginação espreitar e até talvez, procurar o que escondem. Personagens do sonho, boas e más, convivem com a realidade na imaginação de uma menina e na história que está a ser escrita. Vozes de especiarias convidam a um cacau reconfortante, e por que não juntar um sapo que não é príncipe, canecas com personalidade e pufes amarelos velhinhos? Enquanto isso, pode-se sempre visitar os sótãos e as caves da memória e tirar esqueletos do armário. O tempo molda a perspetiva dos acontecimentos, empoeira as coisas más e potencia as boas. Pode muito bem ser o ponto de partida para uma viagem onírica, com reflexos na realidade. A minha sugestão: acompanhar a leitura com o cacau polvilhado de canela e uma pitada de pimenta bem moída. E raspas de chocolate negro por cima! Fechar os olhos e...
  • Equador Morto on Aug. 08, 2013
    (no rating)
    Lembrou-me O Esquecido, mas um bocado mais negro. Também os gafanhotos do District 9, com um pouco de Mosca e Espécie Mortal. Quando o cenário é tão negro, só é possível melhorar, não? Pois, não sei, este conto é uma espécie de entrada, deixa-me a salivar pelo prato principal. Para já, temos três personagens apetitosas: será que o bravo Capitão se vai safar? E a sua mulher, descobrirá na ciência a salvação? E a Pária, uma sobrevivente com muito para contar... saberemos mais pormenores sobre como chegou até ali e o que lhe reserva o futuro? Sem contar, claro está, com os Dragões, essa enigmática espécie, como foi a sua criação, evolução... Seguindo a linha do Legado Vermelho, até posso imaginar uma continuação... Tudo está aberto e a curiosidade e a imaginação ficam ao rubro, incandescentes, lambidas que foram pela chama dos dragões. Se o propósito era provocá-las, missão cumprida. Só falta cumprir a história!
  • Vénus 12 on Nov. 11, 2013
    (no rating)
    O conto responde a todas as premissas solicitadas: é ficção científica, tem algum erotismo, uma pitada de existencialismo e bom humor. Sobre a ficção científica: Devo dizer que é uma área que me agrada bastante porque estimula imenso a imaginação e a criatividade, possibilita uma infinidade de hipóteses de pensar o futuro, o passado e o presente numa série de cenários diferentes. Gostei deste cenário, apesar da decadência, toda a tecnologia, especialmente a nano, fascina-me. E afinal de contas, o mundo do conto é um cenário de futuro bastante plausível. Sobre o erotismo: Gostei muito da experiência da personagem feminina. Mesmo que seja uma sensação em segunda ou terceira mão, tão verdadeira quanto dois ciborgues podem ser, ou como duas personagens de um conto, não importa, a imaginação e memória encarregam-se do resto. Interessa-me saber como os outros sentem, perceber as diferenças e as semelhanças. A forma encontrada para o fazer faz-me lembrar o filme Strange Days e não deixa de ter alguma semelhança com o que é possível fazer atualmente, quando se olha nos olhos de alguém e se percebe inequivocamente o que sente. Mas para isso é preciso observar com alguma profundidade e dá azo a algumas falhas de interpretação. E também não é preciso muita tecnologia para entender a fixação masculina pelo membro sexual. Percebe-se quando se sente, mesmo na impossibilidade de poder sentir. Afinal de contas, a testosterona também me corre no sangue das mulheres e a compreensão é possível baseada num sentir alheio que se possa observar. É um exercício que faço sempre que tento perceber os outros e acho também (talvez ingenuamente) que se toda a gente pudesse e sobretudo quisesse saber como é estar na pele do outro, o mundo seria bem melhor, com mais compreensão e perdão. Porque uma coisa é compreender, outra é sentir. É possível sentir sem compreender, mas será possível compreender sem sentir? Sobre o existencialismo: Há um conceito sobre a perfeição baseado na importância da simetria que só me apetece mandar à fava (porque não aprecio favas). Sim, todos os animais procuram a simetria nos seus parceiros, costuma ser sinónimo de beleza e genes saudáveis. Mas isso é uma perspetiva biológica extremamente redutora, não? Uma embalagem atraente não é automaticamente sinónimo de boa reprodução, muito menos de boa diversão. Mas está demasiado enraizado... E quem somos nós para ir contra a natureza? Até parece que não estamos constantemente a fazê-lo noutras áreas, por que haveria de ser diferente com o sexo? Onde fica a inteligência no meio disto tudo? Gostei da perspetiva sobre a inteligência artificial. Afinal, o que é que a distingue da inteligência... natural? É não ser biológica? É a programação? E quem é que nos diz que a nossa inteligência não foi programada? Afinal de contas, temos um "código genético". Não parece um bocado estranho isto ser tudo apenas fruto do acaso? E o acaso, não pode ser também uma programação com uma lógica que nos escapa? Acredito que o herói tenha despoletado uma revolução. Uma espécie de I-robot, versão erótico-existencialista. Depois de toda a ficção que já existe sobre a temática (e não costuma dar bom resultado criar máquinas tão ou mais inteligentes que nós) pergunto-me se será possível a coisa terminar bem, que uma inteligência superior possa achar que temos salvação, que podemos aprender a ser melhores. O dilema da personagem feminina acaba por não ser dilema nenhum, ela sabe muito bem o que tem de fazer e, com mais ou menos resistência, com uma eficiência que eu admiro, fá-lo. Sobre o humor: Está lá, não é hilariante, mas é realmente bem-disposto e deixa aquela sensação de esperança reconfortante que eu gosto tanto de sentir. O último sorriso então, é uma delícia! Não há melhor forma de fazer seja o que for, tudo fica melhor com um sorriso nos lábios! Fiquei assim com uma série de questões suspensas num sorriso: não entendo por que o ciborgue haveria de ser programado para ser "fiel" à Eva ou vice-versa, por que é que a programação dela haveria de ser incompleta por ser feita a partir dele. Admito que isto possa ser algum complexo bíblico causado por aquela parte da costela do Génesis. Afinal de contas, se tem alguma inteligência, deveria ser capaz de aprender e colmatar as falhas de forma criativa, não? Uma vez que se tratam de máquinas amantes e supostamente pensantes, não deveriam estar programadas para amar sem exclusividade? Quando muito, amar todos os clientes? Mas aqui entra novamente o existencialismo e o que vem a ser isso de amar e será que as máquinas conseguem ter essa capacidade? E se ele ama a Eva, por que fica triste por a ver ter prazer com o outro ciborgue? E onde fica aqui a questão da Escolha? Se ele pode escolher não fazer aquilo para que foi programado, isso é perigoso, significa que pode rejeitar clientes e ir contra as diretivas comerciais. Será a Escolha apenas uma ilusão? E porquê programar ciborgues multitarefa? (entendi que neste cenário existem outras séries de ciborques destinados a outras tarefas, estou a referir-me apenas às funções sexuais) Não faria mais sentido (e é esse o caminho que tem vindo a fazer a robótica e o marketing) especializá-los, segmentá-los, dotá-los de várias personalidades e compleições e habilidades diferentes, à escolha do freguês, no fundo, mais parecidos connosco e não tão completos e consequentemente perigosos? Ah, a programação humana e os seus "bugs"... Já os vírus, são criaturas extremamente inteligentes e muito competentes, ao contrário de nós, estão sempre a aprender com as falhas, e a sensação que tenho é que quanto mais pequenos, mais eficazes. Todos nós já experimentámos lutar com estes aparentemente insignificantes seres que nos constipam e engripam e fazem toda uma série de maldades piores sempre muito bem feitas. Foi na saga Matrix que uma das máquinas comparou o comportamento humano ao dos vírus, mas eu creio que em termos de inteligência, ainda temos muito que aprender com eles. Para não variar, o autor deixou-me mais uma vez com aquela sensação de água na boca, a querer mais. Haverá continuação? Espero que sim. Bem, pelo menos na minha consciência e imaginação, despoletou mais, muito mais!